A expedição mal tinha começado e eu já recebia um baque inesperado e surpreendente numa pequena volta guiada em Longyearbyen, entre o vôo de chegada e o embarque no navio. O guia citou o Banco Mundial de Sementes de Svalbard como a coisa mais normal do mundo. Como se ter a ideia e executar o plano de criar uma espécie de Arca de Noé da genética vegetal planetária fosse tão banal e desimportante quanto fazer o chá da tarde.
Que iniciativa absolutamente genial, importante, estratégica, vital! E claro que depois devorei referências e informações sobre isso.
Concebido, construído e mantido pela Noruega (outro financiador citado é a Fundação Bill & Melinda Gates), trata-se de um enorme armazém escavado 130 metros dentro da rocha. Svalbard foi escolhido como local por não ter atividade sísmica e por ter permafrost (gelo constante) que ajuda a preservar as sementes a -18℃. Mesmo que os sistemas de refrigeração falharem, o permafrost garante que a temperatura do armazém subirá a 0℃ somente após uns 200 anos.
A Noruega não cobra, é gratuito países depositarem sementes no armazém. O objetivo é preservar a biodiversidade agrícola e de plantas do planeta.
Guerras, conflitos, mudanças climáticas e outros problemas podem causar perda de biodiversidade e indisponibilidade de sementes para replantar uma espécie vital para a humanidade. E de fato, em 2015, a 🇸🇾Syria precisou recuperar do armazém de Svalbard algumas sementes. Essa foi a primeira vez que tal emergência aconteceu. E esperamos que nunca mais se repita.
Também no meu Instagram e Facebook.











