Blog do PapaiCommunity and Society

Entre Amor e Palmadas

Eu fui criado com palmadas. Por nota baixa, por irritar minha mãe etc. Mas fui criado com muito amor e sabedoria também. Acho que as palmadas eram consequência de pais desinformados, sem noção etc.

Meus pais vieram de uma cultura que tinha um lema: “quem ama, dá umas palmadas”, ou algo do gênero. Em hebraico, essa frase tem rima.

Não vejo a cena de eu dando umas palmadas nos meus filhos. Quando olho para minha filha, me vem a certeza, com evidências reais, que ela veio para este mundo para ser amada.

Não estou defendendo a palmada, nem a ausência dela, mas muitas vezes essas diretrizes de como criar os filhos me parecem ondas que vem e vão, sobem e descem, mudam e desmudam de acordo com a mente coletiva vigente.

Sou o que sou hoje devido a soma de tudo isso: amor e palmadas. Eu gosto do que sou. Outra pessoa, com exatamente a mesma criação, seria diferente. Talvez mais traumatizada, talvez mais forte, sei lá. Educação não é uma ciência exata e isso é legal.

Prefiro pensar que cada um vem ao mundo buscando exatamente o que precisa. Uns amor, outros palmada. É uma escolha intrínseca, inexplicável. Cabe a mente coletiva vigente definir limites que moldarão a próxima mente coletiva. No máximo vamos pagar por isso.

Escrevi isto como um comentário ao Tapa Não Educa, da Vitória, no Blog da Jacarandá.

Linux & Open Source

Convert DBF to CSV on Linux with Perl and XBase

I spent a few days to figure out how to make a simple conversion of a DBF file into a plain text file as comma separated values (CSV) or tab separated values (TSV) in a batch/command line way. I was almost setting up an OpenOffice.org server because it seamed to be the only packaged solution to read and convert DBFs.

Well, it easier than that. The secret lives in the XBase drivers for Perl Data Base Interface project. To install it on Fedora or Red Hat use this command:

yum install perl-DBD-XBase

If you use other Linux distributions, you may look for a package with a similar name.

For a simple file conversion, you don’t need to program in Perl because the perl-DBD-XBase package contains a command line tool for that: dbftool.pl. So to convert the mytable.dbf file into a more standard CSV file, do this:

dbfdump.pl --fs "," mytable.dbf > mytable.csv

If you want to use TAB instead of a comma to separate fields, while editing the command put the cursor between the double quotes, press Ctrl+V and then press the TAB key on your keyboard. This will fill the double quotes with a real (but invisible) TAB char.

Web 2.0

Querem usar meu blog para publicar “sugestões de pauta”

É a segunda vez que uma mesma assessoria de imprensa me envia “sugestão de pauta” para que eu fale aqui sobre os produtos tecnológicos de seus clientes.

E ainda me ligam de outra cidade, no celular, perguntando se eu recebi o e-mail com a sugestão !

Bem, e-mail enviado para o endereço certo chega com certeza, então não precisa me ligar. Acho que não entenderam essa parte da Internet. A não ser que tenham problemas nos servidores deles, porque do meu lado — no GMail — eu não tenho.

Outra parte da Internet que parace que não entenderam é como funciona a blogosfera. Meu blog, como a massiva maioria de blogs independentes, funciona de forma espontânea, baseado em coisas que eu ativamente descubro ou gostaria de contar. Não é alimentado passivamente por “sugestões de pauta”.

Obviamente pedi também para me removerem dessa lista de “e-mail marketing” (o nome bonitinho para o odiável spam).

Mas por hora agredeço a essa assessoria de imprensa por serem objeto de discussão na incansável luta pela netiqueta.

Você, blogueiro independente, concorda comigo ou não !?

Linux & Open Source

That's why I disable SELinux right away

Folks at the Fedora Project devel list asked us to enable and use SELinux.

So I sent this reply:

SELinux blocks some very basic functionality I use in my Linux systems. That’s why I disable it right away.

SELinux is too complex to learn on the moment that you are setting up a new system and want to deliver real value to your client, or simply want to test new features. That’s why I disable it right away.

