Pré-FISL em São Paulo

Acabei de sair do evento Pré-FISL em São Paulo, organizado pela 4Linux.

Foi ótimo. Com palestras e palestrantes de alta qualidade. Confira:

  • Josh Berkus, do PostreSQL, esclareceu a evolução do projeto e comunidade. Contou que a versão 8.3 do PostreSQL vai suportar DBs de vários terabytes, e que a performance da versão 8.2 atual já é comparável com o MySQL. Contou também que os nichos do PostreSQL e do MySQL são diferentes. O primeiro está focado em grandes bancos, enquanto o MySQL tende a usos exóticos ou a bancos pequenos ou até em RAM. Sobre suporte a XML do PostgreSQL mostrou os primeiros passos, mas explicou que não chegam nem perto do DB2 nesse ponto. Outro gráfico interessante é a relação do custo-benefício comparado a um “banco de dados proprietário” de cor vermelha: 80% do benefício por 15% do custo total de propriedade.
  • Maddog fez uma apresentação de tom idealista sobre thin clients, contando como terminais burros eram usados antigamente e a vida das pessoas era mais fácil. Argumentou que o projeto One Laptop Per Child é bonito mas o que importa não é o hardware e sim a conectividade em todo lugar. Quando questionei que muitas empresas já usam thinclient mas em Windows, e que o que falta é uma abordagem de mudança cultural menos infraestrutural e mais no nível das aplicações (convertendo-as para web ou para padrões abertos), ele disse que é só uma questão de volume. Quero ver… Seja como for, nós adultos também queremos um laptop conectado !
  • Jomar Silva, diretor geral da ODF Alliance Brasil, falou por uns minutos sobre ODF e sua importância para os usuários, empresas e desenvolvedores de aplicações.
  • Cezar Taurion falou pela IBM com uma palestra entitulada “Renascimento 2.0”, onde usou seu raciocínio claro e pragmático para explicar o modelo Open Source, e como ele se encaixa num modelo empresarial. Falou sobre o conceito Long Tail e como ele está relacionado a era do Mundo de Pontas.
  • Kristian Kielhofner falou sobre o Asterisk. Muito interessante. Mas a maior sensação foi seu celular Nokia que suporta SIP. Ou seja, para qualquer contato de sua lista telefônica, ele pode fazer uma ligação normal (por GSM) ou por VoIP, gastando bytes de seu plano IP (mais barato) e economizando minutos de seu plano de voz (mais caro). Segundo ele, os aparelhos Nokia da linha E e N estão anos a frente de qualquer outro fabricante por sua integração com VoIP. Ele consegue rotear seu ramal do trabalho, ou seu telefone de casa para seu celular, não por followme, mas por IP — Nokia é o celular dos geeks. Mostrou também um gadget que parece um isqueiro com porta ethernet: trata-se de um computador com WiFi que tem 256MB de RAM e AstLinux já instalado, boota em segundos com Linux, Asterisk e um firewall, e lhe serve como uma central telefônica portátil para viagens.
  • Amauri Zavatin, da Caixa Econômica, impressionou todos contando como o banco social está aos poucos usando Linux em todos os lugares. Dentro de um ano, todos os terminais dos caixas e ATM serão thin clients Linux. BrOffice.org já está sendo massivamente usado, com ordem da presidência, e há prazo de 6 meses para desinstalar o MS Office. Intranet foi toda redesenvolvida em Java e Zope, e está servindo como piloto para a próxima Internet do banco. Diminuiram em 70% os gastos com impressão porque começaram a controlar seu uso com ferramentas open source. Des-terceirizaram todo o negócio das casas lotéricas (por causa das notícias de corrupção) redesenvolvendo todas as aplicações internamente com Java e Linux, e o projeto saiu por uma fração do que foi previsto. Etc etc etc. Esta palestra serviu como um termômetro do uso de Open Source de forma corporativa, responsável e séria.
  • Louis Suarez-Potts, da Collab.net, fez uma palestra emocionada sobre OpenOffice.org e ODF, convocando mais colaboradores para os diversos projetos atrelados ao OOo. Explicou que pode-se contribuir para a suite em sí, mas também para os subprojetos de marketing, empacotamento, artwork, testes, plugins e extensões.

O evento fechou com um coquetel informal onde reencontrei velhos amigos como o Luiz Blanes e outros.

A casa estava cheia, e espero que o evento se repita ano que vem. Tem tudo para se tornar tradição em São Paulo.

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