Rumo a Kashgar via Naryn

Este relato é parte de uma viagem à Ásia Central que começa aqui.

Almoço no Yurt

  • Após uma ótima noite de sono, acordamos dispostos, tomamos café junto com um grupo de Singapura. Esperamos a Natalia e caímos na estrada.
  • Dormimos um bom pedaço da estrada até chegarmos em Koshkor, uma pequena vila onde iríamos almoçar.
  • Chegamos a uma guest house onde haviam vários turistas assistindo uma viva mulher fazendo artesanato com lã.
  • No quintal da casa haviam vários yurts para turistas. Antes visitamos a loja de artesanato onde haviam vários artigos de lã e feltro, provamos vários chapéus típicos, tentei tocar os instrumentos de corda e a Tati acabou levando um camelo de lã para o Thomas.
  • Entramos os quatro para almoçar no yurt. Haviam várias geleias na mesa e o melhor pão da viagem até agora. Provamos também umas frituras com gosto de nada que vimos vendendo por kilo nos bazares.
  • Uma senhora trouxe uma chaleira antiga chamada samovar que mantinha a agua para o chá quente, transferia para uma chaleira menor e de lá servia para cada um.
  • A entrada foi uma salada de cenoura com massa de arroz em formato de tagliarini, temperada com balsâmico e algo mais. Depois veio uma sopa de batata, cenoura e outros legumes com um pouco de carne, temperada com bastante dil. E o prato principal eram legumes cozidos com carne, mas até ele chegar nos empanturramos com tanto pão que só deu pra provar.
  • Ficamos conversando com a Natalia sobre a vida dos jovens, línguas, telecomunicações, e varias outras coisas.
  • Saímos para caminhar na pequena vila, ver os mercadores e tirar umas fotos de pessoas. E caímos na estrada novamente.

Planícies Nuas, Montanhas Bicudas

  • Sempre viajávamos por planícies muito amplas e nuas cercadas por montanhas pontudas por todos os lados. Havia neve no pico de muitas delas. A terra é bastante pobre e rochosa. Pouquíssima gente vivia ali, a agricultura já tinha sido colhida para a chegada do inverno. Agora, só havia feno para colher. A Natalia falou que o povo kyrgyz era tão nômade que tiveram que criar associações locais para ensiná-los técnicas de cultivo e de construção de casas.
  • Víamos muitos grupos de carneiros, cavalos e gado pastando ou sendo levados pelos pastores. É que no começo do outono, com a chegada do frio, eles descem a montanha com seus rebanhos e vêm para lugares mais quentes. Por isso, também vimos na estrada yurts desmontados sendo transportados em caminhões.
  • Diferente de nossas paisagens, os rios evoluíam nus, sem nenhuma vegetação escondendo sua passagem cristalina. Planícies vastas, montanhas ao longe e rios a céu aberto conferiam um tom de paraíso a toda a cena.
  • No fim da tarde chegamos em Naryn, uma cidade um pouco maior que a vila do almoço. Entramos numa guest house chamada Celestial Mountains e iriamos dormir num yurt mas nos deram o quarto da TV onde transformaram 2 sofás em camas, tinha bastante espaço, TV, DVD e vários filmes. Mas a empolgação durou pouco ao vermos que todos os filmes eram piratas e falados em russo. Os chuveiros, privadas e pias eram comunitários mas limpinhos. E haviam muitos outros turistas ali, principalmente holandeses.
  • Umas 18h metemos uns jaquetões pela primeira vez na viagem e fomos caminhar com Natalia pelas ruas de Naryn. Vimos escolas, crianças, prédios de aparamentos em condições ruins, praças, monumentos, casas de chá e vendas. Numa delas comprei um bom picolé por 10 som, menos de 1/3 de dólar. Tive que esquentá-lo no bolso por um tempo antes de abrir porque estava muito duro.
  • Voltamos umas 19h para o alojamento, bem na hora do jantar, e ouvimos outras pessoas já sentadas à mesa. Deram-me uma salada de pepino e tomate no lugar de uma maionese com carne, depois sopa vegetariana no lugar da sopa com carne, e arroz branco simples e puro no lugar do arroz com frango para os outros.
  • A luz piscou, acabou e voltou diversas vezes durante o jantar até que trouxeram velas. E todos se divertiram com isso.
  • Marcamos tomar café às 5:30 no outro dia, e depois do jantar já fomos direto para o quarto para não sair mais.

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