Indefinição Marca Fim da Votação do OOXML na ABNT

Escrevi neste post detalhes minuto a minuto da reunião de hoje na ABNT, que vai decidir se o Brasil é SIM favorável ao Microsoft Office Open XML, ou se vai dizer NÃO porque prefere usar bons padrões abertos como o ODF.

Se você não entendeu nada, leia outro post que explica algumas coisas.

O resultado de hoje definirá a posição oficial do Brasil na reunião mundial da ISO, para tornar o MooX um padrão aberto ou não.

Hoje, o SIM é ruim para a comunidade livre. É o NÃO que buscamos.

Há uma chance de o dia de hoje levar o Brasil a se abster. Isso potencializa duplamente os outros votos SIM e NÃO na ISO, mas acima de tudo colocaria o Brasil numa posição indefinida, vergonhosa na minha opinião, para uma questão tão importante. A abstenção é o destino de uma reunião que não entrará em consenso.

  • 9:45. Fila para entrar. Sala se enchendo rápido. Pessoas na reunião: Jomar Silva da ODF Alliance, Marcelo Marques da 4Linux, Marisa e Deivi do Serpro, Corinto Meffe do Ministério do Planejamento, outros do ITI, Bimbo da Red Hat, IBGE, outras pessoas do governo, Claudio do BrOffice.org, estudantes da UNESP (provavelmente os que mais se aprofundaram na especificação do MooX), Cesar Brod, Pedro Rezende da Rede Livre, e várias pessoas usando bolsas de eventos da Microsoft.
  • 10:20. Sala lotada. Eugênio da ABNT abre a reunião dizendo que o papel da instituição é ser neutra e somente tocar o processo. Esclarece também alguns pontos questionados pelo Jomar sobre o que é voto “sim com comentários” e “não com comentários”, etc. Esclareceu também outros detalhes do processo da ISO. Contou também que é o maior quorum de uma reunião na ABNT. Ressaltou novamente que a ABNT não tomou nenhum partido.
  • 10:50. Ainda com o Eugênio ao microfone, Daivi do Serpro pediu a palavra para lembrar como a ISO define consenso. O voto será SIM ou NÃO se houver um consenso geral para isso.Fernando Gebara repassando os 63 comentários.
  • 11:00. Pessoas começaram a pedir para cumprirem a agenda, e começar a revisar as objeções a especificação OOXML.
  • 11:03. Marcia Cristina da ABNT contou que sempre, inclusive questões polêmicas, acabam em consenso. Quero ver como esta vai terminar.
  • 11:04. Fernando Gebara da Microsoft toma o microfone e se prepara para mostrar a lista de comentários a especificação.
  • 11:05. Cesar Taurion pede para citar quem participou do GT2. A partir da Parte 4, mais de 200 comentários foram postados no Wiki. UNESP, Celepar, Banco do Brasil, Serpro, Correios, ODF Alliance, IBM, Sun, 4Linux, Red Hat.
  • 11:10. Gebara conta como foi o processo de coleta de comentários, centrado num Wiki e com reuniões presenciais em SP, RJ e BSB, onde mais de 200 comentários foram consolidados em 61. Explicou também como é o template de documento da ISO para receber comentários de normas.
  • 11:18. Decide-se ler comentário por comentário pela voz de Fernando Gebara, conforme mostra a fotografia.
  • 12:03. Terminada a leitura dos comentários. Assuntos mais polêmicos como propriedade intelectual e reinvenção da roda em várias subespecificações como DrawingML versus SVG, MathML e outros ficarão para a tarde. Decide-se voltar as 13:15.

Foi uma manhã leve.

Na saida do intervalo, encontrei um velho amigo de uma empresa chamada Programmer’s. Perguntei qual seria seu voto. Ele respondeu que na opinião dele, quanto mais padrão melhor, ainda mais se é um padrão já muito usado. Isso é um total equívoco porque praticamente ninguém usa o OOXML ainda por ser extremamente novo.

