Dia Livre em Khiva

Este relato é parte de uma viagem à Ásia Central que começa aqui.

Quem Não Se Comunica Não Almoça Nem Dança

  • Perdemos o café felizes porque dormimos até tarde. Mas deram um jeito para nos servir umas 11:15. A Tati queria ver mais algumas coisas em Khiva e lá fomos nós.
  • Certa hora deu fome e fomos conhecer o bazar que ficava na parte de fora da cidade. Já tinham desmontado tudo mas vimos um lugar simplório que tinha um placa indicando ser uma casa de chá. Não era um lugar nem uma zona turística.
  • Havia uma moça extremamente bonita parada na porta e fomos entrando. Não havia ninguém comendo provavelmente por causa do horário. Quebramos os dentes para nos comunicar num esforço hercúleo de ambas as partes, até que a dona entendeu que queríamos ver o que ela tinha na cozinha. “Salat”, “nan” e “tchai” foram as únicas palavras que ambos entendemos. O resto que ela mostrou não nos interessou. Então acabamos comendo um pão caseiro bem bom, salada de tomate com cebola e coentro e chá verde.
  • Enquanto comíamos eles não paravam de nos olhar e coxixar de longe. Certa altura chamei alguém e vieram todos, a família toda com todas as crianças. Pedi que sentassem, principalmente a menina da porta que tinha realmente uma beleza e sorriso surpreendentes.
  • Nos divertimos tentando nos comunicar mas foi extremamente difícil. Com ajuda de papel e caneta descobrimos o nome e idade de cada um. A menina bonita parecia estar nos convidando para jantar em sua casa, mas foi tão confuso que pareceu improvável. Então tiramos um monte de fotos, e descobrimos que não eram uma família e que as duas moças só trabalhavam lá.
  • Nessas alturas a dona estava bêbada, começou a falar sem parar, não entendemos nada e para fechar a matraca dela pagamos com a mesma moeda: comecei a falar coisas aleatórias em português. Funcionou.
  • Cena surreal: meteram uma música e nos chamaram para dançar. Uma menininha tirou um monte de fotos.
  • A dona estava bem bêbada e ficava tentando agarrar todo mundo (Tati e Avi) falando “i love you”.
  • Começamos o ritual de despedidas e as moças pediram para que lhes enviássemos as fotos. Estiquei uma caneta e falei as palavras mágicas “e-mail” e “internet”. Elas disseram calmamente “no no, no internet”. Fiquei alguns segundos perdido pensando como iria enfrentar esse desafio enquanto elas escreviam seu endereço num papel. Fiquei mais calmo quando lembrei que existia uma coisa chamada correio físico e agora só faltava descobrir como usá-lo.
  • A conta saiu 1000 sum o que nos revelou o verdadeiro Uzbekistan — literalmente de 5 a 10 vezes mais barato comparado ao já barato circuito turístico.

Outras Aventuras em Khiva

  • Fomos nos aventurar por partes mais externas da cidade e descobrimos uma tal academia de ciências, mas o homem na porta ou não nos deixou entrar ou disse que estava fechado, ou não foi com nossa cara.
  • Voltamos para a muralha e achamos uma rampa para subir nela. Vimos a cidade do alto quando o sol já estava mais baixo.
  • Atravessamos para voltar ao hotel e no caminho tentamos descarregar a câmera para um CD. Cobraram 5000 sum, mais caro que a turística Jerusalém. Não topamos.

Jantar em Khiva

  • No hotel tomamos banho e esperamos a fome bater enquanto relembrávamos o dia. E ela bateu violentamente, o que nos arrancou do quarto em direção ao Farouk, restaurante bonitinho e a céu aberto que tínhamos visto de dia.
  • Não havia praticamente ninguém às 20:00 e começou o ritual de explicar que não comia carne e selecionar as opções. Mandamos ver uma salada oleosa mas boa de beringela, pão fresco, 2 tigelas de lakhman (lámen) e umas fatias de melancia. O lakhman estava bom, mas o serviço não: traziam só 1 guardanapo que tínhamos que dividir e precisei ir até a cozinha para conseguir sal e pedir a conta. Saiu 10100 sum incluindo o serviço, valor que tínhamos aprendido ser altíssimo para o interior do país.
  • Voltamos ao hotel, usamos o computador para transferir fotos para o pen drive da Tati. Internet nem pensar, era por linha discada, 33.6kbps, e não estava conectando. E fomos dormir.

Khiva com Timur

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Sacha e o Caminho de Khiva

  • Acordamos às 5h, fechamos as malas, comemos pouco, rápido e praticamente de pé e nos encontramos com o Sergey às 5:35.
  • Levou-nos ao aeroporto que era num prédio diferente e mais moderno que e o internacional.
  • Fizemos check in observando muitas pessoas tentando furar fila. O cartão de embarque era escrito a mão. Depois do raio-X respiramos o ar pesado da sala de espera devido aos fumante ansiosos que haviam lá.
  • A Tati cochilou no vôo, e eu não.
  • Urgench parecia um aeroporto desolado e saímos do avião a pé direto para o estacionamento de carros. As malas são entregues ali mesmo diretamente do carrinho que vinha do avião.
  • Encontramos o Sacha, nosso motorista de feições russas e dentes de ouro (só os 2 de baixo, e os outro era muito estragados) para os próximos dias. Seu inglês nota 3.5 não intimidava sua comunicação e falava sem parar. Era engraçado.
  • Tentei dormir um pouco esticado na van durante os 30km para Khiva, sem sucesso.
  • O hotel Malika (que significa rainha em uzbek, mas a Tatiana ficava fazendo trocadilhos do tipo “malika sem alçika”) ficava em frente a entrada da muralha da cidade antiga. Na recepção encontramos Timur, nosso jovem guia de 23 anos, com quem combinamos adiar para as 13h o passeio, para tentarmos dormir um pouco. Era 9:30.
  • Antes entramos pelo muro na cidade velha para um chá. Encontramos o Sacha no bar que pediu um café na nossa mesa e não pagou (provavelmente ficou escondido na nossa conta). Então tentou nos convencer em almoçar mais tarde nesse restaurante, tanto que pareceu que iria tirar vantagem. De qualquer forma era muito cedo para pensar nisso, não topamos e voltamos para o hotel.
  • Tati chapou, eu não. Só fiquei com dor de cabeça.

Timur e sua Khiva Khorezm

  • Às 13h nos encontramos com Timur no saguão e fomos caminhando até um restaurante que a Tati viu no guia (Zarafshan). Era aconchegante e sentamos num tipo de cama gigante com uma mezinha mais alta no meio. Timur nos ajudou com o cardápio, pedi 3 saladas e a Tati mandou ver um manti que parece um guioza no vapor.
  • Timur disse que já tinha comido mas comeu também. Tudo bem, porque foi bombardeado por perguntas sócio-político-étnico-econômico-religiosas e foi uma conversa legal. A conta deu uns 9500 sum.
  • Começamos então um longo city tour a pé, que durou 5 horas de longa conversa e histórias de Timur. Percorremos os principais monumentos e pequenas ruas empoeiradas e marrons de Khiva. O monumentos eram decorados com azulejos azuis (alma), verdes (islã) e brancos (paz).
  • Um lugar interessante foi a mesquita Juma Masjid com seus muitos pilares de madeira trabalhada. Um deles foi feito na Índia como premio pela vitória de um “Hércules” khorezm no campeonato mundial de luta. Continha divindades indianas escondidas em seus detalhes. Os Khorezm são uma minoria que vivem nessa região. Quando a Rússia definiu as fronteiras, seu território ficou dividido entre o Uzbekistan e o Turkmenistan.
  • Nesse lugar conversamos sobre religião e contei emocionado sobre o episódio da reza no deserto da Jordânia.
  • Em algum lugar Timur mostrou um poço de água a moda antiga. Pode-se encontrá-los em várias partes da cidade e essa água subterrânea é o que deu origem a Khiva. Ele puxou um balde de água que era limpíssima e bem fria. Eu a provei e tinha gosto mineral.
  • Às 17h fomos assistir um show khorezm típico numa casa de chá. Eu dancei junto e foi muito interessante.
  • Uma menina que tocava acordeon no grupo era lindíssima e perguntamos sobre ela ao Timur, por que não namorava ela etc. Ele contou que ser músico em Khiva era um tipo de subemprego, a posição social dela era complicada e isso dificultava as coisas.
  • Compramos ali umas sedas artesanais feitas a mão, depois da tradicional pechincha. E no caminho para o hotel Timur nos levou para outras lojas onde havia CDs e VCDs de dança. Não compramos mais nada.