I consider myself a security-aware user and sysadmin. I’m pretty satisfied with the level of security I currently employ on my setups, thus I don’t see value to use a new very complex security thing as SELinux. That’s why I disable it right away.

Just to explain why I (still) don’t use SELinux.

I believe security is achieved with awareness, responsability, consciousness. Not limitations.

I also believe that users that don’t have any of those, won’t accept limitations too.

Linux & Open Source

Bytecode Interpreter Patents (used by FreeType) Finaly Expired: Get Ready to Dramatically Improve Font Readability on Your Linux Desktop

The TrueType bytecode interpreter patents have expired !!! It means you’ll get much better and nice looking font rendering on your Linux desktop, by default, without the need of hacking or exchanging packages.

FreeType without Bytecode Interpreter FreeType with Bytecode Interpreter
freetype4-nbci.png freetype4-bci.png
freetype1-nbci.png freetype1-bciaa.png freetype1-bci.png
freetype2-nbci.png freetype2-bciaa.png freetype2-bci.png
freetype3-nbci.png freetype3-bciaa.png freetype3-bci.png

As the writer and mainteiner of the official Linux Font-HOWTO [official home], I feel good now to paste an updated excerpt that explain what is BCI and its implications. Here it goes…

Why Fonts on Linux Aren’t Straight Forward ?

Fonts are used on the screen and for printing. These medias differ a lot in DPI resolution: screens have 72 to 96 DPI, while modern printers use to have 300 DPI. So low-resolution medias as the screen need better font rendering algorithms to workaround the media’s limitations.

To get optimal fonts on the screen you need:

  1. Good fonts designed for low resolution media.True Type font technology evolved to be the best thing you can get nowadays. But for optimal screen beauty, you also need fonts that were designed for this purpose. We found that Tahoma and Verdana are the best fonts you can get for the screen.
  2. A good font renderer.Current Linux distributions include the excelent and very mature FreeType font renderer library.

A .ttf file contains information to draw the characters at any size, so you eventually can convert a text into a scalable outline drawing (built from line segments and quadratic bezier arcs) with tools like OpenOffice.org or CorelDraw.

Font drawing algorithms are extremely complex because they have to decide which pixels to highlight based on the mathematical equations inside the .ttf file. When you need text in big sizes like 48 or 60, one or two pixels these algorithms “forget” to highlight doesn’t make much difference, but when you need text at size 8pt or 11px, each pixel counts. And these use to be the text size for KDE and Gnome widgets, text for web browsing, and almost everything else we see on the screen.

To solve this problem more efficiently, beside of the mathematical equations inside a .ttf file, a font designer (a human being with a font creation software) also put some extra information to help the font renderer make correct decisions for this small size text. This process is called grid-fitting or hinting.

The point is: the technologies to interpret this hinting information are patented by Apple, and they are commonly called True Type Byte Code Interpreters (or simply BCI in our document, from now on).

With reverse engineering, the Freetype Project has implemented a byte code interpreter, but due to legal issues in some countries, some Linux distributions had to disable it at compilation and packaging time.

FreeType tries to workaround this legal issues developing autohinting algorithms, but in our tests, BCI algorithms gave us much better font rendering results on the screen.

Community and SocietyInfo & Biz Technology

Reduzi o custo de minha Banda Larga NET Virtua em 25%

Liguei na NET hoje pelo 5º mês consecutivo para reclamar que estavam cobrando pelo 5º mês consecutivo o NET Fone, mesmo após eu tê-lo cancelado, 5 meses atrás. Minha frase não foi redundante pois faz 5 meses que pedi cancelamento, faz 5 meses que a conta vem errada, mesmo eu ligando todo mês pedindo correção da conta.

A NET tem Inteligência de Serviços que não vale nada. Uma vergonha.

Mas não vim falar sobre isso. Eles ofereceram migrar minha banda larga de 6M (6 megabits por segundo) por R$119,90 para 10M pelo mesmo valor.

