Sonho acordado antes de viajar

Não me interprete mal. É de insônia mesmo.

Vou passar um mês a trabalho nos EUA, viajo sexta, e hoje descobri que meu passaporte vence em dezembro.

Parece OK, mas estão me dizendo que preciso ter passaporte válido por no mínimo 6 meses. Até dezembro são 4.

Então ou eu arrisco e vou com esse mesmo, ou viro minha semana de ponta-cabeça mais uma vez para tirar um passaporte em 2 dias.

Em geral não sou ansioso para viajar. Sou do tipo que faço as malas 20 minutos antes de sair para o aeroporto, chego em cima da hora, não levo a farmácia na bagagem de mão, e na verdade só levo coisas na mão por que vão de carona com o laptop. Viajo light.

Mas essas regras inexplicáveis de governos brasileiro e americano são o fim. E lá sei vai o meu sono…

La Brasserie

Um dos restaurantes que mais gosto de ir é o La Brasserie em São Paulo.

É bonito, tem ótima comida e ótimo atendimento, além de ser pertinho, lá na Rua Bahia. Bom, tudo isso tem seu preço…

Levei a Tatiana, minha excelente companhia intelectual e de sorriso grande, estavamos felizes e falantes.

Focamos nos frutos do mar, então ela escolheu um pinot noir francês, meia garrafa, não lembro o nome. Apesar de eu preferir os vinhos do novo mundo, esse estava ótimo, elegante e perfumado.

Para um jantar a dois, meia garrafa é totalmente suficiente. Se fosse mais, teríamos bebido, íamos sair grogues e bodeados. Mas isso não aconteceu.

Programa gostoso nesses momentos de doce vida.

McDonalds Vegetariano

Fazia anos que não colocava o pé no McDonalds, o templo da carne, a não ser para um sorvetinho. Mas com essa promoção do Shrek 3 que tem o tal do Veggie Crispy, fui arriscar.

O engraçado foi ouvir a moça do caixa dizer que apesar de a loja já estar quase fechando ela ainda tinha a “carne” desse sanduba. Hahaha. Quase virei e fui embora.

É lotado de maionese, no melhor estilo junk food, e o sabor é bem homogêneo e sem graça. Sem imaginação.

A opção vegetariana do Burger King (que só provei nos Estados Unidos) é mais bem temperada.

Imigrante

O Brasil é um país de Imigrantes.

Gente que veio para cá cheio de esperanças em começar uma vida nova, de nações destruidas por preconceito, guerra, ou pela mão escravagista. Trouxeram sua cultura, sabores e música, muita música, para fazer do Brasil a colcha de retalhos colorida que é.

O Memorial do Imigrante em São Paulo revive tudo isso de forma muito emocionante. Na anual Festa do Imigrante, que acontece neste e no próximo final de semana, enche a casa conosco, seus descendentes.

Memorial ontem e hoje

Chorei emocionado, quando ví uma das fotos antigas que mostrava toda aquela população humilde esperando sua vez para oficialmente entrar num país “onde haja muito sol e que se possa correr livremente”, segundo o depoimento de uma romena.

Era como se toda a esperança daqueles imigrantes tivesse saltado da foto, atravessado os tempos e me invadido por inteiro. Foi incontrolável e tocante. Senti a mesma coisa na entrada do pavilhão do Brasil na Expo 98 de Lisboa, onde havia uma foto enorme de um capoeirista.

São Paulo de toda genteDepois desse pranto a exposição teve um tom especial. Eu já era todo emoção e outro momento forte foram os bonecos de pano de tamanho real, vestidos tipicamente e segurando suas bandeiras.

A quantidade enorme de gente que veio prestigiar a festa tratou de liqüidar com a comida da maioria das barracas de comidas típicas das nações. Menos da Itália, que tinha estoques sem fim de canelone, nhoque e pastiere. E a Tati observou que isso era a prova que os italianos sempre cozinham para um batalhão. Coisas de sabedoria irreverente dessa descendente de imigrantes italianos e poloneses.

Haviam também apresentações de danças típicas de diversos países. Tudo muito colorido, marcando cada retalho da colcha. Você descendente ou nativo, não deixe de visitar.

Eu sou brasileiro. Por ironia do destino não nasci no Brasil. Sou imigrante de corpo, porque minha alma sempre foi daqui.

500 Comentários !

Tinha previsto para o fim do ano chegar a 500 comentários no post de Aquecimento Global.

Essa marca foi alcançada hoje, 6 meses antes 😀 . A média é +/- 3.3 comentários por dia ou 22.8 por semana.

Pena que poucos realmente se salvam. Tinha apontado alguns engraçados, mas outros melhores ainda apareceram:

Pelo menos fico feliz em saber que estou contribuindo com vários trabalhos escolares.

O Sorriso do Gato de Alice

Este post é só para mostrar como a Tatiana, minha namorada, escreve bem pacas.

Ela é especialista em direito público, entre outras coisas, e foi para Angola ajudar a organizar o Ministério das Telecomunicações, num projeto de uma ONG sueca.

Este foi um e-mail que ela mandou para todos nós contando suas peripécias, e um apanhado geral sobre esse país que é tão parecido com o Brasil, e sua capital Luanda.