Jantar com Intercâmbio Cultural Portátil e Digital

  • Num Bed-and-Breakfast perto da saída da cidade Timur combinou um jantar para nós pois era alto e tinha vista. Iríamos voltar lá às 20:30.
  • Acompanhou-nos até o hotel, cochilamos forte no quarto e tomamos um banho de pouca água, o que nos atrasou para o encontro com Timur às 20:20 no saguão.
  • Chegamos no restaurante atrasados e o proprietário reclamou! Serviram as saladas, um pão não fresco, uns pasteis de carne e de batata que tinham sido fritos horas atrás, chá, água e amendoim doce, uvas passa, peras e maçãs para sobremesa por 5000 sum por pessoa. Timur, nosso guia simpático, disse que só ia nos acompanhar mas filou novamente. Cobraram 10000 sum como que só para 2 pessoas.
  • Ao longo do dia fizemos um intercâmbio turístico, histórico e cultural. Mas agora era hora do intercâmbio digital. Bluetooth ativado em nossos Nokias e lá estávamos a trocar MP3s de nossos países. Timur recebeu Sa Grama, Pau Brasil, Titane, João Gilberto, Sa & Guarabyra e Paco de Lucia. Faltou Ulisses Rocha, Zé da Velha e outros mas ele não tinha mais memória. E eu recebi alguns MP3 khorezm e fotos. É assim que tecnologia derruba fronteiras.
  • Voltamos felizes para o hotel e dormimos profundamente até às 10:30 do dia seguinte.

Tashkent Turística

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  • Acordamos umas 7:00.
  • O café no hotel tinha pães típicos um pouco secos, peras, maçãs, frutas secas, tomate e pepino frescos, um queijo branco e outro amarelo que eram bastante mixurucas, frios, uvas, sucos de maçã e outra fruta que não soubemos identificar mas que tinham um sabor diferente e bom, cereais simples, leite, iogurte, coisas que estavam entre compotas e geléias de diversas frutas, croquetes fritos de frango e carne, panquequinhas recheadas de carne, arroz cozido no leite que não era doce e rabanada que também não era doce. Haviam ovos expostos provavelmente indicando que poderiam ser requisitados. O café em si era dissolvido em água quente mas havia uma máquina de expresso lá. Foi uma refeição suficientemente boa.
  • Vimos o carro do Sergey lá fora e fomos atrás dele. Aí apareceu a Natascha, nossa guia, e nos cumprimentou. Seu inglês era compatível com o nosso. Ela era filha de russos mas nasceu e viveu em Tashkent a vida toda.
  • Levaram-nos primeiro a um belo jardim chamado Victory Park na beira do rio Bozsu, de águas verdes e rápidas. Havia um memorial à independência de 1991 e um museuzinho que não entramos.
  • Obviamente bombardeamos ela com perguntas sócio-político-étnico-econômico-religiosas, e perguntamos como soa a língua uzbek. Ela foi atrás de umas senhoras com traços mais ou menos tártaros que passeavam por lá e pediu para abrirem a boca. E elas falaram frases simples mostrando seus inúmeros dentes de ouro. Foi o momento mais alto do dia até aquela hora.
  • Perto do jardim ficava a monumental antena de TV cuja arquitetura continha um tripé de tamanho colossal. Parecia um míssil pronto para ser lançado.
  • Depois fomos a um monumento tocante no epicentro do terremoto de 1966 que consistia do chão rachado e uma família parando o terremoto com um gesto sereno. Escultura monumental stalinista, mas bela.
  • Atravessamos um rio que era a divisa entre a cidade nova onde estávamos, e a velha, para onde íamos.

Tashkent Antiga e o Primeiro Corão

  • Fomos a um complexo de edifícios renovados de arquitetura islâmica típica do Uzbekistan. Fica na parte antiga da cidade, pois Tashkent sempre foi um lugar de passagem e troca de mercadorias. Além das ruas labirínticas de terra batida do século XVI, visitamos a madrassa e mesquita renovadas após a independência (e a retomada da fé islâmica).
  • Um dos edifícios continha exposto a Corão mais antigo que existe, escrito poucos anos após a morte de Maomé. Trata-se de um livro enorme com páginas papel de seda de ± 1m². Cada página continha umas poucas frases escritas em caligrafia grossa, grande e bem espaçada. Era proibido fotografar e tivemos que tirar os sapatos para chegar perto.
  • Andamos pelo bairro antigo, onde todas as casas são cercadas por grandes muros para que o pessoal de fora não soubesse a situação econômica de seu dono. Cada casa esconde um pequeno quintal com árvores frutíferas que pode revelar uma pequena jóia.
  • Natascha contou sobre os rituais de casamento, a proteção dos mais velhos, a mudança dos tempos e o fim do comunismo.

Bazar, Almoço e Outros Pontos Turísticos

  • Fomos para o bazar que parece a Feira do Ver o Peso de Belém. Era muito grande. Havia partes abertas que vendiam frutas e legumes, sapatos, roupas, temperos, e uma construção redonda muito interessante onde se vendia nozes, frutas secas, queijos (todos iguais e azedos), picles de vários tipos, conservas, legumes pré-fatiados-na-hora, condimentos, em 2 andares. Todos os bazares tem 2 andares: um para comidas, outra para roupas e outras coisitas. Por exemplo, 1kg de castanha de caju custava, sem pechinchar, 13000 sum ou $10, ou R$20, um pouco mais barato que no Brasil, terra do caju.
  • De lá fomos para uma antiga madrassa que foi transformada em um centro de artesanato onde artesãos mantinham seus estúdios e lojinhas. Todos faziam exatamente as mesmas coisas: caixinhas pintadas da forma tradicional, pinturas islâmicas simétricas de grande precisão e detalhe, e também os mesmos temas em papel de seda ou papiro antigo. Era lindo mas encheu o saco ver tantos artesãos fazerem a mesma coisa com diferenças somente técnicas.
  • Então fomos almoçar no Credo, restaurante estranhinho indicado pelo Sergey. Mesmo sendo domingo, estava praticamente vazio. Comemos umas saladas, carneiro e uma pizza frita de cheiro verde e um queijo meio estranho. Sorvete com nozes no final e chá verde com limão que parece o refrigerante Feel Good do Brasil.
  • Fomos ao pequeno museu de artes aplicadas na parte nova da cidade já com muito sono. Vimos sedas, tapetes, roupas tradicionais, madeira esculpida, cerâmica, instrumentos musicais, jóias, etc. A casa era do diplomata Alexandrovich Polovtsev em 1907 e havia pertencido a algum judeu que a reformou com inserindo alguns temas judaicos como Estrelas de David.

Jantar Turco

  • Fomos para o hotel umas 17h e chapamos até umas 19h.
  • Acordamos e decidimos jantar no Istambul, atravessando a rua do hotel, um turco que a Natascha indicou. Antes de chegar lá demos uma volta numa praça com lago e chafarizes e bares de espeto e de bêbados em volta.
  • No Istambul foi divertido pedir comida. Turcos fumantes se amontoavam para assistir um jogo de futebol na TV. Mandamos ver um prato de vagens, salada de pepino e tomate, e pepino com iogurte (a minha receita é melhor), acompanhado de um pão perigosamente gostoso. A sobremesa foi um preparado de semolina com nozes que minha mãe também sabe fazer.
  • Voltamos para o hotel pela passagem do metrô e demos uma espiada.
  • Já no quarto percebemos como fedíamos a cigarro. Fizemos parcialmente as malas e tentamos dormir. A Tati obviamente conseguiu, mas eu não por causa da soneca da tarde. Passei a noite em claro e sofri no dia seguinte.

Chegando em Tashkent

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Aflição com o Passaporte

  • Pousamos em Tashkent.
  • Na imigração havia 4 guichês e nenhuma coordenação de ordem. As pessoas simplesmente se amontoavam para serem atendidas, sem fila nenhuma. Nunca vi isso.
  • Precisávamos tirar visto mas ninguém nos atendia. Esperamos mais de uma hora até todos terem o passaporte carimbado.
  • As vezes passavam policiais fardados do aeroporto sempre com carimbos pendurados na cintura ao invés de armas. Era engraçado.
  • Um cara de crachá apareceu e falou a palavra mágica: “visa”. Foi o suficiente para darmos nosso passaporte. Falou para esperarmos aí e desapareceu na multidão. Bateu medo, arrependimento e frio na barriga. Não podíamos ter dado o passaporte tão levianamente.
  • Outro cara voltou 10 infinitos minutos depois com os passaportes com visto e cobrou $60 por cada um.
  • Carimbamos os passaportes, pegamos as malas e nos juntamos a multidão quase inerte que precisava passar pela alfândega, também sem nenhuma ordem de fila.
  • Passamos pela alfândega e saímos para a parte externa do aeroporto que parecia o de Ilheus, Bahia. A Tati sentia cheiro de cravo. Pousamos às 7h, saímos do aeroporto às 10h. Bem eficiente.