Já ia aceitar mas lembrei que a NET faz controle de tráfego (traffic shaping) na minha banda contratada, sentido principalmente com Torrents. Claro que a NET não admite isso, pois é contra a lei, mas (a) isso é obvio para parceber porque NUNCA a soma de meus torrents, por mais populares que sejam, chegam a 6M e (b) conheço pessoas que confirmam que eles tem tecnologia e equipamentos dedicados para isso, como os produtos Cisco NBAR (Network Based Application Recognition).

Aqui em casa usamos a Internet para:

  1. Torrent: baixo muitas distribuições Linux constantemente para testá-las.
  2. Trabalho: e-mail, VPN, navegar na Internet de modo geral.

Resolvi então não migrar para 10M porque não ia adiantar para o ítem 1 e 6M é totalmente suficiente para o ítem 2.

Saiba que sempre que você ouvir a NET dizendo que não comercializa mais certos produtos, é para te forçar a migrar para planos mais caros — mesmo que só 2 ou 3 Reais mais caros — e assim vai aumentando sua renda.

Mas o pior não é você pagar um pouco mais ou igual e sim o inflacionamento mental que essa prática causa.

Quando oferecem esse tipo de migração, você pensa “puxa, é quase o dobro pelos mesmos R$119,90 que já pago”.

E assim você cai na armadilha mental de que precisa de um canhão de 10M na sua casa e nunca mais volta atrás em tamanho e valor, só vai para frente. Bem, para você que age por impulso, eu vou deixar aqui uma verificação técnica consciente:

VOCÊ NÃO PRECISA DE BANDA LARGA DE 10M NA SUA CASA ❢❢❢

Não precisa porque não vai conseguir usar. Não precisa porque é simplesmente muito para um lar típico em 2010.

Então mudei meu plano para 5M por R$89,90. É praticamente a mesma coisa em termos de velocidade — que já está bom — por uns 25% a menos no valor.

Repare que por puro efeito psicológico eles não mantém o 6M e simplesmente diminuem o preço. Eles diminuem a banda para justificar diminuir o preço, e argumentam: “senhor, não estaremos mais comercializando o plano de 6M” — no bom e velho jerundês dos tele-atendimentos.

Isso sem falar nas limitações de transferência que impõem, mas que deixam isso só para as letras miúdas do contrato: por exemplo, hoje (nem nunca), nessa mudança de plano, ninguém do atendimento me informou também que migrei de 60GB de limite de transferência para 50GB. Só ficamos sabendo disso quando estouramos o limite e diminuem a banda de 6M para 200K. Mas isso é assunto para outro artigo…

Community and Society

Nenhum dia de Paz

Transcrevo aqui o texto abaixo de Paulo Wainberg, advogado, escritor e jornalista de Porto Alegre por me identificar muito com ele, sobretudo do segundo parágrafo até mais ou menos o “Deu pra Entender?”.

Nenhum dia de Paz

por Paulo Wainberg 10.06.2010

Não conheço Israel. Nunca viajei para lá e, talvez, um dia, faça uma viagem turística para conhecer os lugares que tanto imaginei, com base em leituras da História e da Bíblia. E também pelas notícias, referências e informações gerais a que temos acesso.

Sou judeu de nascimento, absolutamente nada religioso (aliás tenho restrições absolutas à religião, qualquer religião), ateu de fé, brasileiro e gaucho, orgulhoso do meu País e do meu Estado, colorado genético e não abro.

Assim, resumidamente, apresento-me com um ser social que não teve qualquer ingerência em suas origens, qualquer escolha sobre sua condição como, aliás, somos todos os humanos, frutos de um atavismo eventual que condiciona nossas emoções e, não raro, destorce nossa razão.

Atrevo-me a dizer que, naquilo que nos interessa e diz respeito, é impossível a imparcialidade e isenção, qualidades aplicáveis apenas quando tratamos dos interesses alheios.

O melhor exemplo com o qual conforto meus inevitáveis condicionamentos resume-se a uma prosaica frase: Se eu tivesse nascido na Argentina, acharia Maradona melhor do que Pelé e ponto final!

Com isto quero dizer que somos produtos das contingências e que nossas escolhas pouco influem nas nossas crenças, na nossa formação e nos nosso heróis.