Luanda não é o que eu imaginava. Ou melhor, não é só o que eu imaginava. Tem um quê de Jardineiro Fiel, daquela Africa de National Geographic, com mulheres que são só curvas, vestidas com cores do Gauguin e que carregam alegremente um balde enorme de bananas sobre a cabeça ou o filho amarrado nas costas com um pano florido. Pobreza africana — mas quase nada de miséria, ao menos a vista e ao menos até agora — de esgoto nas ruas, poeira, cartazes escritos à mão e tudo por fazer.

Mas Luanda tem também muito de Portugal e muito de Brasil. Há uma familiaridade em tudo, um pouco como se fosse em casa, um pouco como se fosse Salvador. A arquitetura colonial está lá, assim como as pastelarias com pasteis de nata e Santa Clara e um sotaquinho que lembra Camõesh. E essas caras conhecidas, caras de escravos que foram pro lado de lá, mas que continuam os mesmos como se as placas tectônicas tivessem se descolado 20 minutos atrás, separando as famílias aleatoriamente (isso é por causa do meu livro “tudo o que você sempre quis saber sobre o mundo e ninguém te explicou”, que acaba de falar sobre as placas tectônicas).

Luanda não é Angola. A capital é completamente diferente do interior, pois não sofreu as conseqüências da guerra como o resto do país (os únicos confrontos que chegaram à cidade aconteceram em 1992, a guerra acabou em 2002). Um pouco como no Brasil, Luanda dá a frente ao mar e as costas ao país.

Depois de ter sido comunista, decidiu-se pelo capitalismo selvagem. Há prédios e empreendimentos brotando em todo o lugar. Os carros estão em todos os cantos, todas as frestas, levantando uma poeira danada e mostrando quem manda aqui. Há congestionamentos quilométricos, mais do que a 9 de Julho na hora do rush (como se isso ainda existisse…). Carros enormes, sinal de que o petróleo e os diamantes estão fazendo uma classe de gente bem rica e outras de sub-ricos e subsub-ricos e assim por diante. E todos têm carros, já que o Estado permite a importação de carros usados.

Coisa mais estranha, não há violência, segundo dizem os angolanos. Eles vivem querendo saber a razão pela qual o Brasil — que eles consideram um pouco como irmão — é violento. E eis que eu não sei responder.

Assim como eles, tivemos uma ditadura, depois a ausência do Estado, grande exclusão e desigualdade social, violência histórica e racial, apropriação do público pelo privado, nenhum investimento em educação.

Por que então a nossa sociedade de homens cordiais decidiu dar tão pouco valor à vida?

Gente super gentil, sempre sorridente, incapaz de dizer não. Mesmo. Do tipo: você pede uma reunião e a pessoa diz “poish não, certamente”. Você pergunta se 9 da manhã está bom e vem um novo “maish claro”. Só que ela não disse que na verdade ela só entra no trabalho às 10, ou que amanhã não vem porque vai fazer as tranças do cabelo (essa da trança aconteceu mesmo). Só porque não quer te desagradar, afinal a tal da reunião parece tão importante para você… Então você fica esperando umas duas horas e aí ela chega feliz porque não te contrariou. Tô me identificando pacas.

No trabalho. O Ministério fica em um antigo prédio colonial português a beira-mar. Bonitão. Ficamos no primeiro andar, mas não podemos usar a escada (em madeira antiga escura, com um tapete vermelho) porque ela é reservada para o Ministro. Tem que subir de elevador. Só que o Ministro, quando vem, pega o elevador em vez da escada… Depois conto do nosso exército de Brancaleone aqui, mas eis a moral da história: é tudo uma questão de inteligência emocional.

Poltergeist de hoje: estou eu atravessando a rua (depois de meia hora ensaiando) quando vejo que o carro que parou para eu passar não tem ninguém no volante. Estarrecida com o fato sobrenatural, dou uma olhada apertada no vidro um pouco escurecido. E eis que está lá, boiando sozinho no preto do estofado, um sorriso. O sorriso do gato de Alice…

Cinema Europeu

Cinema europeu, ou não-só-americano, é legal. Os melhores filmes que já vi não são americanos: Excêntrica Família de Antônia, Gato Preto, Gata Branca, O Abraço Partido, Felicidade (que é americano, mas de uma facção alternativa) e outros.

Mas quando vem coisa ruim, é de lascar. É quase arriscado assistir um filme europeu, porque é altíssima a chance de não prestar. Por isso cinema americano-popular dá certo: você vai com certeza pelo menos se divertir, mesmo que o filme não toque o âmago do seu ser.

Outro dia a Tati me levou para assistir A Leste de Bucareste.

  • — Tati, tem certeza que quer assistir esse filme romeno ?
  • — Sim. Você tem que largar mão de só assistir filmes blockbuster.
  • — Bom, é só “para não dizer que não falei das flores”.

Filme ruim de doer, mas o veredito dela foi “ah, bonitinho vai”.

Sabe quando sua sobrinha de 3 anos te dá um rabisco feito com lápis-de-cor? Você pendura na geladeira, mostra pros amigos e tal. É bonitinho porque foi ela quem deu. Mas aquilo não é arte nem nada, afinal ela só tem 3 anos e está aprendendo a manusear lápis.

É a mesma coisa com esses filmes alternativos ruins. Na maioria dos casos, poupe-me, por favor.