Mas a Microsoft tem “vendido” o OOXML como um formato já antigo, na verdade como um formato de compatibilidade com os documentos legados do Microsoft Office. Como assim? Só pra começar, um é puramente binário e o outro é XML zipado? Não há absolutamente nenhuma compatiblidade entre os dois formatos.

Corcovado visto do escritório da ABNTCatedral de São Sebastião vista do escritório da ABNT

  • 13:40. Abriram a reunião discutindo a mudança do local da votação de Brasilia para o Rio e que isso não entrou de forma correta na ata da última reunião.
  • 13:50. Começaram a discutir os dois pontos mais polêmicos onde não se chegou num consenso se deveriam entrar ou não na lista de comentários.
  • 13:53. Ponto 1: se a especificação é para um formato de documentos e de compatibilidade com o legado, deve haver um mapeamento entre o OOXML e o formato legado, e isso não está incluido na especificação.
  • 13:56. A discussão fica mais quente quando Jomar explica que sem isso a especificação não se justifica.
  • 14:00. Pedro Rezende, Rede Livre, toma o microfone. Divaga sobre o uso livre da especificação e que ela está incompleta para uso livre.
  • 14:06. Raimundo da Microsoft diz que essa questão já foi discutida e que não deve voltar a tona.
  • 14:11. Ricardo Bimbo da Red Hat diz que tecnicamente há a necessidade de acesso ao mapeamento entre o OOXML e os antigos formatos binários.
  • 14:13. Jomar insite na necessidade dos mapeamentos porque qualquer um deve ser capaz de criar conversores entre os formatos binários legados e o OOXML.
  • 14:16. Leandro da UNESP diz que deve ser feito o questionamento sobre o mapeamento. Mas diz que isso não faz parte do escopo da norma.
  • 14:19. Raimundo da Microsoft diz que a norma atinge os objetivos e tal questionamento está fora do escopo.
  • 14:20. Murilo do Banco do Brasil lê o objetivo da norma, de seu documento de overview, mostrando que deve haver um documento de correlação entre os dois formatos. Muitos sussuram de que isso está claro.
  • 14:23. Outra pessoa diz achar que há a necessidade de um documento de mapeamento.
  • 14:24. Propuseram simplesmente adicionar o link para a especificação dos formatos binários de documentos.
  • 14:25. Bimbo deixa claro que não estamos ensinando ninguém a fazer norma. Diz que normas são vendidas e que devem ter alta qualidade. E adiciona que se a especificação binária existe, por que só não inclui-la ao padrão ?
  • 14:27. Jomar diz que o foco não é ter acesso a especificação binária, mas ao mapeamento do antigo formato binário ao novo OOXML.
  • 14:28. Leandro da UNESP diz que a norma não propõe essa conversão.
  • 14:30. Claudio da BrOffice.org diz que isso contradiz o objetivo da especificação.
  • 14:33. Raimundo diz que incluir tudo isso seria impossível. É um pedido impossível.
  • 14:42. Corinto diz que legado é uma coisa importante sempre e houveram pelo menos 3 desenvolvedores que disseram que um mapeamento é importante. Ele fala bem. Saiu aplaudido.
  • 14:44. Eu queria falar mas só uma pessoa deve falar por instituição, e este seria o papel do Cezar Taurion. A discussão se voltou para que as pessoas a mais de cada instituição deveriam sair da sala. Estou saindo mas continuarei ouvindo da sala anexa.
  • 14:46. Não me deixam sair !
  • 14:50. Maluf da Sun diz: esses dois pontos são tão polêmicos, que tal simplesmente votá-los.
  • 14:51. Cezar se cansa com essa discussão estéril e propõe voltar a discussão técnica ao invés de ficar se atendo a quem deve sair da sala ou não.