A Moeda Engraçada

  • Encontramos com o Sergey que nos levou ao Hotel Uzbekistan (mapa). Ele falava pouquíssimo inglês mas era simpático.
  • A primeira impressão da cidade lembrou as capitais do norte como Belém, com suas árvores gigantes.
  • O hotel tem porte stalinista mas a fachada é inteira rendada lembrando temas islâmicos.
  • O carregador tinha pele literalmente rosa com olhos muito claros e as recepcionistas totalmente orientais, muito simpáticas, falavam inglês e atravessamos o grande saguão para falar com elas.
  • Fizemos check in, subimos, tomamos banho e dormimos das 11 às 14:30. O quarto era enorme, a cama também.
  • Fomos trocar dinheiro no hotel mesmo. $1=1274 sum. Mas a maior nota é de 1000 sum e ao trocar $100(=127400 sum) saímos com um incômodo bolo de 15cm de altura em notas. A maior cédula do país, de 1000 sum, comprava uma garrafa de água de 2 litros no hotel. É como se a maior cédula no Brasil fosse de R$5, talvez até menor.

Tashkent Soviética e a Primeira Refeição

  • Saímos para andar. Ruas e edifícios enormes, arquitetura monumental, parece Brasília com um toque de Stalin e um pezinho no oriente.
  • Andamos por uma rua muito larga com árvores enormes e um parque em um de seus lados. Havia uma estátua de Amir Timur, herói nacional do século XIV.
  • Entramos num lugar chamado Mir Burger, anexo ao Mir Stores — um tipo de supermercado com pequeno shopping no andar de cima, onde compramos pasta de dente — mas além de sandwiches haviam outros tipos de comida.
  • No andar de baixo havia o tal Restaurante Anatólia e pudemos montar pratos com vagens, feijão, espinafre com arroz e bolinho de carne com batata. Era gostosinho e lembrava a comida búlgara — ½ eslava, ½ turca — de minha mãe.
  • Uma avenida dava em um tipo de Esplanada dos Ministérios com avenidas, calçadas e jardins larguíssimos e bem cuidados. Conseguimos ler o nome do Ministério das Finanças em alfabeto cirílico. A segunda coisa que conseguimos ler foi СИМРСОНС (Simpsons, propaganda do filme).
  • Zanzamos por lá admirados com a arquitetura de coisas gigantes e principalmente com a variedade étnica e cultural das pessoas. Era mais interessante fotografá-las do que as paisagens. E seu temperamento muda tanto quanto seus traços: alguns são solícitos e simpáticos, outros são rudes, desinteressados ou desdenhosos. Ou pode ser só choque cultural mesmo…
  • Pode-se identificar as etnias pelas roupa (quem conhece). há chapéus quadradinhos, chapéus redondos, chapéus mais muçulmanos ou mais chineses. Para as mulheres, vestidos em geral longos e brilhantes, como se fossem a Scarlett Ohara com vestido do sofá da vovó. Mas tem aquelas moderninhas que se vestem com jeans ou micro saias, sempre cheios de brilhos. Aquele amor oriental por tudo que brilha, porque mesmo o que não é ouro, reluz.
  • A Tati ainda dormia de pé e fomos voltando para o hotel ao anoitecer.
  • Paramos para um café ruim num lugar na praça que parecia um coreto de nossas cidades do interior: totalmente aberto, alto e com tudo de mármore.
  • E lá perto havia uma feira de quadros como o da antiga Praça da República. Mas as pinturas em geral eram bastante bregas.

Jantar Típico e “Caro”

  • Descansamos um pouco no hotel, assistimos Fashion TV, tomamos outro banho e pedimos sugestões de restaurantes típicos.
  • Escolhemos o Caravan porque disseram ser típico e com música típica ao vivo, mas precisaríamos de um táxi.
  • 3000 sum depois, o taxista do hotel nos deixou lá, numa rua de bairro larguíssima e que ele fez questão de lembrar que sediava o consulado de Israel.
  • O restaurante era bem decorado com antiguidades e tinha vários recintos, alguns com mesas com sofás aconchegantes. Sentamos na parte de fora perto da música ao vivo que não era tradicional coisa nenhuma. Jazz meio vagabundo e tocaram até Pantera Cor de Rosa.
  • Para um sábado a noite, o restaurante estava bastante vazio, e havia mesas só com mulheres um tanto vulgares.
  • Depois ficamos sabendo que o lugar era considerado muito caro. 2 cumbucas de saladas boa e outra ruim, 1 chá gelado com berries, 1 pão tradicional, 1 somsa de espinafre (bureka com massa gorda) e 2 sobremesas (prato de frutas secas e maçã assada com pistache) saiu por 21000 sum, ou menos de $20.
  • Ligamos para o taxista Sunat vir nos buscar e voltamos para o hotel quase meia noite.

Towards Central Asia

Tomorrow we are traveling to Uzbekistan, Kyrgystan, Kashgar in China and a few days in Moscow.

Central Asia Map

When I tell this to people their first reaction is always “WTF are going to do there?”. Well, I try to reroute this question to my girlfriend, because I am still not sure. I even don’t know how she convinced me to do this trip. But with her company everything will be a pleasure.

I’ll try to blog the most I can from there, but I guess this region and some parts of Africa are the most remote locations in the world, so I can’t promise any single post.

Top Latin American Movies

A friend from Australia asked me for a list of some great Brazilian and LA movies. This is what I’m sending her.


  • Cidade de Deus
    Brazil. Probably one of the best movies I ever saw. Very violent and based on real facts. Don’t miss it.
  • El Abrazo Partido
    Argentina. Beautiful. Simple and beautiful. The music matches perfectly all parts of the story. I saw it again this week, and it is still great.
  • Nueve Reinas
    Argentina. Very funny, and maybe one of the first of the new movie age from this country.
  • Central do Brasil
    Brazil. Outstanding drama that unfortunately lost Best Foreign Language Film in Oscar 1999 for Benigni’s La Vita è Bella. Central do Brasil deserved that prize.
  • O Xangô de Baker Street
    Brazil. Sherlock Holmes comes to Brazil to solve a case and gets enchanted by brazilian drinks, food and women, and almost loses its focus. This movie is useful for foreigners, and is good too.
  • Whisky
    Uruguay. Sad but very well done drama. In the end you won’t be sure if you hate it or love it.
  • Abril Despedaçado
    Brazil. The tough life of poor people in northeast of Brazil.
  • Machuca
    Chile. Social classes conflicts by the eyes of a child.
    • O Auto da Compadecida
      Brazil. A funny movie that is a summary of a TV series. Adventures of two guys fighting for survival in the most bizarre ways. It is an adaptation of a very important brazilian play from the 70’s that shows many social and folk aspects of our country’s culture. The soundtrack is wonderful, by Sa Grama, a group focused on a very special type of brazilian folk lyric music. Non-brazilians may find difficult to understand the beauty of this movie, but give it a try.
    • El Hijo de la Novia
      Argentina. A very beautiful drama.
    • Kamchatka
      Argentina. Dictatorship and revolution being seen by the eyes of a child.
    • Diários de Motocicleta
      Brazil, Argentina. The Che Guevara movie.
    • Pequeno Dicionário Amoroso
      Brazil. A romantic story, from A to Z.
    • Amores Perros
      Mexico. Just watch it.
    • O Quatrilho
      Brazil. A well done drama about italian imigrants in southern Brazil. This movie could be shorter. Lost Best Foreign Language Film in Oscar 1996 for dutch’s Antonia. Indeed Antonia is a far better movie.
    • Pantaleón y las Visitadoras
      Not really great but just to put Peru in this map. Its a cute movie.


    I am not an expert, and I’m probably missing a few movies. And hope to see more suggestion in the comments below.

    Viagem de Inovação aos EUA

    Andei postando sobre algumas coisas que tenho visto aqui nos EUA, mas não contei o que de fato vim fazer aqui.

    A IBM tem um grupo chamado International Technical Support Organization que produz livros técnicos chamados Red Books. Trata-se de livros gratuitos que podem ser lidos ou baixados do site do ITSO. Pode-se também comprar cópias impressas que geralmente damos para clientes. Os autores são voluntários do mundo todo, geralmente funcionários da IBM, mas também clientes, parceiros ou qualquer pessoa que se qualificar na entrevista feita para a chamada do livro na lista do ITSO. O livro é geralmente escrito em Austin, Texas (há também outras localidades) durante algumas semanas de imersão. Todas as despesas de viagem são pagas pela IBM, tem se a oportunidade de trabalhar com pessoas de diversas partes do mundo, e fazer mais turismo que só o superficial.

    Alguns livros interessantes que o ITSO produziu:

    Bem, vim participar de um livro menos técnico que a média do ITSO. Conta como a IBM criou um programa interno de inovação onde qualquer funcionário pode criar, divulgar e hospedar na Intranet algum software que aumente a produtividade dos funcionários. Qualquer coisa. Desde simples plugins para o Firefox, Lotus Sametime, uma ferramenta de blog corporativo interno, ferramenta de criação de wikis internos, uma aplicação para sincronizar mídia interna com dispositivos móveis, etc.