Indústria do Medo

Estão instalando aqueles portões duplos no meu prédio, também conhecidos por eclusas ou “jaulinha”, para aumentar a segurança.

Gostaria que alguém me explicasse como uma grade extra evitaria que um ladrão convicto apontasse uma arma, do lado de fora, ameaçando o zelador que está do lado de dentro.

Que me explicasse como evitaria que esse mesmo ladrão entrasse na cola de algum morador, ou pela garagem na cola de um carro do prédio.

E quando vem uma visita num dia de chuva, ao invés do zelador abrir o primeiro portão para que ela espere ser autorizada sob um teto seco, e só aí passar pelo segundo, não, ela tem que esperar do lado de fora, tomando chuva, graças a uma regra sem pé nem cabeça do condomínio.

O mesmo para o entregador do restaurante, que o porteiro já conhece de todos os domingos, mas não deixa subir, obrigando a gente a descer de pijama e pantufas para pegar a pizza que já esfriou com todo esse protocolo.

Na verdade não houve nenhum caso de roubo na minha rua. Parece que tem uns banqueiros ricaços morando aqui perto, e os edifícios são cheios dos seguranças. Além dos da escola que fica no mesmo quarteirão, e os do shopping, um quarteirão prá lá, e os da academia, e os da boutique de sapatos, e os das sinagogas. Isso sem contar que o shopping faz a rua ser supermovimentada por pedestres que vêm e vão a caminho do Metrô Marechal Deodoro.

Instalam essas jaulas feias por uma vontade incontrolável de gastar o dinheiro do condomínio, ou por ignorância, ou por terem comprado a idéia do medo generalizado. Ou porque acreditaram nos argumentos vagos e inexplicados de algum VP do sindicato da habitação que ainda hei de provar que é sócio de uma dessas firmas de segurança.

A maioria dos perigos da cidade estão só na cabeça das pessoas. E quem não tem essas caraminholas vive seguro.

Estúpido meme do medo.

O Efeito Online

Estou usando barba a uns 2 anos.

Mas nesse tempo todo não troquei minhas fotos online, tipo a do MSN Messenger, Orkut, etc. No cyberespaço estou sem barba.

Ai, reencontro pessoas que não me vêem a uns 6 meses (as últimas vezes que me viram ao vivo já estava com barba), mas me dizem que estou diferente, que deixei a barba crescer !!

Isso tem acontecido com muita freqüência.

Conclusão: inconscientemente, as pessoas esperam me enxergar ao vivo com a mesma fisionomia que me vêem online.

Inclusão Digital

Já posso desencarnar feliz porque tenho um blog popular.

Meu post sobre Aquecimento Global é o campeão de audiência com 246 comentários neste exato momento, mas se você for verificar agora, o número já deve ter crescido. Até o final do ano deve facilmente chegar a 400 comentários.

Escrito numa noite mal dormida, de pesadelos, após ter assistido o filme do Al Gore, nunca tinha imaginado que seria tão visitado, e nem por esse tipo de público: a maioria são estudantes fazendo trabalho para a escola.

Uma conhecida que corrige redações de vestibular me disse uma vez que o nível dos textos é muito baixo. Confesso que achei que ela estava exagerando e sendo pessimista demais, mas minha opinião mudou depois do meu post popular.

Veja alguns comentários ali:

E a lista não pára…

A inclusão digital está acontecendo mais rápido do que qualquer outra inclusão.

Aproveitando, meus outros posts populares são o de download de música, o do Google Maps para WordPress, e o do tema do meu blog.

Abraço dos Dois Irmãos

Sol atrás dos Dois IrmãosDescolei umas horas livres no fim da tarde, na praia de Ipanema.

Mergulhei perto do posto 8, no Arpoador. O mar estava pouco agitado mas muito gelado. Brrrrr: águas oceânicas.

O horário de verão terminou final de semana passado, então acho que estamos no outono. Nesta época o sol se põe exatamente atrás do Morro Dois Irmãos, que marca o fim do Leblon e o começo do Vidigal.

Conforme o sol ia baixando, formava dois enormes braços de raios com a sombra do morro no miolo. O efeito era os Dois Irmãos abraçando a cidade. Muito bonito e inspirador. E pelo jeito a cena já serviu de inspiração para outras pessoas.

Centro do mapa
no mapa
Morro Dois Irmãos
no mapa
Posto 8
no mapa
Arpoador

Enquanto assitia aquilo, parado, de pé no calçadão, pessoas passavam por mim. Um rapaz com camisa verde-amarela, andando de costas para o morro, tascou o último naco de seu espetinho-de-gato, e, exatamente em frente a um cesto de lixo grande, laranja e chamativo, lançou o espeto vazio ao ar. O espeto caiu na areia, e o papel que o envolvia foi para a calçada. Ele fez questão de não mirar no cesto !

O que faz um ser humano ter tal atitude? Ô povinho! Acabou com minha contemplação…

Mesmo assim o Rio de Janeiro continua lindo.

Histórias de Muita Coincidência

Entre risadas e caipirinhas de saquê com lichia com amigos no Mestiço, começamos a contar experiências pessoais com coincidências impressionantes.