  • 14:52. Raimundo sugere desconsiderar os 2 pontos polêmicos porque estão fora da lista dos 61 comentários. Estão quase jogando cadeiras, lavantaram a voz e tal.
  • 14:57. Prof. Rezende argumenta que os dois pontos devem ser incluidos sim.
  • 14:59. Lêem a introdução da especificação para ficar claro que seu objetivo não combina com o conteúdo. Falta o mapeamento.
  • 15:01. Jomar, tentando ser pragmático, pede para alguém manifestar uma contraposição fundamentada para anular o argumento de que o objetivo da especificação não condiz com a especificação em sí.
  • 15:05. Vitório da Celepar coloca sua opinião técnica de que esse mapeamento é necessário.
  • 15:06. IBGE propõe que os ítens polêmicos devem ser votados pelos representantes das instituições.
  • 15:08. A mesa pergunta como essa votação deve ser feita.
  • 15:09. Djalma do ITI também pede votação.
  • 15:12. Claudio da BrOffice.org propõe retirar esse ponto polêmico do mapeamento e também remover todas os pontos da especificação referentes ao suporte legado. Era exatamente isso que eu queria falar quando não me deixaram.
  • 15:13. Tadao da Serasa fez uma pergunta processual para a ABNT que ninguém perto de mim entendeu.
  • 15:17. A mesa exige que se dê uma solução para o impasse. O ponto do mapeamento deve ou não entrar na lista de comentários?
  • 15:18. Jomar relembra que não há uma contraposição fundamentada ao comentário do mapeamento.
  • 15:22. Voltam ao ponto de representantes duplicados, a.k.a. eu.
  • 15:23. Marcelo Marques diz que não há contraposição técnica ainda para o ponto polêmico.
  • 15:25. Intercalam com o assunto de presença duplicada na sala e eu finalmente saio. Cezar Taurion levanta a voz e pede para voltarmos a discussão que importa.
  • 15:26. Corinto pede a contraposição, ou não.
  • 15:29. A discussão continua enrolada e sem fim. Acabei de ver o Gustavo Mazzariol do Metrô.
  • 15:32. Os participantes estão divididos: o ponto polêmico deve entrar ou não ?
  • 15:34. Bimbo sugere ir adiante e congelar este ponto pela falta de qualidade técnica na discussão.
  • 15:37. Marcia da ABNT mostra as opções que a ISO deu à ABNT para votar: SIM, SIM com comentários, NÃO e NÃO com comentários. Sugere a definição do grupo nesse sentido.
  • 15:43. Prof. Rezende relembra a questão do consenso e maturidade da norma. Sugere que a norma não está madura e portanto o voto do Brasil deveria ser NÃO.
  • 15:50. Da sala anexa em que estou posso ouvir gritos de desespero que não precisam do alto-falante para chegarem aos meus ouvidos.
  • 15:53. Bimbo comenta o constrangimento que seria o Brasil levar uma abstenção para a votação da ISO, e adicionou que o voto da Red Hat seria NÃO.
  • 15:59. Raimundo diz que o trabalho do GT2 foi no sentido de aprovar a norma e não aceita essa reversão para uma suposta desaprovação.
  • 16:01. Jomar diz que em nenhum momento o objetivo do trabalho era melhorar a norma, e sim avaliar sua qualidade.
  • 16:03. Murilo do Banco do Brasil reafirma o que o Jomar disse.
  • 16:04. Cezar Taurion reclama que a discussão técnica está sem técnicos, e isso vira algo comercial e vazio perante o objetivo da reunião. Diz que o que sabe é que a norma como está não pode ser aprovada.
  • 16:06. Vitório da Celepar diz que se sentiu ofendido e que não trabalhou para aprovar a norma.
  • 16:08. Maluf lembra que há outros 61 ítens que desqualificam a norma, e votaria NÃO. Apesar de os membros já estarem se expressando, isso não é ainda uma votação oficial.