    Dentro da IBM chamamos essas coisas de inovações e são tratadas como beta, para beta testers ou early adopters.

    Ao longo do tempo elas vão amadurecendo, viram um serviço padrão da Intranet, e as vezes acabam até virando produtos que a IBM vende. Foi exatamente o caso do Lotus Connections, um produto para ser usado numa Intranet e que tem serviços como diretório de funcionários, departamentos e suas linhas gerencias, blogs, tagging tipo del.icio.us, entre outras coisas. O Lotus Connections reune exatamente o que funcionários da IBM andaram usando e refinando ao longo dos últimos anos, e posso dizer que é o que temos de mais útil na nossa Intranet.

    O modelo desse programa de inovação livre é muito parecido com o universo Open Source. As tais “inovações” podem ser comparadas a um software GPL que alguém fez e publicou no Freshmeant.net, este comparável ao portal na Intranet que indexa todas as inovações, mede sua vitalidade, fornece notícias e links para acesso ou download.

    Conversei com muitas pessoas que estão em altos cargos globais, entre eles a CIO global da IBM, e é interessante ver como pensam e as informações que tem acesso. As vezes pensamos que eles estão longe do mundo real mas surpreendentemente tem muito mais noção das coisas do que um gerente de nível mais baixo.

    As pessoas que criaram esse processo de aceitação e publicação de inovações dentro da IBM tem a sensação que inventaram a roda porque é de fato muito bem sucedido e todos conhecem. Mas na verdade funciona igualzinho a comunidade Open Source. Há um quê de liberdade, de esforço por um bem maior, de comunidade. Copiaram sem saber que copiaram.

    A grande inovação está mesmo no fato de que trouxeram a dinâmica da comunidade Open Source na Internet para dentro de uma empresa, para gerar valor de produtividade interna.

    O livro conta mais detalhes. Aguardem a publicação.

    Economizando Energia em Casa

    Ouvi esta manhã na KUT, ótima rádio comunitária aqui em Austin, que alguns estados americanos tem pensado em formas de reduzir o consumo doméstico de energia elétrica.

    Uma das soluções é instalar dentro de casa um mostrador de consumo em dólares e não em indecifráveis kWh. Deram um exemplo de que uma torradeira acusa consumo de US$0.59 por hora enquanto uma lavadora de roupas acusa US$1.09 por hora. Muito mais fácil de entender, não !?

    O dispositivo tem duas partes. Uma para coletar os dados, agregada ao relógio de kWh da casa, e outra dentro de casa funcionando só como mostrador. A comunicação seria por algum tipo de wireless.

    Selecionaram uma população para testar esse dispositivo por algum tempo, e observaram que 75% dos lares passaram a gastar menos energia. Não mencionaram quanto economizaram.

    Mas já é bastante efetivo. E funciona só porque apresentaram o consumo para as pessoas numa medida que todo mundo entende muito bem. Sim, isso é uma questão de acessibilidade também.

    Claro que discutiram também questões de redução do lucro das empresas que provêm energia. Mas pensando a longo prazo, na minha opinião isso é um problema menor e que se ajeita com o tempo.

    Frases Para um Planeta Renovado

    Viva com simplicidade para que outros possam simplesmente viver.


    Adquira menos necessidades.


    Não há poder de mudança maior do que uma comunidade descobrindo o que é importante para ela.
    — Margaret Wheatley


    DIGA ADEUS AOS ANOS DO CARBONO…
    prepare-se para uma revolução na energia !!


    Toda escolha é um voto para o mundo no qual você quer viver.


    O caminho de menor resistência leva ao supermercado.
    — Tom Philpott


    Comida é a única coisa na experiência humana que pode ao mesmo tempo abrir nossos sentidos e nossa consciência sobre nosso lugar no mundo.
    — Alice Waters


    Ache o caminho mais simples e curto entre o planeta, as mãos e a boca.
    — Lanza Del Vasto


    Comida é uma forma de memória profunda. Através dela [pessoas] são ligadas a sua paisagem nativa, ao seu solo, sua água, e suas árvores.
    — Patricia Klindienst


    Os jardins do mundo são uma única democracia gigante.
    — Rudolf Borchardt


    Quando dizemos orgânico, queremos dizer local. Queremos dizer saudável. Queremos dizer ser autêntico às ecologias das regiões. Queremos dizer mutuamente respeitoso entre cultivadores e consumidores. Queremos dizer justiça social e igualdade.
    — Joan Dye Gussow


    O melhor fertilizante são as pegadas do fazendeiro.


    Vida simples, pensamento elevado.


    Tudo está conectado.


    Extraido do Northeast Organic Farming Association of New York‘s Organic Food Guide 2007, distribuido numa pequena feira orgânica em Mount Kisco, NY.

    Passaporte para Entrar nos EUA

    Como comentei no outro artigo, lá fui eu tirar um passaporte novo só porque ele vencia em menos de 6 meses. O visto americano só expirava em 2013.

    Consegui tirar um novo passaporte em uma longa tarde porque sabia tudo que precisava:

    Carta assinada da empresa dizendo que era motivo de trabalho, RG, passaporte antigo, título de eleitor e comprovantes de voto (que obtive no site do TRE), quitação do serviço militar, 1 foto 5×7 com ou sem data. A lista completa está no site da PF.

    E há duas delegacias da Polícia Federal em São Paulo que emitem passaporte com urgência (que é o modelo antigo): a do aeroporto de Cumbica, e a sede na Lapa. Fui na de Cumbica, e pessoas com problema semelhante que encontrei ali me disseram que na sede ninguém sabe nada e não dá certo. Coisas de Brasil.

    Ali eles preencheram um formulário com meus dados e emitiram um boleto de R$202,89 de taxa de passaporte urgente, que paguei no aeroporto mesmo.

    Com toda a documentação pronta e entregue tomei um chá de cadeira de várias horas e obtive um passaporte novo com válidade de 1 ano. Devolveram-me o antigo com suas páginas carimbadas com “CANCELADO”.

    E então descobri que não precisava ter feito nada disso. Vai ouvindo…

    Viagei então com 2 passaportes: o antigo, que expirava em 17/12/2007 (minha viagem é de 6/7/2007 até 4/8/2007, menos de 6 meses antes do passaporte expirar), e que contém o visto americano válido até 2013, e o novo, sem visto, mas que expira em 07/2008. O visto de um com a validade do outro me garantiriam a entrada nos EUA.

    Depois de 2 horas na fila da imigração no aeroporto de New York, perguntei a oficial que carimba o passaporte e efetivamente te deixa entrar no país ou não, se precisava ter tirado esse novo passaporte só porque o antigo vencia em menos de 6 meses, mas bem depois do término da viagem. Ela disse:

    Não é necessário fazer um novo passaporte se o primeiro não vence até o término da viagem e se contém um visto americano válido.

    Ela inclusive confirmou isso com outro colega carimbador. Observei ele abrir um arquivo para verificar.

    Reforçou afirmando que se minha viagem terminasse 1 dia antes do passaporte vencer, também teria me deixado entrar.

    Confirmei a mesma coisa com a companhia aerea, que sabe exatamente quem deve ou não deixar embarcar porque se der problema sera ela a culpada, multada e responsável por achar lugar num vôo de volta.

    Por que essa confusão acontece ?

    Tanto a agência de viagens como a Polícia Federal do Brasil me disseram que se o passaporte vence em menos de 6 meses “há grande probabilidade” de não entrar nos EUA, mesmo com visto válido. Esta informação é inexata e errada, não está escrita em lugar algum e é uma má interpretação de outra coisa: não se pode tirar um visto americano se o passaporte for vencer em menos de 6 meses conforme descrito no site da embaixada americana.

    Perdi um dia inteiro e cancelei compromissos desnecessariamente por causa de má informação da agência e da Polícia Federal do Brasil.

    Atualização de 30/4/2010

    O leitor Luciano Bastos achou no site da embaixada americana a seguinte pergunta e resposta:

    O meu passaporte brasileiro precisa estar válido por seis meses além da data de minha partida dos Estados Unidos?
    Não. Se seu passaporte não estiver válido por pelo menos seis meses a partir da sua data de saída dos Estados Unidos, isso não afetará sua viagem. Os Estados Unidos possuem um acordo com o Brasil pelo qual estendem automaticamente a validade de um passaporte para seis meses além da data de expiração desse passaporte.

    Isso é o ponto 34 na página de Perguntas Freqüentes sobre Vistos, no site da embaixada americana e significa que os EUA te deixarão entrar no país mesmo que seu passaporte expire em menos de 6 meses.

    Sonho acordado antes de viajar

    Não me interprete mal. É de insônia mesmo.

    Vou passar um mês a trabalho nos EUA, viajo sexta, e hoje descobri que meu passaporte vence em dezembro.

    Parece OK, mas estão me dizendo que preciso ter passaporte válido por no mínimo 6 meses. Até dezembro são 4.