Algumas delas faria qualquer pessoa simplesmente desacreditar se não tivesse acontecido consigo mesmo. Selecionei algumas para compartilhar:

Estive em Paris este ano e ía para o aeroporto Charles de Gaulle de metrô — aquele tipo de transporte que tem dezenas de vagões num mesmo trêm, e por onde circulam dezenas de milhares de pessoas por dia.

Numa certa estação quem é que entra no meu vagão, bem na minha frente? A única pessoa que conhecia — mesmo que remotamente — morando em Paris: a Denise, colega de trabalho que tinha se mudado para lá.

Eram os últimos respiros da Varig e seus vôos estavam sendo cancelados. Ela também estava indo para lá, levar a filha para tentar tomar o mesmíssimo vôo. Só que no caso delas já era a segunda tentativa de tomá-lo.

Coincidência ou não, ela nos ajudou naquele enorme aeroporto e deu as dicas de com quem falar e qual ônibus tomar para ir ao terminal correto. Talvez sem a ajuda dela teríamos tido problemas.


A Adriana tem alguns irmãos. Certo dia ela estava parada num farol da Av. Rebouças e viu seu irmão Julio parado no mesmo farol, do outro lado da avenida.

A Rebouças é uma das principais avenidas da cidade, com tráfego de algumas dezenas de milhares de carros por dia.

Mas até ai tudo bem. O mais incrível é que naquele mesmo farol fechado, com a Adriana e o Julio parados naquele instante, a Bia — outra irmã — atravessava a avenida.

Qual é a probabilidade de dois irmãos se encontrarem numa avenida como essa? Qual é a probabilidade de três irmãos estarem ao mesmo tempo no mesmo lugar, numa cidade tão grande, e sem terem marcado ?

A noite, em casa, os três confirmaram que se viram naquele cruzamento.


Saí umas 22:00 do trabalho certa vez, e tomei um taxi para ir para casa. Ele passou pela Av. Paulista, que normalmente nesse horário tem muito trânsito.

Qual é a probabilidade de alguém bater o carro na Av. Paulista? Quantos acidentes acontecem alí por dia? Com certeza alguns.

Bem, o taxista foi fazer uma manobra e bateu de leve no carro da frente. Quem saiu cheteada do carro batido para reclamar? A Daniele, uma grande amiga minha. Qual é a probabilidade de um taxi em que você está bater no carro de um conhecido? E no de uma grande amiga então ?

Sua tristeza era maior do que a batida. Tinha perdido o emprego naquele dia, o carro era novo, tirado da loja dois dias antes, e sentia-se sozinha com tanta desgraça acontecendo enquanto esperava o namorado voltar da pós-graduação para consolá-la. Então ajudei ela e o pobre taxista a negociar a funilaria, dispensei o motorista, e ofereci o ombro amigo e companhia, até o namorado voltar. (Hoje ela está bem, empregada, curte boa vida e já trocou de carro várias vezes).


Uma amiga contou que uma conhecida casada viajou para a Europa, conheceu por acaso um homem alí e começou a ter um caso com ele. E voltou para o Brasil e para sua vida normal. Tempos depois o marido no Brasil viajaria para o mesmo país e iria se encontrar com o único amigo que ele tem lá: concidentemente o mesmo homem com quem ela teve um caso.


Fui a uma cafeteria tarde da noite com uma amiga que tem uma mediunidade muito forte, do tipo “I see dead people all the time”.

O lugar estava completamente vazio, e ao sentarmos ela disse que havia um espírito brincando de se esconder e aparecer bem atrás de uma coluna. Naquele momento eu só pensei que o espírito podia ser meu primo Rami. Não sei porque me ocorreu aquilo, visto que ele havia morrido uns 20 anos antes, e era um parente que não visitava com freqüência as minhas lembranças.

Mas não falei nada sobre meu pensamento. Só brinquei com ela pedindo que chamasse o tal espírito para vir conversar conosco, através dela, claro. Eu não tenho o menor problema com essas coisas e acredito muito, desde que seja de fontes que me inspirem confiança.

Ela se recusou, e recomendou deixarmos ele em paz. OK.

Minutos depois ela foi ao banheiro. Quando voltou, sentou, deu um tapinha na mesa e disse: “Seguinte, o nome desse espírito é Rami.”

Meu queixo caiu porque não tinha falado nada para ela (ou seja, não foi induzido) e nós “três” passamos o resto da noite conversando sobre música (Rami era um ótimo músico) e sobre nossa família.

Não é exatamente uma história de coincidência. Mas, telepatia ou mediunidade, é algo bem além da imaginação, e foi sensacional.


Talvez há um propósito para essas coisas acontecerem. Ou talvez não. Mas uma coisa é certa: acontecimentos desse tipo nos fazem pelo menos parar para repensar o mundo. E sim, é ainda uma zona cinzenta e nebulosa para a ciência . . .Leitor, você tem histórias assim para compartilhar ?

Museu Afro-Brasil no Ibirapuera

O Parque Ibirapuera me recebeu de braços abertos ontem para uma rodada de bicicleta. É uma pérola de nossa cidade com aquelas árvores enormes e magestosas e pessoas bonitas praticando esportes.

