Performance por Anima: Luiz Henrique Fiaminghi: Rabeca. Patrícia Gatti: Cravo. Valeria Bittar: Flauta Doce. Ivan Vilela: Viola Caipira. Isa Taube: Voz. João Carlos Dalgalarrondo: Moringa.
De "Espiral do Tempo". Gravado na Igreja do Mosteiro de São Bento, Vinhedo - SP. 1997-6.
Esta canção de Gramani engana porque a primeira impressão é de algo do oriente, árabe ou hindu. Mas os brasileiríssimos timbres dos pifanos e rabecas não deixa dúvidas de sua nordestinidade. O turbilhão cultural do Brasil do século XVI, recebeu muitas influências ibéricas, e por conseqüência, islâmicas. Este êxtase musical foi incluído na iconologia por muitíssimo bem localizado estar, sobre as fronteiras culturais que aparentemente dividem os povos.
Performance por Cama de Gato: Arthur Maia: Baixo. Rique Pantoja: Teclado. Mauro Senise: Flauta. Pascoal Meirelles: Bateria.
O Cama está na estrada a mais de dez anos. Seus músicos se espalharam e fizeram grandes participações em momentos antológicos da Música Brasileira. Sua boa dosagem de Jazz o torna um dos primeiros expoente do Instrumental carioca e brasileiro.
De "Cabeça de Negro". 1986.
João Bosco é provavelmente o artista branco mais compromissado com a cultura negra de candomblé do Brasil. Esta canção especialmente grave, aqui está para representar a importância de sua obra com
Aldir Blanc.
Arthur Moreira Lima: Piano.
Ernesto Nazareth viveu nos primórdios do
Choro, e ainda é referência de grande personalidade e compositor. Odeon era uma sala de cinema no Rio, e os filmes antigamente eram mudos, então Ernesto lhes emprestava mais vida tocando piano ao embalo do enredo.
Performance por Duofel: Luis Bueno: Violão. Fernando Melo: Violão de 6 e 12 cordas. João Parahyba: Percussão e Programação eletrônica.
De "As Cores do Brasil". São Paulo. 1990-3.
Enquanto o Rio renova a música tradicional brasileira, Sampa inova. O DUO do FErnando e do Luis nasceu para tocar com a banda de
Tetê Espíndola. Sempre originais, com certeza criaram esta elétrica canção em homenagem a
Egberto Gismonti.
Nonato Luiz: Violão. Djalma Corrêa: Percussão. Luiz Alves: Baixo acústico. Mauro Senise: Flauta. Clarisse Grova: Voz.
Simplesmente tocante. Cearense, Nonato é pouco conhecido no Brasil, mas é muito admirado na Europa e EUA. Sempre invocando o nordeste em sua obra, inspirou-se nesta canção em sua infância onde via ciganos migrando pelos sertões.
Marco Pereira: Violão. Mingo: Percussão. Leandro: Piano.
De "Brasil Musical". Gravado ao vivo no SESC Pompéia. São Paulo - SP.
Belíssima composição de Cesar Camargo Mariano, que sempre funde muito bem a Música Brasileira e o Jazz. Curumim já recebeu muitas interpretações, inclusive do
Nó em Pingo D'Água, no album Salvador. Brasiliense, Marco Pereira é dono de uma gravadora extinta repleta de preciosidades.
Novamente o Nó nos traz um arranjo que alcança os céus. Os novos compositores do Samba são assim, renovadores, contudo tradicionais.
Levi Ramiro: Viola Caipira. José Esmerindo: Violão.
De "Maracanãs".
A viola caipira é um dos mais belos instrumentos do Brasil. Sua rusticidade nos traz cheiro de comida caseira, balanço da rede, sotaque do interior. A pintura desta canção é um calmo carro de boi rumando em sua estrada de terra depois da chuva da tarde, sobre uma paisagem verde. Um dia após o outro, calmamente como o fluxo de um rio. Levi Ramiro, um desconhecido violeiro de Baurú, juntou pérolas num trabalho chamado Maracanãs, que chegou a mim pelas mãos de um grande amigo a pouco mais de um ano. É uma obra tão rica, que continua demandando novas descobertas.
Performance por Quinteto Armorial: Antônio José Madureira: Viola Caipira. Edilson Eulálio: Violão. Fernando Torres Barbosa: Marimbau Nordestino. Egildo Vieira: Pífano e Flauta. Antonio Carlos Nóbraga: Rabeca e Violino.
De "Do Romance Ao Galope Nordestino".
O Movimento Armorial nasceu oficialmente em 1970, encabeçado por Ariano Suassuna, e se interessa por diversas facções da arte. Ele expõe as origens da cultura nordestina, enraizada em tradicões medievais. Juntamente com Deodora(1), esta cancão mostra a total desmilitarizacão das fronteiras musicais entre as civilizações. O Quinteto, inexistente hoje, é ainda uma das realizações mais expressivas desse movimento. Um de seus ilústres membros é ninguém menos que
Antonio Nóbrega, brincante da mais vadia eloqüência.
Hermeto Pascoal: Sax Soprano. Nenê: Bateria, Percussão. Itiberê Luiz Zwarg: Contrabaixo. Zabelê: Surdão. Cacau: Sax Tenor. Jovino José dos Santos: Piano. Pernambuco: Triângulo, Percussão. Nivaldo Ornelas: Flauta.
De "Hermeto Pascoal Ao Vivo". Gravado ao vivo no Momtreaux Jazz Festival. 1979.
