Samarqand com Nina

Este relato é parte de uma viagem à Ásia Central que começa aqui.

Ciência Antiga

  • Como o hotel aqui é muito parecido com o de Bokhoro, achamos que iam ser tão chatos quanto eles quanto ao horário do café. Chegamos às 8:50 e vimos uma bela mesa. Nos servimos rápido de frutas, panquecas com queijo, geleias e chá verde. Para nossa surpresa nos esperaram terminar e não tiraram a mesa.
  • No saguão nos esperavam Sacha e Nina, nossa guia. Era uma ucraniana de meia idade, cabelos pretos, olhos e sorriso grandes. Vestia roupas em estilo persa-moderno e apetrechos que combinavam bastante. Veio ao Uzbekistan fazer uma especialização em história da região, trazendo sua paixão pelo assunto, e acabou ficando por aqui. Esse seu lado intelectual somava elegância e veracidade às roupas, e o resultado final era uma mulher doce, atraente e equilibrada.
  • O primeiro lugar que nos levou foi impressionante. Ulug’bek — neto de Timur — foi um rei do século XV que incentivava as ciências e construiu um observatório de estrelas que fomos visitar. Contribui para o desenvolvimento da astronomia e fez medições bastante precisas de tamanho da Terra, distância a estrelas, e duração do ano. Buscava a fusão da fé e do saber. Sua época ofuscou o fanatismo religioso e transformou Samaqand na capital asiática da ciência. Mas foi infelizmente morto pelo filho ciumento e de tendências fanáticas.

Fanatismo Novo

  • Depois passamos pela necrópole onde havia mais mesquitas e túmulos com influência zoroástrica.
  • Ao longo do dia visitamos diversas mesquitas e madrassas. Samarqand tinha realmente porte de capital a julgar pela suntuosidade de suas construções. Nina explicava com bastante propriedade muitos aspectos históricos, geográficos, arquitetônicos, culturais e tradicionais do povo e a relação com a antiga religião zoroástrica que dominava a região antes do islã chegar. Foi nossa melhor guia até agora.
  • Religião lhe interessava muito e contou como muitos peregrinos seguiam sua fé até Samarqand, como uma pequena viagem ao invés de irem a Meca, e beijavam e adoravam elementos sem saber o que significavam ou que não tinham nada a ver com sua religião, como o observatório astronômico de Ulug’bek.
  • Havia falado que gostei de suas roupas então nos levou ao atelier de sua designer favorita. Tati acabou levando uma bela saia toda bordada.
  • Fomos almoçar num bom restaurante na cidade nova. Comemos saladas e conversamos sobre tudo. Queríamos tirar o máximo da cultura e experiências de Nina.
  • Fomos caminhando pela belíssima e arborizada avenida da universidade em direção ao Gur Emir. Vimos os túmulos de Emir Timur, Ulug’bek e outro heróis nacionais. Alguns peregrinos irracionalmente adoravam também aquilo, contou Nina.
  • Na saída, depois de usar o banheiro, pedi a Nina que perguntasse porque cobravam 200 sum para usá-lo se não cuidavam, não limpavam, não havia água e não repunham papel. A resposta da funcionária foi vaga.

Registan

  • Caminhamos por um bairro antigo de ruas apertadas até o Registan Square, ponto máximo de Samarqand. No caminho compramos picolés de valor altíssimo. Com certeza fomos explorados e isso afetou negativamente o resto do dia.
  • O Registan era composto por 3 construções muito suntuosas e bonitas, erguidas entre os séculos XV e XVII. Uma mesquita, uma escola de música e uma madrassa construída por Ulug’bek com inscrições nada religiosas exaltando o saber.
  • Já eram quase 18h e Nina nos acompanhou até o hotel. No caminho vimos um homem fazendo somsas nas paredes de um tandir (forno).
  • Ela contou mais uma história de Khodja Nasredin, esperou o marido chegar, nos despedimos e foi embora.
  • Subimos ao quarto, não fizemos mais nada e dormimos cedo.

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