Dei de frente com o Museu Afro Brasil lá dentro e aproveitei para conferir. É uma exposição permanente, densa e vasta, e muita bonita, com arte e cultura de todo o Brasil. De xilogravuras armoriais típicas do nordeste, ao grafite das grandes cidades do sul. De letras e poesias gravadas nas paredes, a panfletos do encontro nacional das trabalhadoras do sexo de Salvador. De arte e fotografia da cultura do Candomblé, a um horrendo esqueleto de navio negreiro. Este último ficava numa sala a parte, junto de mais fotografias e dizeres de FHC, Castro Alves e outros. Foi muito tocante.

Fiquei impressionado com as enormes fotografias de nativos africanos, suas vestimentas (ou ausência de) e rituais, de uma tal de Isabel Muñoz.

Enquanto andava pela exposição fiquei ouvindo Ulisses Rocha e seu violão solar, que caiu como uma luva para o momento. Sempre cai.

Não deixe de visitar.

Grupo Corpo

O Grupo Corpo esteve em São Paulo com duas coreografias.

A Missa do Orfanato dançava uma missa de Mozart (que não era o Requiem) como pano de fundo. Dançarinos mostraram muita emoção nesse opus n° 1 (primeira obra) da companhia.

Ai teve um intervalo, e depois entraram com o Onqotô.

Pegue uma caixa, coloque o Onqotô, goiabada cascão, caipirinha de maracujá com boa cachaça, biscoito de polvilho, sorvete de bacurí, e doce de abóbora com côco, e você terá um perfeito Kit Brazil Export. Vontade de comer tudo. Talvez o Onqotô sozinho já dê conta do recado, de tão brasileiro que ele é. A voz zen de Caetano Veloso somava à perfeição a dinâmica vigorosa da coreografia. Adorei.

O intervalo era um espetáculo a parte. Muita gente bonita, com ar de descolada e que parecia emanar glamour e cultura. Todos alí prestigiando essa que está entre as mais importantes companhias de dança moderna do mundo. De logo aqui, Minas Gerais.

Nesses espetáculos minha namorada sempre sempre encontra todos seus sócios, e eu nunca nunca vejo pessoas da minha empresa.

♫ É só isso… ♫

O PCC me ligou !

Semana passada recebi uma ligação a cobrar em casa, cuja conversa foi esta:

  • — Chamada a cobrar. Para aceitar, continue….
  • — Sim, pois não !?
  • — Oi. Desculpe ligar a cobrar, mas aconteceu um acidente e não achei os documentos de um ferido. Ela tinha este celular e estou ligando para o primeiro número da agenda. Há alguém fora de casa que possa estar envolvido neste acidente ?
  • — Como assim ?
  • — Poizé…. Mas qual é o carro do parente que está fora de casa ?

Achei estranhíssimo, mas fui dando corda:

  • — É um Astra.
  • — Confere. E qual é a cor ?
  • — Você não está ai no acidente? Me diga você qual é a cor !
  • — É prata.
  • — Não. Não é essa cor.
  • — Espere! Tem vários outros! Tem um Corolla bordô, uma Pajero, etc. Algum desses pode ser ?
  • — Olha companheiro, isso tá me cheirando a trote. Tchau.

Desliguei achando que era alguém querendo vender coisas por caminhos ilícitos.

Mais tarde, contei isso para algumas pessoas e me disseram se tratar de presidiários ligando, tentando assustar as pessoas e assim obter informações sobre elas, que depois seriam usadas para chantagear com falsos seqüestros. Descobri também que esses trotes são bem comuns.

Dias depois, a secretária eletrônica registrou este trote (contém palavrões), que eliminou qualquer dúvida.

Anima Mundi

Ontem fui à abertura do 14° Anima Mundi edição São Paulo, no Memorial da América Latina. É um evento de animação direcionado para os profissionais deste setor e para o puro prazer do público em geral.

Depois dos comentários da diretoria do evento e de alguns patrocinadores, começou uma sessão de curtas de animação de vários paises, e é isso o que mais quero comentar:

Se cinema é a 7ª arte e história em quadrinhos é a 8ª, então animação é a 9ª. O cinema clássico se responsabiliza em registrar a atuação por ângulos que nos fazem chorar. Os quadrinhos criam o cenário, os atores, e deixam os movimentos e dinamismo a cargo da imaginação do leitor. Os animadores invadem nossas emoções criando livremente absolutamente tudo: dos argumentos aos atores, expressões, luz, cores, ângulos, técnicas, computadores, som ambiente, e principalmente movimentos, mas em geral sem usar uma palavra sequer.

Foram rodados 8 curtas ontem. Cada um espetacular em seu domínio. É incrível ver como a cultura humana atingiu esse nível sofisticado de criatividade e poder de criação. Impressionante mesmo. Saimos felizes e inspirados, prontos para ver o resto do festival.

Depois teve um coquetel onde haviam pessoas de todas as tribos, artistas, animadores, patrocinadores etc. A minha empresa era patrocinadora (foi assim que consegui convite) então o pessoal de Relações Comunitárias estava lá em peso, mas além deles só contei 3 pessoas da empresa (eu incluido) que prestigiram o fantástico evento. Fiquei me perguntando como pessoas que receberam o convite podiam te-lo perdido.