  • 16:09. Eugênio volta a reunião e se atém aos 61 ítens que já são consenso de comentários à norma.
  • 16:13. Maurício da Associação de Parceiros Microsoft diz que seu voto seria SIM com comentários.
  • 16:20. Alguém da Cobra Tecnologia comenta sobre a questão de incluir binários (e potencialmente virus) dentro de um documento OOXML. É uma questão de segurança e por isso seu voto seria NÃO.
  • 16:26. Vários blablablás redundantes depois, o Ministério das Ciências e Tecnologia diz que seu voto seria NÃO.
  • 16:29. A mesa diz que praticamente só tem ouvido NÃO com comentários.
  • 16:32. Percebo que os parceiros da Microsoft estão se pronunciando muito pouco nessa fase de decisão. Quase nada. Calculo que eles não se sentem respaldados o suficiente para expressarem um suposto SIM.
  • 16:33. O representante da SUCESU-SP diz ser muito importante haver competitividade no mercado, do ponto de vista do consumidor. Comprimenta a Microsoft por abrir a especificação do OOXML. Diz que votaria SIM com os comentários anexos. Não contaram para ele que escolha é uma questão de produto, não de padrão de formato de documentos.
  • 16:35. Eugênio tenta achar uma solução para o impasse. Diz que em face dos 63 ítens, não precisamos mais da abstenção. Já temos instrumentos para decidir pelo SIM ou pelo NÃO.
  • 16:43. Jomar diz que nem todos os 63 comentários são impeditivos. Mas há 6 ou 10 que são, exemplo: não se pode definir senhas de documentos em chines, questões de Unicode, etc.
  • 16:45. O representante do Google Brasil se pronuncia dizendo que muitas empresas cresceram graças aos Padrões Abertos, felicita a Microsoft por entrar nesse time abrindo a especificação, e diz que votaria NÃO com os comentários.
  • 16:48. Corinto diz que se votamos NÃO com comentários, queremos que os comentários sejam considerados. E que não somos contra o padrão, mas contra o padrão como está proposto hoje.
  • 16:49. Gustavo Mazzariol do Metrô se posicionou, mas não ouvi sua resposta.
  • 16:49. Conab, sob o Minitério da Agricultura, vota NÃO com comentários.
  • 16:51. Alguém votou SIM com comentários, mas perdi quem era.
  • 16:51. Alguém diz que as questões de senha em chinês é problema da China, e não do Brasil. Ele vota SIM com comentários.
  • 16:52. Outro SIM com comentários da RGM.
  • 16:52. CompTIA vota SIM com comentários
  • 16:53. Cesar Brod vota SIM com comentários! Não esperava por essa !
  • 16:53. Serasa: SIM com comentários.
  • 16:54. UNESP: SIM com comentários. Prefiro acreditar que essa é a opinião do representante, e não da UNESP, instituição que me formou e que muito respeito.
  • 16:54. Outro SIM com comentários.
  • 16:56. Isso não era para ser uma votação. Eugênio tenta retomar o controle.
  • 16:57. Vira tumulto. Aparentemente não chegaremos a um consenso, segundo o sonho de todos. A reunião deve terminar às 17:00.
  • 16:59. Eugênio pergunta a todos se há um consenso de que existem 63 pontos a serem discutidos. Todos dizem SIM em côro. Então ele diz que agora deve-se discutir a categoria destes.
  • 17:01. Eugênio pergunta ao Jomar qual é o comentário mais crítico. Ele responde que é a questão de incluir blocos binários em documentos.
  • 17:02. Eugênio pergunta: isso é algo que deve ser modificado na especificação ?
  • 17:03. Raimundo quer se pronunciar e pergunta: porque os 63 ítens devem se transformar em condicionantes se eram só comentários adicionais. Da forma como ele colocou, muitos não concordaram com sua assertiva.