É esta contingência que me coloca na situação peculiar de ser sempre a favor do Brasil, no macro, do Rio Grande do Sul, no micro, de Israel no universal e do Internacional no particular.

Deu para entender?

Vou dar uma última dica: se eu fosse filho de árabes, nascido na Hungria e criado em Viena, torceria sempre para os Húngaros no macro, para os Austríacos no micro, e para os árabes no universal.

Esta perfeita e clara compreensão das dimensões humanas me permitem abordar o assunto do qual teimo em me esquivar mas que, às vezes, não dá: A questão árabe-israelense, que vem à tona sempre que algum incidente acontece por lá.

Tenho certeza que seu eu fosse coreano, não estaria preocupado e poderia tratar da questão com a melhor das isenções e imparcialidade. Assim como faço quando me ocupo de questões coreanas.

Israel, como qualquer país democrático, tem suas mazelas internas, suas lutas pelo poder, suas questões ideológicas, o confronto entre esquerda e direita e um processo político natural em que o Governo é o alvo da crítica constante da oposição e a oposição sempre lutando para se tornar Governo.

Acontece lá, acontece no Brasil, acontece no mundo democrático. Felizmente é assim, ao contrário da maioria dos países do mundo árabe em que as questões do Poder se resolvem pela força ou pela fraude.

Quando a ONU celebrou a partilha da Palestina, criou dois países: Israel e o Estado Nacional Palestino. O mundo árabe preferiu não aceitar o Estado palestino e optou por destruir Israel. Se tivessem gasto toda a energia e o dinheiro empregados numa guerra genocida e cruel na construção de uma nação palestina, teríamos hoje, naquela região, dois grande e pujantes países, ricos, desenvolvidos, fraternos.

Porém, a lógica do fanatismo optou pela pior das idéias: Não quero ter e não quero que tenhas.

Resultado trágico é que Israel, à base de muita luta e de muitas guerras invasivas, cresceu, se desenvolveu e adquiriu o status de grande nação, enquanto os palestinos submeteram-se às políticas fanáticas, de cunho irracional e terrorista, sem abrir mão da condição de refugiados, como se isto fosse suficiente para justificar áreas de influência internacional.

Por que isto aconteceu?

O que levou os tiranos árabes, ditadores, xeiques, poderosos barões do petróleo a optar pela destruição e pela guerra? Quais interesses internacionais de natureza financeira e ideológica impediram que os palestinos tivessem, conforme a comunidade internacional através da ONU proporcionava, um País independente?

São questões cujas respostas são até hoje debatidas e, nunca, encontradas ou aceitas. Para cada versão há uma contra-versão, para cada explicação uma contra-explicação.

Resta um fato contra o qual não há argumento, nenhuma versão resiste à simples análise sensorial humana: Israel foi sempre atacado, jamais atacou.

Foi assim quando o mundo árabe atacou Israel tão logo proclamada a república e nas sucessivas guerras que se sucederam, culminando na prática mais cruel e intolerante de todas: o terrorismo.

Nos limites cabíveis da minha razão, obviamente condicionada em parte por meu atavismo, mas não menos racional, na qualidade de observador distante, noto que a chamada opinião pública internacional está em permanente alerta para condenar Israel, independentemente dos fatos.

E, por isto, afirmo que essa opinião pública internacional é parcial e tendenciosa, sempre contra Israel e suas atitudes no conflito, não importam as circunstâncias, não importam as razões.

Por exemplo, depois de ser, por mais de um ano bombardeado por mísseis de longo alcance disparados pelo Hamas, diretamente da faixa de Gaza, Israel reagiu.

Antes de fazê-lo, inundou a faixa de Gaza de panfletos explicativos, advertindo seus cidadãos da iminência do ataque, que buscassem proteção, que se afastassem da área de conflito, coisa rara no mundo das guerras, porque o inimigo, assim como a população, foi previamente alertado.

Não obstante, o Hamas continuou com suas táticas terroristas de ataque e destruição, bombardeando diariamente, varias vezes por dia, o território israelense.