Confira os filmes que assistimos:

  • Guide Dog, de Bill Plympton, Estados Unidos. Engraçadíssimo, muito expressivo e um pouco trágico.
  • Mr. Schwartz, Mr. Hazen & Mr. Horlocker, de Stefan Mueller, Alemanha. Linda mistura de computação gráfica na medida certa e lápis de cor, para contar uma estória engraçadíssima de exctasy e farra de vizinhos barulhentos. Foi o que mais gostei.
  • História Trágica com Final Feliz, de Regina Pessoa, Portugal. Sensível, poético e de uma beleza simples.
  • Minuscule, de Thomas Szabo, França. Despretenciosa, engraçada e irreverente animação 3D com efeitos que parecem fotocolagem.
  • Tyger, de Guilherme Marcondes, Brasil. Mistura original de técnicas onde o ambiente criado pela música fez a trama ficar muito interessante.
  • Cafard, de Thomas Léonard, França. 100% computação gráfica em preto e branco que conta uma viagem fantástica pelo metrô, com a companhia de baratas.
  • Apple on a Tree, de Astrid Rieger e Zeljko Vidovic, Alemanha. Menos animação e mais fotocolagem que conta como uma maçã quer experimentar ser humana. Muito pirado e engraçado.
  • Dreams and Desires – Family Ties, de Joanna Quinn, Reino Unido. Usa uma bela técnica de movimentação com lápis de cor que lembra o Dogma 95, mostrando como desenhos podem ser tridimensionais, através da estória de uma senhora que usa uma câmera digital para registrar o casamento desastrado da filha.

Não deixe de ir a uma das sessões que serão rodadas nas salas de cinema da cidade. Um dos que quero assistir é o longa Wood & Stock: Sexo, Orégano e Rock’n’Roll, do Otto Guerra, com os famosos personagens do Angeli.

Perdi meu laptop !

Peguei um vôo da Gol p/ Salvador ontem, para fazer uma apresentação num evento da Novell e Officer que iam fazer lá. Salvador era a escala – o vôo seguia para Maceió depois.

Poizé…. sequei a bateria do meu laptop durante o vôo, trabalhando no Elektra, que é um de meus projetos open source. Ai fechei-o e ele encaixou direitinho e por inteiro naquela parte que serve para guardar revistas, na poltrona da frente.

Pousei, peguei minha mochila, entrei no taxi, e viajei até o hotel por uma 1/2 hora. Fiz check-in, decidi onde ia jantar depois, e subi no quarto para largar o laptop carregando.

Quando abri a mochila, cadê meu laptop !?

Eu que sou mór neurótico com essas coisas de não esquecer nada, larguei o bixo na poltrona do vôo que ia seguir pra Maceió, que a essas alturas, já devia estar chegando lá.

Xinguei injustamente Deus e o mundo, contei até 10 e liguei pro aeroporto. Depois de umas transferências de ramal, alguém da Gol me atendeu:

  • — Me ajuda! Esqueci uma coisa muito importante no avião que acabou de chegar de São Paulo
  • — Vixi Maria! E foi o que, minino!?
  • — Foi um laptop !
  • — Ôxe, tá aqui, já acharam.
  • — Jura!? Não foi pra Maceió ?
  • — Foi não. Ma tu tem que vir aqui pégá-lo, viste !?
  • — É pra já !

Gastei mais 1 hora e R$60 de taxi ida e volta viajando até o aeroporto para pega-lo, e me devolveram-no embrulhado em plástico bolha e tal.

Ufa… Voltei morrendo de fome, e fui direto a um japonês traçar um sushi.

Parabéns ao pessoal da Gol e do aeroporto de Salvador. Salvou minha apresentação no evento, que foi um sucesso.

Uma Droga de Noite em São Paulo

É incrível como os serviços em São Paulo estão piorando. Vivi a péssima noite relatada aqui, em novembro de 2002. No final fiquei injuriado com o mal atendimento dos bares, e como é difícil sair na cidade gastando pouco. Tudo isso acompanhado de muito trânsito, ruas esburacadas e dificuldade para estacionar.

Queriamos, minha namorada e eu, numa quarta a noite, tomar um açaí na tigela e pegar um cineminha. O programa só podia começar depois das 8:00 da noite porque era nosso dia de rodízio. Então para não ficar muito tarde, decidimos ficar só com o açaí mesmo. Não devíamos ter saido de casa….

B&B Açaí

Endereço: Av. Dr. Arnaldo, esquina com Cardoso de Almeida

Fomos para o B&B porque era o único lugar longe da muvuca que fazia açaí, e era perto de casa. O estacionamento em frente estava ocupado com árvores de natal que estavam a venda, e tivemos que dar a maior volta para estacionar numa ruazinha perto. Sentamos e esperamos bastante para sermos atendidos. O garçom nada simpático disse que estavam batendo açaí com morango e banana, e já saimos pedindo um de morango, grande para dividir. Depois de uma boa demora assoviei pro garçom, e ele:

  • — É… demora um pouco mesmo….

O sangue começou a subir. Demorou mais um pouco e lá veio descendo o açaí. Só que de banana. Reclamamos, e o garçom:

  • — Quer que troque?
  • — Só se for rápido, se não demorar como esse aí.

Prá variar, foi demorando, e o sangue subindo mais ainda. O lugar não estava cheio nem vazio, mas os 2 garçons não davam conta. Era amplo e gastavam tempo se locomovendo.

Ouvi a sineta da cozinha, olhei e parecia nosso novo açaí no balcão. Os garçons, nada. Sineta de novo. Garçons nada.