  • 17:04. Raimundo, com voz alta, acha que a regra do jogo foi mudada.
  • 17:05. Jomar diz que ele deveria ter lido as diretrizes do grupo de trabalho.
  • 17:05. Raimundo diz que Jomar usou diretrizes antigas.
  • 17:06. Eugênio diz que não o Jomar mas ele próprio trouxe as regras do grupo. É aplaudido.
  • 17:08. Eugênio lembra que consenso é ausência de contraposição fundamentada, e todos pedem ao Raimundo para fundamentar tecnicamente onde e como não concorda com o ítem de blocos binários.
  • 17:09. Raimundo comenta que o NB da Alemãnha acabou de votar SIM.
  • 17:11. Virou votação informal. Eugênio perguntou quem quer NÃO com objeções: 27 votos.
  • 17:11. SIM com comentários: 24 levantaram a mão.
  • 17:12. Eugênio pergunta quem quer abstenção. Ninguém.
  • 17:13. Alguém que votou SIM diz que quando há quase empate assim, o resultado deve ser abstenção.
  • 17:14. Raimundo diz que se fosse por maioria, teria colocado um ônibus aqui para votar.
  • 17:15. Corinto desenvolve um raciocínio dizendo que se não há contraposição fundamentada, deveria ser NÃO.
  • 17:17. Eugênio discorre que tenta evitar a abstenção do Brasil.
  • 17:21. Murilo do BB diz que as pessoas perceberam que há ítens impeditivos. Votaria NÃO.
  • 17:23. Marcelo Marque, 4Linux, sugere à ABNT que as discussões deveriam ser técnicas, e não comerciais ou políticas.
  • 17:25. Eugêncio tenta levar as pessoas ao longo de um raciocínio decisório.
  • 17:27. Bimbo insiste que não houve contraposição fundamentada a nenhum ítem crítico.
  • 17:30. Raimundo argumenta que o ODF passou na ISO com SIM com comentários técnicos. Mas ODF não é o assunto do dia.
  • 17:32. Raimundo acha que está sendo razoável. Eugênio argumenta que todos acham que estão sendo razoáveis. E todos riem.
  • 17:34. A mesa pede para chegarmos a um veredito por causa do horário. A ABNT precisa fechar o expediente.
  • 17:37. Discute-se que se não há consenso, deve haver abstenção.
  • 17:41. Corinto conta que Caixa Econômica e Banco do Brasil tiveram que sair para tomar seus vôos.
  • 17:42. Eugênio sai com o pessoal da ABNT para discutir fora da sala. Eles não sabem o que fazer, e não os culpo por isso.
  • 17:44. Raimundo discursa de pé dizendo que a turma do Software Livre não confiava na ABNT e agora estão amigos.
  • 17:45. Eugênio retoma a palavra perguntando ao Raimundo se a Microsoft confia na ABNT. Raimundo diz que sim. Eugênio adiciona então que agora a galera do SL também. Que bom !
  • 17:48. A mesa retoma e exige uma posição. Eugênio relembra que a abstenção não é mais uma opção. É SIM ou NÃO somente.
  • 17:49. Pessoas levantam nervosas. Dizem que a abstenção ser ou não uma opção não é discutível.
  • 17:52. Alguém discursa que a Microsoft pode ser ovacionada por admitir que há erros na especificação e corrigí-los, e que isso é importante.
  • 17:53. Eugênio tenta levar a um NÃO, argumentando que esse trabalho pode continuar, o draft pode ser melhorado pela Microsoft/ECMA, e que isso não é o fim. Conta que disse na ISO em Genebra que é um absurdo darem somente 4 meses para revisarem uma norma de 6000 páginas. E que o processo Fast Track é para normas pequenas, e não dessa magnitude.
  • 17:58. Por falta de tempo, Eugênio diz que terá que analizar as contraposições, que já tem um indicativo do voto, e dispensa todos para tomarem seus vôos. Diz que ele terá a responsabilidade de decidir o voto e que saberemos amanhã. Uma senhora responsabilidade, diga-se de passagem.


