RH/entrevistador: “Qual sua pretensão salarial?”
Candidato/entrevistado: “Qual é o seu orçamento/valor aprovado/budget para a vaga?”
É assim que a entrevista deve transcorrer, a partir do número da empresa. Se há uma vaga, há um orçamento aprovado para ela.
Se o candidato fala sua pretensão às cegas, sempre sai perdendo. Se a pretensão for baixa, é só isso que vai receber. Se for muito alta, será eliminado, muitas vezes sem nem saber o motivo.
É o candidato que deve optar por continuar ou não o processo após ouvir o valor aprovado da empresa para a vaga.
O candidato controlar o valor do salário na entrevista pode lhe garantir uns bons 20% a mais de valor inicial. Se o entrevistador controlar, será os mesmos 20%, só que para menos.
É claro que nem todo candidato:
- tem condições de abrir mão de qualquer vaga que apareça, e isso é reflexo muito ruim do mercado de trabalho
- tem estômago para negociar deste jeito, e isso é coisa que as pessoas devem tentar treinar para evitar a possível manipulação por trás da pergunta “qual sua pretensão”
Um “caçador de cabeças” (head hunter) entra na primeira entrevista de um candidato com exatos 2 objetivos: 1️⃣ checar se há bom casamento financeiro entre o candidato e o valor aprovado para a vaga e 2️⃣ captar se o candidato, de uma forma geral e difusa, tem a ver com a empresa e a função da vaga. Este último pode ser previamente sondado pelo perfil publicado da pessoa e será aprofundado mais adiante no processo. Então comprovar compatibilidade financeira é o objetivo mais importante da primeira entrevista. E, por incrível que pareça, isso pode ser resolvido nos primeiros 6 minutos de entrevista, ou no chat antes de qualquer encontro.
Pense: por que o candidato tem que ter um número e revelar, mas o recrutador não? Se há uma vaga, há um orçamento aprovado para ela. E é o candidato que deve decidir se aquilo atende suas expectativas. Não o contrário.
Reescrito a partir de comentários que deixei numa publicação do Márcio Gonçalves no LinkedIn.