Não tem coisa mais horrível que açaí derretido na tigela. Eu gosto dele consistente, quase como sorvete. Nada de cara de milk-shake.

Sineta de novo, e nada. Meia hora depois que chegamos no bar eu levantei, puxei a Lu e apitei pro garçom:

  • — Aí, cumpanheiro, desistimos. Tchau.

Confraria Queijo e Vinho

Endereço: Av. Dr. Arnaldo, quase sobre a ponte da Sumaré

  • — Lu, vamos a pé mesmo atravessar a rua e ver aquele barzinho que sempre tive vontade de conhecer – disse prá Lu, saindo do B&B.

Chegamos na Confraria, que de dia é uma loja de queijos, vinhos e coisas gostosamente finas. Subimos a escada. Alguns casais mais velhos, e um voz-e-violão na parte interna. O garçom nos levou até uma mesa boa, e antes de sentar perguntei:

  • — Tem couver artístico?
  • — Tem.
  • — Quanto?
  • — R$15 por pessoa.
  • — Pô cumpanheiro, muito caro, pô!
  • — Caro nada. Cê pode ficar 10 horas ouvindo música!

Nem sentamos, e sumimos dalí. Brinquei com a Lu que nenhum músico ia ficar 10 horas tocando, mesmo com intervalos, e nem a gente ia conseguir ficar alí para tirar a prova. Arrematei lembrando que no Bom Motivo ouve-se o melhor voz-e-violão do mundo na faixa no meio da semana. Só que o Bom Motivo era muita badalação praquela noite.

TETA Jazz Bar

Endereço: Uma das esquinas da Cardeal Arcoverde em frente ao cemitério

Descemos a Cardeal e avistamos o TETA. Gostei do nome: vanguardista e transgressor. E mais ainda do sobrenome: “Jazz”. Entramos sendo os primeiros clientes da noite (lá pelas 10:00).

  • — Toca Jazz?
  • — Tem. Tem som ao vivo.
  • — Mas é Jazz?
  • — É – respondeu sem firmeza.
  • — Quanto é o couver?
  • — R$5

Estava promissor. Fomos falar com os músicos, que estavam afinando.

  • — É Jazz ou não é?
  • — É Jazz, MPB, e tal. Ela aí canta.
  • — Mas toca com técnica? – perguntei só para me enturmar, porque pela pinta, os caras sabiam o que estavam falando. Pareciam firmeza.

Antes de sentar, vimos o cardápio: só traçados engordurados e caríssimos. Embrulhou nosso estômago faminto por um saudável açaí. Além de que a noite ia ter que terminar cedo, e eles ainda não estavam começando o som. Nesse aí eu venho noutra ocasião.

CPI Burger

Endereço: Aspicuelta com Harmonia

A Lu insistiu em irmos para a Vila Madalena. OK Lu, você venceu. Depois de pastar muito para estacionar, o faro do açaí nos levou ao CPI, que exibia uma enorme faixa: AÇAÍ NA TIGELA.

  • — Tem açaí, cumpanheiro? – perguntei sentando.
  • — Ixi! Não tem não. Pedimos desde as 5 da tarde e o cara ainda não mandou.

Que saco! Cansados ficamos alí mesmo e pronto. Como estávamos no coração da Vila, qualquer barzinho que se preze tinha que ser no mínimo bom. O CPI não se prezava, mas ainda não sabiamos disso.

  • — Tem Xingú? Tem Pepsi Twist? Que queijo vai no sanduba natural?
  • — Peraí queu vou ver. – respondia o garçom, uma vez para cada pergunta nossa, com cara de “estou começando hoje”, saindo para averiguar com o chefe.

Depois de algumas horas de confecção do pedido, com direito a muito vai-e-vem do garçom, chegam as bebidas:

  • — Xi…. Eu queria gelo e limão prá minha coca – eu disse.

O garçom sumiu com o copo, demorou, demorou, demorou, até eu assobiar. Fez cara de “opa! já vou”, e não veio. Chamei de novo e perguntei:

  • — E aí, meu? O cara foi catar o limão no pé?
  • — Não… é que ele foi buscar.
  • — Buscar? E você nem prá me avisar que ia demorar, pô! Tráz só o gelo mesmo.

Veio o copo com gelo na mesma viagem da batata frita, que estava completamente mole.

Conselho para donos de barzinho: batata frita tem que ser sequinha e crocante, e um creme por dentro. E mandióca tem que ser sequinha e macia. Nada de mandióca congelada pré-semi-frita. Do contrário, freguês não volta mais.

Reclamamos da batata, e o garçom saiu saindo, como se não tivesse ouvido.

  • — Lu, quer trocar essa batata?

A Lu respondeu positivamente, fazendo careta, e sem emitir nenhum som. Assobiei.

  • — Mas e aí? Vai fazer alguma coisa sobre essa batata? – disse já impaciente.
  • — Por que? Não tá boa?
  • — Tá horrivelmente mole, pô!

O garçom levou-a e trouxe outra menos mole, e mais queimada. Saco!

Aí desceram o X-Salada da Lu e o meu sanduba natural com queijo mineiro, que repetidas vezes o garçom insistiu em dizer – sem eu perguntar – que era feito com pão integral. Era nada. O pão era daqueles que se você testa a maciez ainda na embalagem, não leva. A Lu testou-o com as mãos, e fez outra careta. Mais um detalhe: estava velho.