    Então ou eu arrisco e vou com esse mesmo, ou viro minha semana de ponta-cabeça mais uma vez para tirar um passaporte em 2 dias.

    Em geral não sou ansioso para viajar. Sou do tipo que faço as malas 20 minutos antes de sair para o aeroporto, chego em cima da hora, não levo a farmácia na bagagem de mão, e na verdade só levo coisas na mão por que vão de carona com o laptop. Viajo light.

    Mas essas regras inexplicáveis de governos brasileiro e americano são o fim. E lá sei vai o meu sono…

    Viagem de Nerd

    Não é de hoje que vos digo que o Google Maps é o melhor site da Internet (depois de um blog ou outro).

    Pois bem, vou fazer uma longa viagem a trabalho para os EUA, com muitas cidades, muitos lugares para ir, vários hoteis, muitos aeroportos. E como todo bom nerd, estou posicionando todos esses pontos em um mapa pessoal.

    meu mapa pessoal

    Ainda mais nos EUA, que está inteiro semanticamente mapeado (na linguagem nerd: the country is entirelly geocoded). Assim posso traçar rotas e imprimir mapas personalizados e não mais quebrar a cabeça procurando os meus lugares em mapas genéricos.

    Não vivo mais sem o Google Maps.

    Pedágios Sem Fim

    Numa viagem de carro ida-e-volta São Paulo-São Carlos talvez gasta-se mais em pedágio do que em gasolina.

    São 2 x 230km = 560km. E de pedágios R$23.8 na ida e R$27.6 na volta.

    Ou seja, o usuário paga R$1 para cada 10.89 kilometros rodados nessas ótimas (porém caras) rodovias.

    Tentei descobrir a média de carros na Bandeirantes e Washington Luiz e assim calcular mais ou menos a renda da AutoBAn e Centrovias (respectivas concecionárias dessas estradas), mas isso parece ser uma informação confidencial, pois nem o Google acha nada. Nem no site da ARTESP — agência que regula transortes em São Paulo.

    A AutoBAn colocou no ar uma página de números das estradas, mas esqueceu o número mais importante: o de usuários que passam (e pagam) por ela.

    km 70 da Rod. Bandeirantes, agoraEu calculo que mais ou menos 10 mil carros passam por dia em qualquer trecho de 11 kilometros. Isso dá uma renda de R$10 mil por dia, ou R$300 mil por mês, para fazer a manutenção desses 11 kilometros. Isso me parece muito dinheiro para um trecho tão pequeno.

    Quando você pegar a bela Rodovia dos Bandeirantes entre São Paulo e Campinas, repare no enorme canteiro central entre as duas pistas. Nunca se perguntou o porquê de todo aquele gramado? Segundo um amigo, o jornal da época dizia que já que estavam abrindo terreno para a estrada, iriam também deixar espaço para um monotrilho de alta velocidade ligando as cidades. Assim, poderia-se morar numa cidade e ir rapidamente ao trabalho na outra.

    Mas pelo jeito o Poder Executivo falhou na execução desse projeto.

    Tanto que no recente pronlongamento da Bandeirantes, de Campinas a Corumbataí, já projetaram e construiram sem esse canteiro.

    Se esse monotrilho existisse, cidadãos como eu talvez tivessem a opção de morar no interior e trabalhar em São Paulo, deixando o carro em casa, diminuindo tráfego e poluição na capital.

    Mas o Poder Executivo não nos ajuda aqui.

    Margaridas do Japi

    Fomos novamente visitar as Borboletas do Japi. A mudança de clima não as mandou embora.

    A Figueira TortaDias lindos de inverno conferiram uma visão mais límpida e nítida da paisagem. Não havia nenhuma nuvem no céu, nos 4 dias do feriado prolongado.

    Somente Suzana estava no comando da fazenda desta vez e contou sobre seus projetos ambientais para a região. Despejou sua sabedoria, simpatia, alegria e experiência de vida por todos os hóspedes, e foi bom.

    As perfumadas flores do lírio do brejo — de origem africana, via tábuas de dormir dos navios negreiros — não resistem ao inverno e deram lugar a enormes margaridas amarelas e brancas.

    Fizemos desta vez um passeio mais curto com os cavalos, mas os belos animais nos agraciaram com uma corrida muito veloz no final.

    Suzana nos levou para conhecer outras trilhas com bosques largos no meio da semi-mata e plantações de eucaliptos, e também a impressionante Figueira Torta.

    A comida continuava abundante e boa. E agora preciso fazer um jejum radical de 20 dias.

    O TucanuçuNo sábado, várias crianças e seus pais vieram passar o dia e encheram o lugar com risadas gostosas.

    Um tucanuçu livre ficou se exibindo por horas a poucos centímetros de nós. Fiz longos filmes. Nunca vamos saber se nós estavamos a estudá-lo ou se era ele quem nos estudava.

    A Casa Gênio no meio da mata continuou nos servido muito bem. E fiquei feliz em saber que elas gostaram do que escrevi sobre a outra visita, e mais ainda, em saber que aquele texto lhes trouxe novos clientes que estavam lá.

    Adoramos novamente e não vemos a hora de voltar.

    O Sorriso do Gato de Alice

    Este post é só para mostrar como a Tatiana, minha namorada, escreve bem pacas.

    Ela é especialista em direito público, entre outras coisas, e foi para Angola ajudar a organizar o Ministério das Telecomunicações, num projeto de uma ONG sueca.

    Este foi um e-mail que ela mandou para todos nós contando suas peripécias, e um apanhado geral sobre esse país que é tão parecido com o Brasil, e sua capital Luanda.

    Luanda não é o que eu imaginava. Ou melhor, não é só o que eu imaginava. Tem um quê de Jardineiro Fiel, daquela Africa de National Geographic, com mulheres que são só curvas, vestidas com cores do Gauguin e que carregam alegremente um balde enorme de bananas sobre a cabeça ou o filho amarrado nas costas com um pano florido. Pobreza africana — mas quase nada de miséria, ao menos a vista e ao menos até agora — de esgoto nas ruas, poeira, cartazes escritos à mão e tudo por fazer.

    Mas Luanda tem também muito de Portugal e muito de Brasil. Há uma familiaridade em tudo, um pouco como se fosse em casa, um pouco como se fosse Salvador. A arquitetura colonial está lá, assim como as pastelarias com pasteis de nata e Santa Clara e um sotaquinho que lembra Camõesh. E essas caras conhecidas, caras de escravos que foram pro lado de lá, mas que continuam os mesmos como se as placas tectônicas tivessem se descolado 20 minutos atrás, separando as famílias aleatoriamente (isso é por causa do meu livro “tudo o que você sempre quis saber sobre o mundo e ninguém te explicou”, que acaba de falar sobre as placas tectônicas).

    Luanda não é Angola. A capital é completamente diferente do interior, pois não sofreu as conseqüências da guerra como o resto do país (os únicos confrontos que chegaram à cidade aconteceram em 1992, a guerra acabou em 2002). Um pouco como no Brasil, Luanda dá a frente ao mar e as costas ao país.

    Depois de ter sido comunista, decidiu-se pelo capitalismo selvagem. Há prédios e empreendimentos brotando em todo o lugar. Os carros estão em todos os cantos, todas as frestas, levantando uma poeira danada e mostrando quem manda aqui. Há congestionamentos quilométricos, mais do que a 9 de Julho na hora do rush (como se isso ainda existisse…). Carros enormes, sinal de que o petróleo e os diamantes estão fazendo uma classe de gente bem rica e outras de sub-ricos e subsub-ricos e assim por diante. E todos têm carros, já que o Estado permite a importação de carros usados.

    Coisa mais estranha, não há violência, segundo dizem os angolanos. Eles vivem querendo saber a razão pela qual o Brasil — que eles consideram um pouco como irmão — é violento. E eis que eu não sei responder.

    Assim como eles, tivemos uma ditadura, depois a ausência do Estado, grande exclusão e desigualdade social, violência histórica e racial, apropriação do público pelo privado, nenhum investimento em educação.

    Por que então a nossa sociedade de homens cordiais decidiu dar tão pouco valor à vida?

    Gente super gentil, sempre sorridente, incapaz de dizer não. Mesmo. Do tipo: você pede uma reunião e a pessoa diz “poish não, certamente”. Você pergunta se 9 da manhã está bom e vem um novo “maish claro”. Só que ela não disse que na verdade ela só entra no trabalho às 10, ou que amanhã não vem porque vai fazer as tranças do cabelo (essa da trança aconteceu mesmo). Só porque não quer te desagradar, afinal a tal da reunião parece tão importante para você… Então você fica esperando umas duas horas e aí ela chega feliz porque não te contrariou. Tô me identificando pacas.