Achei que teria acesso à Internet da sala, mas só pude sincronizar na hora do almoço, e a noite quando cheguei em casa, em São Paulo, umas 21:00. Desculpem também qualquer erro de português: o editor do blog foi meu rascunho de anotações para vocês.

Amanhã vou postar mais impressões e opiniões pessoais sobre a reunião.

Lembre-se: o voto do Brasil ainda não está definido. Notícias como a que apareceu no site do PSL e que afirmam um NÃO, são mais especulativas do que verídicas. É importante não cantar vitória antes do tempo.

25 thoughts on “Indefinição Marca Fim da Votação do OOXML na ABNT

  1. Hum…. é no mínimo empolgante acompanhar isso. Deve ter sido realmente curioso estar lá. Vamos aguardar os próximos capítulos desta novela. Parabéns pelo relato, foi muito bacana acompanhar as notícias por aqui!

  2. Essa do “Brod” tava na cara né, depois que a empresa dele fechou um contrato com a Microsoft!!!!

  3. Nossa a coisa tá complicada. Parece até uma partida que passou da prorrogação e foi para os penalts. A Microsoft encheu a sala de participantes que não dizem nada e só estão aí para dizer “SIM SENHOR”? Elas estão fazendo isso em troca de alguma vantagem financeira ou alguma troca de favores?

    Boa sorte aí cara.

  4. Não sei como deixaram um argumento comercial tosco como “quanto mais padrões melhor para a competitividade” aparecer. Mais padrões significa mais tempo gasto com conversões de formatos, ou seja, mais custos. Nem toda empresa tem capacidade ou disposição para ficar gastando tempo e dinheiro para implementar todos os formatos disponíveis em seus softwares.

    Vejamos os exemplos dos arquivos compactados: há dezenas de formatos, uns mais populares que outros. Há formatos abertos, mas também há sharewares. Quando alguém precisa enviar um arquivo compactado, uns usam o .zip, por ser mais popular, enquanto outros preferem usar o .rar, o .ace e por aí vai. O mais comum é a pessoa que recebe o arquivo reclamar que não consegue ler tal formato, porque o software que utiliza não abre. E dá-lhe mais programas instalados (alguns ilegais) por causa disso. Particularmente, utilizo o 7-Zip, mas há alguns formatos que ele não abre, pois são formatos proprietários.

    O certo é todo mundo apoiar os padrões aberto, pois estão disponíveis para qualquer um criar um softare com base neles. Insistir nos padrões fechados (mesmo que o OOXML não seja fechado, mas também não é 100% aberto) é restringir a criação de softwares ao grupo que já está no mercado.

    Com a definição do .odf como padrão único, antigos editores de texto populares, como o WordPerfect, que sumiram do mercado poderiam voltar à ativa, com boa chance de competir com o MS-Word, pois todo mundo teria de adotar o mesmo formato de arquivo. Desta forma, a Corel, a Lotus e outras tantas companhias teriam chances de competir de igual para igual com a Microsoft. Deve-se salientar que há vários programas livres que já adotam o .odf e estão se tornado razoavelmente populares, como o Abiword e o OO-Writer.

    Competição é boa em termos de quantidade de software suportando o mesmo padrão, não em quantidade de padrões, que acaba restringindo a competitividade.

  5. * 17:58. Por falta de tempo, Eugênio diz que terá que analizar as contraposições, que já tem um indicativo do voto, e dispensa todos para tomarem seus vôos. Diz que ele terá a responsabilidade de decidir o voto e que saberemos amanhã. Uma senhora responsabilidade, diga-se de passagem.

    voce tem alguma novidade? obrigado

    Carlos

  6. Cesar Brod registrou sua opinião sobre OOXML antes e depois da votação.

    Eu acho essa questão é muito complicada. Não acho que ele deva ser crucificado nem nada. A comunidade só está espantada com o fato de que ele não teve a postura padrão que todos esperavam.

    De qualquer forma, OOXML é uma oportunidade de mercado, Cesar Brod é um ser muito pensante, e teve seus motivos para votar SIM.

    Seu SIM de forma alguma arranha o respeito que tenho por ele. Talvez o respeite mais ainda pela coragem de tomar uma postura contra a opinião média da comunidade livre do Brasil, que como toda comunidade, tem conteitos pré concebidos, é segregacionista e costuma ser plana por natureza.

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