Fui temperando-o com catchup e mostarda, que eram da pior qualidade. O X da Lu estava gostosinho, segundo ela.

Depois de tragado o quase-intragável o garçom apareceu:

  • — Tá tudo certo?
  • — O pão não era integral?
  • — Mas é integral, light.
  • — Num é não! – dissemos Lu e eu em coro.

O garçom insistiu por muito tempo nisso, mas não parecia estar mentindo. Acho que era por ingenuidade mesmo. Aí arrematei já com o sangue fervendo:

  • — E ó: tava tudo ruim. O pão, a batata, limão e tal.
  • — Bom, desculpaí. Peço desculpas. É queu sou só funcionário, não posso fazer nada. – respondeu, com a máxima da noite.

Conselho para garçom de barzinho: nunca diga que a culpa não é sua, pois para o freguês você é o estabelecimento, além de que tirar o corpo fora é uma atitude de cão.

Pagamos a conta de R$14.50, que veio escrita a mão, sem incluir o serviço, num papel engordurado. Pelo menos numa coisa acertaram: não iamos pagar o serviço mesmo.

E falando em serviço, São Paulo parece já não ser mais a mesma. Voltando para casa e rindo sobre as desgraças da noite, falamos que para sermos bem atendidos temos que pagar caro, muito caro. Mas pô, será que estou pedindo muito? Ou será que demos muito azar mesmo?

Aposto que você também, caro leitor, tem alguma história parecida com essa….

Desventuras no Condomínio

Como esta história causou muita repercussão entre meus amigos. E como todos quiseram ouvir mais detalhes, resolvi publica-la na íntegra na Internet.

Certo dia recebi esta carta formal de meu condomínio:

Do
CONDOMINIO EDIFICIO DONA TUDINHA SALLES
Ao
Sr. Avi Alkalay

Prezado Senhor:

Gostaríamos de comunicar-lhe que foram inúmeras as reclamações que recebemos, devido ao barulho advindo de seu apartamento, até por volta das 3 horas da manhã desta segunda-feira.
Não bastasse a rotina (sempre após as 22h quando já vigora o horário de silêncio) , de sua secretária eletrônica, que é ligada em alto volume para que o Sr. tome conhecimento de seus recados, e de suas constantes invocações a Deus, seu encontro amoroso deste final de semana extrapolou, em muito, o bom senso, o que causou indignação àqueles que residem mais próximo, incluindo aí, pessoas idosas e pais de crianças que foram acordadas com tanto “ruído”!.
Sabedores que somos de sua vontade de colaborar para o bom andamento do condomínio, solicitamos que haja mais ponderação por parte de V.Sa. para que incidentes desta natureza não voltem a ocorrer e, desta forma, retorne o clima de boa vizinhança.
Na certeza de suas providências, agradecemos.

Atenciosamente_____________________
Síndica

E minha resposta

Excelentíssima Sra. Síndica,
Excelentíssimos Srs. reclamantes do outro apartamento,

Gostaria de ter a oportunidade de me explicar perante a surreal carta que recebi.Minha secretária eletrônica fica no quarto de fundo, onde não há nenhuma janela, e a casa é toda acarpetada (o que abafa muito o som), e isso me leva a crer que para que seja ouvida em outro andar, o som para mim deveria ser ensurdecedor, o que não acontece.
Quanto aos meus “encontros amorosos”, entendo que isso não deva interessar a absolutamente ninguém. Não me agrada saber que este assunto seja comentado entre funcionários e outros moradores do prédio. Mesmo assim, posso garantir que acontecem em tons de doces sussurros, e não incomodariam quem estivesse no quarto ao lado.
Quanto as minhas invocações a Deus, sou membro de uma seita neo-illimânica que estipula uma diretriz para faze-lo em alto e bom som, para que a energia possa chegar as alturas e alcançar os ouvidos do Todo Poderoso. Estarei repensando outras técnicas de faze-lo sem incomodar os que estão geograficamente próximos a mim.
Quanto a música que ouço, tento faz-lo sempre que estou em casa. Não posso evitar, pois a música é cor, é a minha vida. Mas novamente estarei ciente para faze-lo num volume inversamente proporcional ao horário.
Quanto a outros “ruídos”, sou uma pessoa muito ativa, participante de diversas frentes de trabalhos e pesquisas avançadas. As idéias jorram em horários inesperados, e isto causa movimentação. Não posso evitar de pensar alto e caminhar em minha própria casa.

Vale lembrar que várias vezes recebi reclamações interfônicas sobre ruidos que não eram meus. Num deles estava tomando banho, com o som desligado. Num outro já estava dormindo, e fui obrigado a acordar para atender o interfone.

Fecho pedindo mil perdões por quaisquer incomodos que causei, e levando a certeza que as próximas reclamaçõees – se houverem – serão bem embasadas, lúcidas, respeitosas, e principalmente de bom senso, garantindo o excelentíssimo relacionamento entre todos nós.

Aberto para qualquer conversa,

_______________________________
Avi Alkalay, ap. 114
8/04/2001

OBS: Favor enviar cópia aos reclamantes

E a história começou a gerar interesse pela seita Neo-Illimânica…