    No trabalho. O Ministério fica em um antigo prédio colonial português a beira-mar. Bonitão. Ficamos no primeiro andar, mas não podemos usar a escada (em madeira antiga escura, com um tapete vermelho) porque ela é reservada para o Ministro. Tem que subir de elevador. Só que o Ministro, quando vem, pega o elevador em vez da escada… Depois conto do nosso exército de Brancaleone aqui, mas eis a moral da história: é tudo uma questão de inteligência emocional.

    Poltergeist de hoje: estou eu atravessando a rua (depois de meia hora ensaiando) quando vejo que o carro que parou para eu passar não tem ninguém no volante. Estarrecida com o fato sobrenatural, dou uma olhada apertada no vidro um pouco escurecido. E eis que está lá, boiando sozinho no preto do estofado, um sorriso. O sorriso do gato de Alice…

    Borboletas do Japi

    A 40 minutos de São Paulo está um dos melhores lugares para se passar um feriado: Fazenda Montanhas do Japi. E foi justamente nesse ótimo hotel fazenda que passamos a última Páscoa.

    Encrustado nos pés da área de preservação da Serra do Japi, é longe o suficiente para abafar o barulho da cidade, e perto o suficiente para não haver desculpas nem dramas para cair na estrada. Logo ali, em Jundiaí.

    (interaja com o mapa para conhecer a região)

    O hotel fazenda é um complexo de 8 lagos rodeado por morros de mata virgem e flores perfumadas. É muito bem cuidado, com bosques de árvores, campos de grama aparada e borboletas, muitas borboletas. Uma visão bucólica do paraíso.

    Casa principalA Casa de Pedra é a principal e tem uns 3 quartos para hóspedes, lounge, lazer, etc, e fica na subida de um morro, de frente para o lago principal, o que lhe confere uma bela vista de contemplação. Mas ficamos na Casa Gênio, afastada uns 400m (veja no mapa) e praticamente no meio do mato, com 2 suites, sala, cozinha e varanda, cujo caminho até a casa principal passa por um bosque de amoreiras, com borboletas por toda parte.

    Suzana e Hanah lideram tudo não como donas de uma pousada, mas como anfitriãs em sua sala de estar, almoçando junto e contando as histórias de gerações passadas da família e da fazenda, a relação da região com a cultura da uva, e depois eucaliptos, etc.

    A casa principal foi construída sobre ruínas seculares de jesuítas. Para evitar intervenções de estilos muito contrastantes, toda a arquitetura nova é rústica, mas com um inconfundível toque feminino e confortável. As constantes borboletas dão o toque final ao visual leve e colorido.

    Trilhas na mataPara os aventureiros há as trilhas por dentro da Serra do Japi, beirando rios de águas cristalinas, árvores primárias, perdendo-se e achando-se ao sair em outro ponto inesperado da fazenda, despreocupadamente, guiado pelas infindáveis borboletas.

    É tão perto que no sábado chamamos os amigos de São Paulo para virem almoçar e passar o dia, nadar no lago, remar no caiaque, andar a cavalo, contemplar as borboletas na paisagem florida.

    É tão longe que a noite vimos um céu escuro e estrelado, típico dos lugares afastados. Aí a lua cheia logo nasceu e mandou as estrelas embora. Mas no dia seguinte, as borboletas continuavam lá.

    Os bons cavalos nos levaram ao topo de um morro cuja paisagem lembrava Stonehenge. Muitas rochas. E borboletas. E o Pico-do-Jaraguá lá longe.

    As redes sob os eucaliptosFazer três refeições daquelas por dia era desencorajador para nós, visitantes deslumbrados com a leveza de tantas borboletas. No café da manhã, além dos bolos e pães caseiros, deixavam umas chapas de ferro sobre o fogão a lenha para prepararmos nossos próprios sanduíches ou panquecas. Tinha que preparar sempre dois: um para matar a fome e outro para exercitar a pretensão de sanduicheiro-chapeiro-cozinheiro.

    O almoço era concorrido com quem só vinha passar o dia, mas ao sentarmos nas mesas da varanda alta, contemplando os lagos e as borboletas, tudo se acalma. Se demandávamos demais do almoço, as redes de balanço sob o bosque de eucaliptos gigantes nos chamavam para um cochilo. Quanto mais altos, mais sensíveis são os eucaliptos às brisas que vem e vão, e juntos formavam o sonoro coro da canção de ninar que combinava com a rede.

    Mesas na varanda altaO sino do lanche da tarde nos despertava, e aí as estrelas eram o suco de erva cidreira e a torta de banana com aveia.

    À noite prometíamos tomar só uma sopa, mas não dava para resistir. A situação se complicou no sábado à noite: o forno de pizza estava quente, e a pretensão de cozinheiro pôde novamente ser exercitada ao montar as deliciosas redondas. Era a última noite.

    No domingo choveu como o batismo dos céus. As borboletas foram se esconder, mas não por muito tempo. Logo voltaram.

    Mas já era hora de partir. O consolo ao voltar para São Paulo era o céu de um cinza homogêneo e denso como uma redoma, mas às seis da tarde o sol atravessava-o por baixo alaranjando toda a cidade. Era um lindo jogo de contrastes brilhantes e cinzentos que fez surgir um arco-íris intenso estampado sobre o cinza. Pudemos vê-lo inteiro, de ponta a ponta. Cena de rara beleza na cidade.

    Naquela hora, já em São Paulo, lembramos das borboletas. E sentimos saudades delas.

    (fotografias e seus autores estão no site da fazenda)

    Abraço dos Dois Irmãos

    Sol atrás dos Dois IrmãosDescolei umas horas livres no fim da tarde, na praia de Ipanema.

    Mergulhei perto do posto 8, no Arpoador. O mar estava pouco agitado mas muito gelado. Brrrrr: águas oceânicas.

    O horário de verão terminou final de semana passado, então acho que estamos no outono. Nesta época o sol se põe exatamente atrás do Morro Dois Irmãos, que marca o fim do Leblon e o começo do Vidigal.

    Conforme o sol ia baixando, formava dois enormes braços de raios com a sombra do morro no miolo. O efeito era os Dois Irmãos abraçando a cidade. Muito bonito e inspirador. E pelo jeito a cena já serviu de inspiração para outras pessoas.

    Centro do mapa
    no mapa
    Morro Dois Irmãos
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    Posto 8
    no mapa
    Arpoador

    Enquanto assitia aquilo, parado, de pé no calçadão, pessoas passavam por mim. Um rapaz com camisa verde-amarela, andando de costas para o morro, tascou o último naco de seu espetinho-de-gato, e, exatamente em frente a um cesto de lixo grande, laranja e chamativo, lançou o espeto vazio ao ar. O espeto caiu na areia, e o papel que o envolvia foi para a calçada. Ele fez questão de não mirar no cesto !

    O que faz um ser humano ter tal atitude? Ô povinho! Acabou com minha contemplação…

    Mesmo assim o Rio de Janeiro continua lindo.

    A Paradise on Earth

    Last weekend we traveled to the Paraty bay area, a place that I visit since I was a kid. But this time was very special because I knew a new paradise: Saco do Mamanguá.

    They say there is only one fjord in Brazil, which is the Saco do Mamanguá. To get there we traveled by car to Paraty Mirim, then took any traineira (a small and slow fisherman’s boat) that was siting on the beach waiting for tourists. You don’t have to setup an appointment or pay in advance. Just go. They use to charge R$35 per hour, for any number of persons up to about 10. We did everything in 4 wonderful hours.

    Mamanguá is an 8km-long arm of the Atlantic ocean, far enough from Paraty to look as an almost untouched paradise. It has small clear water, isolated beaches, perfects for snorkeling, or simply for relaxing. In addition we were blessed by a beautiful shiny day, thats why I can’t avoid using the “paradise” word all the time.

    The whole region deserves a visit, and thats why I’m writing this in english, to inspire non-brazilian folks come visit my beautiful country. But instead of a stream of words I invite you to explore the interactive map below. Click on the markers () to see more information and local photos.