Talvez não haja um músico vivo tão luminoso quanto
Hermeto. Capaz de arrancar melodias de tudo que houver pela frente, de qualquer forma, a qualquer hora, não tem compromisso com nada e ninguém. Completamente livre, suas criações são absolutamente originais, dissonantes e belas.
A despretensiosa genialidade de
Jacob do Bandolim é constantemente lembrada nas mãos de músicos como o Nó, que inovam o Choro sem perder sua doçura. O Nó, o
Rabo de Lagartixa (
+link), e outros grupos centrados no Rio, vem desenvolvendo um hard-Choro elétrico - sem esquecer o passado - que o levará para seu terceiro século, mais vivo do que nunca.
Paulinho Nogueira: Violão.
De "Brasil Musical". Gravado ao vivo no SESC Pompéia. São Paulo - SP.
O nome "Chorinho" vem do século XIX. Nasceu da idéia da corda do violão vibrar, "chorar". Acabou se tornando algo muito alegre. Paulinho nos traz este genial Choro triste. Suas interpretações não pecam pela simplicidade. E nos arrancam lágrimas.
Performance por Trio Madeira Brasil: Ronaldo do Bandolim: Bandolim. José Paulo Becker: Viola Caipira. Marcello Gonçalves: Violão de 7 Cordas. Zé Renato: Voz. Zero: Percussão.
Foi num show do Trio que percebi como esta música tem o poder de contagiar a todos. Esta belíssima melodia do
Egberto foi temperada com o genial arranjo do Trio, que interpretou-a com, quem diria, uma viola caipira. E foi esse o motivo de incluí-la, ao invés da versão original.
Marcelo Quintanilha: Violão. Chirstian Kirmayr: Flauta. Toninho Ferragutti: Acordeon.
De "Metamorfosicamente". 1997.
Música incidental. A versão original, mais longa, continha letra.
Hermeto Pascoal: Voz, Piano, Violão. Nenê: Bateria, Percussão. Itiberê Luiz Zwarg: Contrabaixo. Zabelê: Voz, Violão. Cacau: Flauta. Jovino José dos Santos Neto: Percussão. Pascoal José da Costa: Improvisação das Palavras.
De "Zabumbê-Bum-Á". 1979.
Talvez não haja um músico vivo tão luminoso quanto
Hermeto. Capaz de arrancar melodias de tudo que houver pela frente, de qualquer forma, a qualquer hora, não tem compromisso com nada e ninguém. Completamente livre, suas criações são absolutamente originais, dissonantes e belas.
Performance por Orquestra Popular de Câmara: Ronem Altman: Bandolim. Guello: Pandeiro. Toninho Ferragutti: Acordeon. Benjamim Taubkin: Piano. Mônica Salmaso: Voz. Mané Silveira: Flauta. Teco Cardoso: Flauta, Sax Soprano. Sylvio Mazzucca Jr.: Contrabaixo. Dimos Goudaroulis: Contrabaixo. Lui Coimbra: Contrabaixo. Naná Vansconcelos: Percussões. Caito Marcondes: Percussões. Zezinho Pitoco: Percussões. Paulo Freire: Viola caipira.
Os anos 90 trouxeram a consciência da globalização. E este fenômeno está muito presente na música da OPC. Em suas apresentações pode-se ver uma enorme gama de instrumentos, numa mistura nunca dantes experimentada. Juntamente com o Duofel(5), a OPC é uma expoente da vanguarda paulistana. Considero esta canção o sopro mais inovador da Iconologia. Se ela fosse um edifício, seria arquitetura contemporânea: funcional, bela, forte e leve.
Ulisses Rocha: Violão. Armando 'Marçalzinho': Percussão. Pedro Ivo: Contrabaixo.
Ulisses é um cientista da música. Violonista, desenvolveu um estilo próprio, original, diferente. Mesmo assim, com um pé no New Age, é inconfundivelmente brasileiro. Esta música tem o nome perfeito, e não há melodia que traduza melhor as palavras de seu nome. Uma manhã ensolarada, ar frio, paz de espírito, descompromisso e uma planície verdejante para correr de braços abertos.
Renato Borghetti: Gaita de Ponto. Daniel Sá: Violão.
De "Brasil Musical". Gravado ao vivo no SESC Pompéia. São Paulo - SP.
Música do Sul. A Gaita de Ponto de Borghettinho (as vezes confundida com acordeon) e a guitarra de Daniel maqueiam com Jazz esta tradicional Gaucha.
De "Brasil Musical". Gravado ao vivo no SESC Pompéia. São Paulo - SP.
Perdemos
Raphael em 1995 por overdose. Uma de suas últimas aparições foi no filme
O Mandarim de Júlio Bressane, interpretando Villa Lobos de chapéu, tocando violão sentado no galho de uma árvore. Antológico. Deixou um legado de interpretações que o elevou a um dos maiores instrumentistas de nosso tempo.
Ulisses Rocha: Violão. Teco Cardoso: Flauta, Sax Soprano. Sylvio Mazzuca Jr.: Baixo Elétrico.
Juntamente com Lôro, as cores amarelo e verde destas composições as tornam as mais expressivas do mestre. Simplesmente
Egberto Gismonti, interpretado pela nata instrumentista do Brasil:
Ulisses Rocha e Teco Cardoso.
Zé da Velha: Trombone. Silvério Pontes: Trompete, Flugel. Humberto Araújo: Sax Soprano.
De "Só Gafieira". 1995.
O debochado timbre destes instrumentos pinta o final de uma madrugada boêmia, em que três amigos, caminhando pelo meio da rua com a alvorada por detrás, voltam felizes para casa. Talvez assim esta valsa foi composta.