Quando, por fim, Israel revidou, direcionando o ataque às bases do movimento terrorista Hamas, evitando ao máximo atingir áreas populacionais e reduzir o quanto possível a incidência de vítimas civis, a tal opinião pública internacional voltou-se contra Israel alegando a ‘desproporção da força utilizada’.

Vários órgãos de imprensa do mundo interno, inclusive do Brasil, inclusive de Porto Alegre, chegaram ao desplante de minimizar os ataques com mísseis protagonizados pelo Hamas, como coisa de somenos, como mísseis de pouco poder destrutivo, para justificar suas tendenciosas opiniões no sentido de condenar a atitude israelense.

Israel determinou o bloqueio da faixa de Gaza porque por ela, comprovadamente, entravam armamentos de poderoso teor destrutivo, enviados por países árabes, municiando os terroristas do Hamas para os seus ataques solertes ao território israelense.

Certo? Errado? Não sei. Sei apenas que Israel trava uma luta de sobrevivência que a tal opinião pública internacional teima em não reconhecer.

Mais uma vez me pergunto: por que?

Estará a opinião pública internacional a favor da destruição do Estado de Israel, como querem os terroristas do Hamas e o famigerado presidente do Irã?

Aparentemente, sim.

Talvez essa opinião pública internacional não tenha, ainda, absorvido a culpa pelo Holocausto e prefira destruir, de uma vez por todas, o povo para o qual tem que olhar diariamente, sabendo que permitiu o genocídio nazista.

Talvez seja mais fácil, para a opinião pública internacional, exterminar os que, aos seus olhos culpados, os afrontam com a simples existência, pondo fim ao próprio penar, ao próprio sofrimento culpado.

Agora, no mais recente episódio, Israel interceptou um comboio naval, autodenominado de ajuda humanitária, que pretendia furar o bloqueio imposto à faixa de Gaza.

Qual ajuda humanitária era essa? Por que as pessoas querem ajudar os habitantes da Faixa de Gaza que convivem com o grupo terrorista Hamas e o legitimam, em seu território?

Por que, como costuma acontecer no caso de outros bloqueios impostos por nações em ação auto defensiva, não respeitam o bloqueio imposto por Israel como autodefesa, instinto de conservação e preservação do legítimo direito de existir?

Por que as ajudas humanitárias invasivas são, sempre, lá?

Por que as entidades caridosas internacionais não tentam levar ajuda humanitária a Cuba, por exemplo, desrespeitando o bloqueio imposto pelos Estados Unidos àquele País. Ou a países africanos nos quais a fome é endêmica ou nos quais lutas fratricidas ceifam vidas às centenas. Nestes países pobres a vida humana tem menor valor?

Por que a opinião pública internacional não é tão veemente, insistente e operativa em condenar, com eficácia, os governos autoritários, cruéis e sanguinários existentes nos países Africanos e em muitos países asiáticos?

Por que todas as energias postas a afrontar e condenar Israel?

E quando vejo judeus, por razões de política interna, confundirem questões éticas e humanitárias com interesses políticos localizados, condenando ações israelenses de forma peremptória e definitiva, fico muito indignado.

Primeiro porque, como judeus, não têm direito à isenção e à imparcialidade.

Segundo porque parecem não saber que os que querem destruir Israel utilizam cada palavra dita por um judeu contra Israel, como ‘prova’ de suas teses sanguinárias, jogando-as à comunidade e à opinião pública internacional como suprimento ao manancial preconceituoso, tendencioso e, na maioria dos casos, indubitavelmente antissemita, às suas manifestações.

Acho que árabes e judeus podem viver em paz e harmonia como, aliás, vivem na maior parte do mundo civilizado, através das respectivas comunidades.

Porto Alegre e o Brasil são exemplos disto, mesmo que o nosso Governo teime em amparar e apoiar ditadores sanguinários, do porte do fraudulento presidente iraniano, de candidatos a ditadores como Hugo Chaves e Evo Morales, desfazendo, pelas atitudes, as palavras ditas em nome da democracia.

Onde está a opinião pública internacional que não condena o presidente do Irã por negar o holocausto e por pregar a destruição total de Israel?

