Anima Mundi

Ontem fui à abertura do 14° Anima Mundi edição São Paulo, no Memorial da América Latina. É um evento de animação direcionado para os profissionais deste setor e para o puro prazer do público em geral.

Depois dos comentários da diretoria do evento e de alguns patrocinadores, começou uma sessão de curtas de animação de vários paises, e é isso o que mais quero comentar:

Se cinema é a 7ª arte e história em quadrinhos é a 8ª, então animação é a 9ª. O cinema clássico se responsabiliza em registrar a atuação por ângulos que nos fazem chorar. Os quadrinhos criam o cenário, os atores, e deixam os movimentos e dinamismo a cargo da imaginação do leitor. Os animadores invadem nossas emoções criando livremente absolutamente tudo: dos argumentos aos atores, expressões, luz, cores, ângulos, técnicas, computadores, som ambiente, e principalmente movimentos, mas em geral sem usar uma palavra sequer.

Foram rodados 8 curtas ontem. Cada um espetacular em seu domínio. É incrível ver como a cultura humana atingiu esse nível sofisticado de criatividade e poder de criação. Impressionante mesmo. Saimos felizes e inspirados, prontos para ver o resto do festival.

Depois teve um coquetel onde haviam pessoas de todas as tribos, artistas, animadores, patrocinadores etc. A minha empresa era patrocinadora (foi assim que consegui convite) então o pessoal de Relações Comunitárias estava lá em peso, mas além deles só contei 3 pessoas da empresa (eu incluido) que prestigiram o fantástico evento. Fiquei me perguntando como pessoas que receberam o convite podiam te-lo perdido.

Confira os filmes que assistimos:

  • Guide Dog, de Bill Plympton, Estados Unidos. Engraçadíssimo, muito expressivo e um pouco trágico.
  • Mr. Schwartz, Mr. Hazen & Mr. Horlocker, de Stefan Mueller, Alemanha. Linda mistura de computação gráfica na medida certa e lápis de cor, para contar uma estória engraçadíssima de exctasy e farra de vizinhos barulhentos. Foi o que mais gostei.
  • História Trágica com Final Feliz, de Regina Pessoa, Portugal. Sensível, poético e de uma beleza simples.
  • Minuscule, de Thomas Szabo, França. Despretenciosa, engraçada e irreverente animação 3D com efeitos que parecem fotocolagem.
  • Tyger, de Guilherme Marcondes, Brasil. Mistura original de técnicas onde o ambiente criado pela música fez a trama ficar muito interessante.
  • Cafard, de Thomas Léonard, França. 100% computação gráfica em preto e branco que conta uma viagem fantástica pelo metrô, com a companhia de baratas.
  • Apple on a Tree, de Astrid Rieger e Zeljko Vidovic, Alemanha. Menos animação e mais fotocolagem que conta como uma maçã quer experimentar ser humana. Muito pirado e engraçado.
  • Dreams and Desires – Family Ties, de Joanna Quinn, Reino Unido. Usa uma bela técnica de movimentação com lápis de cor que lembra o Dogma 95, mostrando como desenhos podem ser tridimensionais, através da estória de uma senhora que usa uma câmera digital para registrar o casamento desastrado da filha.

Não deixe de ir a uma das sessões que serão rodadas nas salas de cinema da cidade. Um dos que quero assistir é o longa Wood & Stock: Sexo, Orégano e Rock’n’Roll, do Otto Guerra, com os famosos personagens do Angeli.

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