    Center of map
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    Saco do Mamanguá
    Saco do Mamanguá
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    Paraty Mirim. A small and old village 18km far from Paraty. This is where we met Nelson and his “traineira” to take us to Saco do Mamanguá.
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    A typical building in Paraty
    A typical building in Paraty
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    Le GiteFazenda Graúna. Go to Le Gite D’Indaiatiba, a beautiful pousada and restaurant by Olivier and Valerie. This restaurant is very expensive (about R$150 for two, no wine), but very good too. This place is in higher altitudes so in clear sky days you can have lunch contemplating the wonderful ocean down there.
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    TrindadeTrindade and Laranjeiras. Trindade was a small fishermen’s village that turned to be a place that many hippies go nowadays. Larangeiras is a village of very expensive and big cotages.
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    Ilha do Algodão.
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    Exit from main road (Rio-Santos, BR-101) to the road that takes to Paraty Mirim.
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    Fazenda São Roque. There is nothing here, not even a good beach, but this is where I use to stay when I go to this region. No hotels nor pousadas.
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    Thermonuclear power station of Angra dos Reis
    Thermonuclear power station of Angra dos Reis.
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    TaritubaTarituba. Used to be a small village and beach where simple fishermen live and work. They still live there, but all their wives opened simple restaurants along the shore and around. Due to the excess of fishermen boats (called “traineiras” in portuguese) this beach is dirty and not apropriate for swiming. Nowadays you may find some nightlife in Tarituba on weekends or holydays.
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    Mambucaba. This is well organized village built for the engineers of the Angra Dos Reis’ thermonuclear power station. It has the most beautiful beach on the region, with clear waters. This place is almost outside the bay so you will find surfists riding the waves. This beach is always full of young people.
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    Ilha do BreuFazenda São Gonçalo. A private farm with a calm beach, good for children, easily accessible only from certain points. You’ll find places to park your car and walk for 3 minutes to the beach. If you want, you can pay R$7 per person to a fisherman and he’ll take you and your family to the Breu (the picture) or Pelado island, right in front of the beach. You will stay on clear water beaches with big stones full of aquatic wildlife. Bring your diving mask and snorkel. There is also a rustic restaurant there, where you can chill out having a caipirinha de maracujá (passion fruit caipirinha) or água de côco (coconut water) with fried fish. Don’t miss their mandioca frita (mandioca is something similar to a potato but only available in Brazil).
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    The Iriri waterfallsCachoeira do Iriri. Coming from Paraty to Rio, right before the São Gonçalo farm complex, there is an almost unaccessible beach that you will see from a hill on the road. A reference is a red and huge cellular antena. On the other side of the road there is a bus stop and a trail into the forest. A 3 minutes walk will take you to a beautiful clear water river with a natural pool and waterfalls. You will see a closed house but you are not transpassing. Just chill out there the whole afternoon after the beach. You can stay under the waterfall to heal your backs. If you feel adventurous, look for a jungle trail right on the side of the pool, going uphill. It will take you to the second floor of rocks, but there is nothing there. Keep on going up until you find the river again on the third floor. Look down and you will see your non-adventurous friends that stood on the first waterfall. Say hello and goodby, because we are not finished. Walk by the river for 3 minutes until you see a huge natural water pool with another waterfall. You’ll be probably alone there. This is a window to paradise. Just don’t miss this point.

    Other things to do

    • Walk around in old Paraty area and remember that you are visiting one of the eldest places in Brazil. Enjoy the rich nightlife with live music. The city is always packed by tourists from all parts of the world.
    • Have a light vegetarian meal in the Ganges, close to the famous Pousada do Sandi. Or choose one from the tons of restaurants around. In Paraty you should have seafood.
    • Have an icecream in a place called Sorveterapia. The owner is a sort of researcher in the art of icecream making, and has developed a very light and natural formula to produce it. Very unexpensive too.
    • Going north on the BR-101 road (also known as Rio-Santos) you will find many beaches. The most important ones are marked on the map. Ask also about the big number of waterfalls. Some of them you can see from the road, coming down the mountains big and white. My preferd is Cachoeira do Iriri, hidden but marked on the map.
    • Going south thowards Ubatuba there are some famous beaches too, as Prumirim, Ubatumirim, Almada, Praia Vermelha, etc. But I don’t use to go there very much: the closer you get to Ubatuba, the crowder will be.
    • If you have an off-road car or jeep, leave Paraty to west, towards Cunha, through the old way. There are some more waterfalls on the go, nice handcraft shops, restaurants and amazing tropical landscapes. Cunha is known as home of excellent ceramicists, so look for their studios. Have a meal in the Restaurante Uruguayo.
    • You will see a lot of rain in all that region too, almost every day. This is a bless that you should contemplate quietly. The rain smells absolutely delicious over there.

    Ponto de Luz

    Queda d'água na pousadaDias atrás tirei umas férias curtas e resolvi conhecer o legendário Ponto de Luz, pousada zen na Serra da Mantiqueira, quase divisa entre São Paulo e Minas.

    A viagem foi fácil, pela Rodovia Fernão Dias. Depois, uma bela estrada até Joanópolis e depois uns 19km de estrada de terra até a pousada. Este último trecho tem belas paisagens rurais de colinas, pomares e criação de gado. Há bastente gente morando ao longo da estrada. Havia muitas bifurcações e encruzilhadas, sempre sinalizadas com o caminho a se tomar para chegar a pousada. Saí às 11:00 de São Paulo e cheguei umas 13:30, prontinho para almoçar.

    A pousada é propositadamente rústica-chique, como tantas outras por alí, em São Francisco Xavier, Gonçalves, Monteiro Lobato, etc. Como a região é montanhosa, é também cheia de rios, e a propriedade era cortada pelo Ribeirão da Vergem Escura (afluente da bacia do Rio Piracicaba) cujas pedras formavam um grande poço que convidava para um banho. Nos dias em que estive lá, a água estava um pouco barrenta por causa das chuvas, mas em outras épocas o rio tem águas cristalinas. Há um belo caminho aberto até o rio, e perto da margem colocaram uns assentos que serviam para nada além da pura contemplação da natureza.

    Centro do Mapa
    no mapa
    Hotel Ponto de Luz

    (interaja com o mapa)

    Rede na varanda do quartoA grande sacada do arquiteto foi construir a pousada na encosta do morro. Isso funcionava bem para dar vista alta, de qualquer ponto da pousada, para o outro lado do rio e para colinas verdejantes e arborizadas. Inclusive do refeitório e da varanda dos quartos com sua rede de balanço.

    E falando nisso, a comida era bem simples mas muito gostosa, essencialmente vegetariana, às vezes com uma opção de frango ou peixe. Sempre havia sobremesas dietéticas. O serviço era ótimo, atencioso, e a inclinação exotérica da pousada parecia plantar uma consciência holística nos funcionários.

    Só o preço foi na minha opinião um pouco além da conta. R$204 pela diária, incluindo as 3 refeições mais o lanche da tarde. Por pessoa. Estou acostumado a viajar pela região e sei que os preços não são bem esses. Mas calculei que no valor há uma boa lapa de moda de turismo exotérico. Aí fiquei surpreso que no final ainda me convidaram a pagar 10% de taxa de serviço opcional que é dividida entre os funcionários no final do mês. Argumentei que a pousada como um todo já era um serviço, e que não fazia sentido uma taxa de serviço sobre um serviço que por sinal já estava bem pago. Acabei sucumbindo porque continuar a discussão ia ser constrangedor para a situação. Terminou mal explicado.

    Havia uma agenda de atividades diárias, com caminhada leve de manhã, algum tipo de hidroginástica antes do almoço e meditação no fim do dia, logo depois do lanche da tarde. Experimentei lá, pela primeira vez, a meditação dinâmica, especialmente desenhada para pessoas estressadas da cidade grande, como eu. Bem legal. Mas, como toda meditação, exige disciplina para se fazer todos os dias. No segundo dia meditamos num pequeno templo charmoso, construido a toque de caixa para a visita de um guru indiano.

    TerapiasDepois da meditação dava um pulo na piscina aquecida onde ficava de molho até a noite. O clima não estava convidativo para a piscina aberta e fria. O resto do tempo passava na rede da varanda do quarto, lendo, ouvindo música e observando as colinas tranqüilamente. Ou dava uma olhada na lojinha anexa, cheia de coisas no melhor estilo “além-da-lenda” (a coleção de CDs para vender era ótima, e levei alguns títulos). Ou ainda pode-se fazer uma das terapias e massagens disponíveis em seu cardápio de serviços, cobrados a parte, claro. Nos finais de semana parece que há palestras e atividades musicais, mas infelizmente não pude ficar para ver.

    O pessoal da pousada conta que há hóspedes que reclamam que não há “nada” para fazer lá, nem telefone, nem TV, e acabam fugindo de volta para sua cidade agitada.

    Bem, eu não sofro desse mal e ficaria lá pelo tempo que fosse, porque o Ponto de Luz é um lugar de paz contemplativa.

    Picnic em Vinhedo

    Local do Parque da Represa em VinhedoFez um dia de sol no último feriado e decidimos fazer um picnic num belo lago que descobrimos numa outra viagem, em Vinhedo.

    Enchemos o isopor com frutas e água e caimos na estrada. É um parque municipal chamado Represa II que tem pedalinho e barco de passeio, e a vista do outro lado da água é um morro de selva preservada.

    Caminhando para o leste há um lago menor, pouco visitado e foi muito agradável sentar lá e ver a revoada de pássaros.

    Havia uma casa abandonada depois do lago e decidimos ir ver, atravessando uma picada no meio do mato. Parecia ser uma velha casa de fazenda, com curral etc, mas caindo aos pedaços.

    MacacosEncontrei no chão umas gordas vagens de jatobá que não exitei em abrir para comer. É uma fruta intrigante: sua polpa é verde, envolve os caroços e é totalmente seco ao ponto de parecer um pó, que quando colocado na boca forma uma massa que gruda. É como comer farinha, só que de sabor perfumado e doce.