E que, sob duvidosas lideranças, lança sanções punitivas por presumíveis ações visando criar armas nucleares, àquele país.

Não esqueçam de uma coisa, isto deve ser dito e repetido até que a opinião pública internacional se dispa dos preconceitos e, pelo menos uma vez, trate da questão com isenção e imparcialidade:

Desde o minuto de sua criação, em 1948, o mundo não concedeu à Israel um único dia de PAZ

Trata-se de um País e de um povo submetido a guerras de destruições, ataques militares e terroristas, sob o acobertamento da ‘opinião pública internacional’ a qual, caso Israel se submetesse, há muito teria sido destruído.

Mais do que fomentar e influenciar para uma paz efetiva e duradoura no oriente médio, a comunidade internacional tem que abandonar seus preconceitos, os fanáticos e oportunistas de ocasião devem ser calados e os povos devem celebrar a Humanidade como o legítimo dom com que a Natureza beneficiou o ser humano.

MobilityMultimedia

FaceTime do iPhone 4 é uma revolução para VoIP, não para video-chamada

Horas depois do lançamento do iPhone 4, twitei sobre como seriam revolucionárias as novas capabilidades de VoIP do iPhone, batizado de FaceTime. Fiz questão de vasculhar a Internet para encontrar empatia naquela visão, mas aparentemente todos estavam facinados somente com o aspecto “videochamada” do aplicativo.

FaceTime é uma nova função integrada na aplicação de telefone do iPhone 4. No melhor estilo Apple do “até minha vó consegue usar isso”, quando estou falando com uma pessoa, seleciono o FaceTime e a conversa vira uma video-conferência usando meu WiFi e o do meu interlocutor. Dispensando apartir daí o 3G. Dispensando a partir daí os custos dos minutos de sua operadora 3G, para ser mais claro.

VoIP de ponta a ponta, completo e gratuito, como conhecemos hoje não é uma novidade. Só é terrível de ser usado:

  • Exige que eu e meu interlocutor sejamos associados ao mesmo provedor de serviço (Skype, VoIP Discount, Gizmo etc) que muitas vezes usa tecnologias proprietárias.
  • Exige que eu e meu interlocutor combinemos horários para nos falar, pois ambos temos que estar conectados em tal provedor.
  • Em geral ainda é usado no desktop ou no laptop, que passam longe de ser portáveis e ergonômicos como um telefone.
  • Para os poucos geeks que já tem aplicações de VoIP em seus smartphones, sabem que a integração é ruim ou até deixam de usar porque é inseguro: o Fring, por exemplo, mantém uma cópia de suas senhas de login em seus servidores.

Enfim, as avós que nada entendem de tecnologia nunca poderiam fazer ligações internacionais gratuitas com VoIP.

Para resolver esses problemas definitivamente e colocar VoIP gratuito e não proprietário nas mãos de todos é preciso uma conjunção de fatores raros:

  1. Poder de penetração nas massas para fazer a tecnologia pegar. A Apple tem isso e se chama iPhone, um objeto de desejo que todos querem. Outra característica importante que a Apple tem é a capacidade de aglutinar tecnologias complexas atrás de um simples botão, com experiência de usuário (UX) e usabilidade soberbas.
  2. Desejo e coragem de tomar decisões impopulares perante seus parceiros em prol de um bem maior de longo prazo relacionado a acessibilidade, padrões abertos etc. A Apple tem demonstrado tal conciência e coragem na famosa guerra Flash x HTML5. A Apple apresenta também um bom balanço entre o uso de padrões e tecnologias proprietárias.

Esse passo tinha que ser dado por um fabricante de celular, mas se pararmos para pensar, Nokia, Microsoft, RIM (BlackBerry), HTC ou nenhum outro tem essa conjunção de fatores. Nem o Google com seu Android chegou no nível de penetração e mind share que goza o iPhone.

Assim que o iPhone 4 cair nas mãos dos desenvolvedores, começarão a surgir aplicações VoIP compatíveis. Os softphones que usam o padrão aberto SIP (centro nevrálgico do FaceTime) praticamente só terão que ser testadas com o FaceTime.