    Na volta para o lago principal havia um bosque onde macacos do tamanho de esquilos eram alimentados pelos biscoitos e picolés das crianças. Ofereci jatobá, mas nem deram bola.

    Foi um passeio muito agradável que se pode encaixar numa tarde, incluindo a ida e volta para São Paulo.

    Filhote Pai D’égua

    Cheguei ontem em Belém do Pará, para um evento, e jantei num ótimo restaurante chamado Lá em Casa.

    Foto do Lá em Casa Queria traçar uma comida típica e o garçom foi excelente nas sugestões e descrições, e acabei indo no Filhote Pai D’égua. Filhote é um peixe da região, e o prato vinha acompanhado de arroz com jambú (que parece espinafre, mas é diferente), farinha molhada com leite de côco, e salada de feijão manteiguinha de Santarém (um feijão claro e muito pequeno). O peixe era grelhado, macio, suculento e muito saboroso.

    Prato de Filhote Pai D'éguaO garçom — cujas explicações regionais não deixavam a desejar perto de qualquer documentário de Travel Channel — explicou que o nome “Filhote” caiu na boca do povo como o nome do tal peixe. Mas não é. Chamam-no assim até ele atingir 20kg. Pense num peixe de 20kg que é chamado de Filhote. Bem, depois disso o nome dele vira Piraíba, mas seus 100kg não são mais apreciados porque na fase adulta sua carne fica fibrosa. Imagine um peixe de 100kg!! Coisas da Amazônia….

    Já estava satisfeito quando descobri que a carta de sobremesas incluia sorvete de Bacurí — a maior de todas as delícias da Amazônia, talvez do Brasil, que já conhecia de outra viagem que fiz aos Lençóis Maranhenses e ao Piauí. Para não desencarnar de êxtase, pedi só uma bola, acompanhada de outra de sorvete de tapioca. Dormi feliz, mesmo porque tinha passado o dia comendo só barras de cereais nos vôos.

    Em São Paulo pode-se provar sorvete de Bacurí numa pequena cafeteria que fica no Itaim Bibi, na rua Jesuino Arruda entre ruas João Cachoeira e Manuel Guedes.

    Belém do Pará

    Belém é uma cidade plana, com casarões antigos muito bonitos, alguns infelizmente não muito preservados. O que mais impressiona na cidade são as mangueiras carregadas e outras arvores gigantescas que enfeitam as ruas. Um taxista me contou que as mangas dessas árvores eram uma arma letal da natureza contra os carros passantes, mas agora a prefeitura organizou um esquema em que elas são colhidas das árvores e transformadas em suco para escolas carentes.

    Estação das Docas nas margens do Rio Amazonas.

    Fui ao evento na sexta, na famosa Estação das Docas, que fica na beira do rio Amazonas. No almoço um garçom me informou que havia uma feira livre — que depois soube que era a Feira do Ver-o-Peso — a sudoeste (dava para ir a pé), onde uma senhora (e suas filhas) vendia polpa de frutas. Numa operação rápida atravessei a feira, comprei um isopor, e enchi com 4 litros de polpa de Bacurí e Graviola. A Tati ganhou uma sorveteira esses dias, que só faltava agora se juntar às polpas e me proporcionar a atmosfera ideal para desencarnar de vez com a êxtase do sorvete de Bacurí.

    No fim do evento, aquele povo lindo de feições indígenas se juntou na parte externa das Docas, de frente para o rio, para ver um show que acontece toda sexta-feira, e sucedeu uma cena tocante: todos suspiraram sincronizadamente ao ver o último fio de sol sumir, laranja, quente, lindo, atrás da floresta, que ficava atrás daquele pequeno — mas já gigante — braço do rio Amazonas.

    Dançarinas em BelémAcho que por respeito ao por-do-sol, a banda só começa a tocar logo depois. Músicas regionais que todos conheciam, menos eu. Lundus, etc. E depois entrou um grupo de dançarinas morenas e sorridentes, girando suas saias longas com os braços erguidos. Era uma cena da mais pura e singela alegria.

    Mais uma vez, adorei o Pará.

    Feriado em Caldas da Imperatriz

    Eu que nunca ganho nada, ganhei um final de semana no Resort Plaza Caldas da Imperatriz, na serra de Santa Catarina, uns 40 km de Florianópolis. Como eu tinha que estar em Floripa na segunda-feira, 16 de outubro, resolvi passar o feriado inteiro lá, numa espécia de mini-férias, chegando na quarta anterior, a noite.

    A princípio, Tati e eu achamos que talvez seria tempo de mais ficar 4 dias enfurnado num “resort” — palavra que me dava calafrios só de imaginar. Estavamos enganados e foi mais-do-que-ótimo.

    Ofuros ExternosEra um hotel grande e legal montado sobre umas fontes históricas de águas termais — que já brotam da terra a agradáveis 39° C —, em Santo Amaro da Imperatriz, SC. Então, por causa disso, o hotel dava foco a banhos, hidromassagens e piscinas com cascatas quentes. Contei umas 2 piscinas fechadas, 1 gigante externa, 5 ofuros externos e mais uns 2 internos, fora as saunas e duchas. O resort estava cheio de gente de todos os tipos, principalmente famílias e era comum ver os hóspedes circulando de roupão pelo hotel.

    Além disso, havia um SPA que oferecia massagens e tratamentos especiais, e pacotes de alimentação acompanhada de nutricionista. Tudo isso, claro, cobrado a parte.

    Fazíamos todas as refeições lá mesmo, com muitas opções quentes, de saladas, e de sobremesas. Tudo muito bom, mas acho que na cozinha eles podiam pensar um pouco mais nos vegetarianos: até um frugal arroz-a-grega levava uns pedaços de presunto que não precisavam estar lá.

    Piscina ExternaTodos os dias eles publicavam uma programação diferente para adultos e crianças, que incluia hidroginástica, aulas de dança, caminhadas, trilhas, filmes, música ao vivo, mágico, aulas de Tai Chi Chuan e Lian Gong (um tipo de auto-massagem que parece Tai Chi). Quando não queríamos fazer uma das atividades, saíamos para passear pelos belos jardins de bromélias, palmeiras imperiais, flores, rios, lagos e pássaros. Ou caíamos na água morna de um dos ofuros. Ou ainda nos refugiávamos no quarto para assistir TV a cabo até o sono da tarde chegar tranqüilo.

    Fiz algumas massagens, esforcei-me para me alimentar sem exageros e corretamente, fiz questão de manter a mente longe de coisas que a deixavam muito agitada, e o resultado foi uma bela limpeza perceptível de corpo e alma.

    A-do-rei.

    Recife e o Mar

    Estou em Recife.

    Hoje de manhã (ok, já era umas 11:30) olhei pela janela do quarto do hotel e vi uma cena linda: a maré baixa e os recifes cheios de piscinas naturais convidando a criançada a brincar na água calma e morna.

    Perdi meu laptop !

    Peguei um vôo da Gol p/ Salvador ontem, para fazer uma apresentação num evento da Novell e Officer que iam fazer lá. Salvador era a escala – o vôo seguia para Maceió depois.

    Poizé…. sequei a bateria do meu laptop durante o vôo, trabalhando no Elektra, que é um de meus projetos open source. Ai fechei-o e ele encaixou direitinho e por inteiro naquela parte que serve para guardar revistas, na poltrona da frente.

    Pousei, peguei minha mochila, entrei no taxi, e viajei até o hotel por uma 1/2 hora. Fiz check-in, decidi onde ia jantar depois, e subi no quarto para largar o laptop carregando.

    Quando abri a mochila, cadê meu laptop !?

    Eu que sou mór neurótico com essas coisas de não esquecer nada, larguei o bixo na poltrona do vôo que ia seguir pra Maceió, que a essas alturas, já devia estar chegando lá.

    Xinguei injustamente Deus e o mundo, contei até 10 e liguei pro aeroporto. Depois de umas transferências de ramal, alguém da Gol me atendeu:

    • — Me ajuda! Esqueci uma coisa muito importante no avião que acabou de chegar de São Paulo
    • — Vixi Maria! E foi o que, minino!?
    • — Foi um laptop !
    • — Ôxe, tá aqui, já acharam.
    • — Jura!? Não foi pra Maceió ?
    • — Foi não. Ma tu tem que vir aqui pégá-lo, viste !?
    • — É pra já !

    Gastei mais 1 hora e R$60 de taxi ida e volta viajando até o aeroporto para pega-lo, e me devolveram-no embrulhado em plástico bolha e tal.

    Ufa… Voltei morrendo de fome, e fui direto a um japonês traçar um sushi.

    Parabéns ao pessoal da Gol e do aeroporto de Salvador. Salvou minha apresentação no evento, que foi um sucesso.