Padrões Abertos que compõem o FaceTime

Padrões Abertos que compõem o FaceTime

Fabricantes de outros smartphones também poderão entrar nesse ecossistema. Só não fizeram antes ou por preguiça de integrar tantos padrões abertos ou por falta de coragem de enfrentar parceiros que mantém hegemonia das telecomunicações, como as operadoras de celular etc.

E falando em hegemonia, este passo da Apple também mina modelos de negócio de telecomunicações baseados em redes inteligentes (também conhecido como “o telefone comum”). VoIP peer-to-peer como o FaceTime se alinha melhor com o modelo da Internet: a rede é burra e a inteligência está nas pontas, na mão dos usuários. Outros VoIP não peer-to-peer, como o Skype, também estão em perigo pois seu modelo proprietário e caro ainda se baseia na inteligência de sua rede (sem o servidor Skype, não há serviço).

Sim, estou ansioso para ter um iPhone 4. Mas estou mais ansioso ainda para ver a materialização desse novo mundo da telefonia fácil e gratuita.

Veja também Inside iPhone 4: FaceTime video calling, excelente artigo da AppleInsider.

Veja também o post do Dia da Mentira no blog do Dev Team (time dos hackers que trabalham no jailbreak do iPhone), postado como mentira mas que após o lançamento do FaceTime revela que  eles tem fontes internas da Apple.

Travels

Férias com Bebê no Tivoli EcoResort, Praia do Forte, Bahia

Saímos de férias para descansar no Tivoli EcoResort que parece ser um dos melhores resorts do pais. Tem lençóis Trousseau na cama, ★★★★★ e tal.

A comida é ma-ra-vil-ho-sa. Mesa ultraextensa no café e jantar (almoço é por fora mas já volto neste assunto). Tem uma baiana sempre fazendo moquecas, risotos baianos etc. Se fossemos ficar mais, íamos ter que comer alface no quarto pra fugir da tentação. E as sobremesas? Ai ai ai !!!!

Pro almoço tem um restaurante carinho dentro do resort, na beira da praia, e outro na beira da piscina mais barato e mais roizfejão. E tem a vila da Praia do Forte a 10 minutos a pé ou a R$10 de tuc-tuc de distância, superlinda, cheia de restaurantes, mas meio cansativo de ir com bebê no calor todos os dias. O restaurante da piscina era prático nessas horas.

A charmosa vila da Praia do Forte

A charmosa vila da Praia do Forte

Ainda sobre a vila, foi um programa legal escolher aleatoriamente um restaurante ali para almoçar e esticar visitando o Projeto Tamar. Às 15h começa um ótimo passeio guiado que explica sobre as tartarugas, seus ovos, tubarões e outros peixes. Por volta desses horários há também alimentação dos tubarões. E tivemos a sorte de estar na época do ano em que o Tamar ajuda na eclosão dos ovos às 17h na praia, então vimos e tocamos as tartarugas recém nascidas. Achei imperdível.

Tartaruga que acabou de nascer no Tamar

Tartaruga que acabou de nascer no Tamar

A praia do hotel é nota 7. quando a maré baixa, ficam umas piscininhas show pros pequenos. Mas tem um rio perto que não deixa a água tão cristalina. OK. Chuveiros, toalhas, piscinas e o quarto ficavam pertissississíssimo da praia, então nada de areia grudada na gente por muito tempo.

Vista do quarto

Vista do quarto

Todas as noites haviam musica ao vivo no jantar ou shows bem bons, mas com a Clarinha ou não curtíamos nada ou ela grudava nos músicos e ficava dançando com eles e o show era ela.

Tem a baby copa que tem tudo que o bebê precisa a vontade e 24 horas por dia: frutas, leites em pó, mucilons, biscoitos, sopas boas no almoço e jantar, liquidificador etc. Eles te mandam o cardápio por e-mail se você pedir. E não é necessário levar nada especial para os pequenos, tem tudo lá.

Jamais na vida esquecerei os passeios noturnos em que levava Clarinha para adormecer no carrinho e aproveitava para me embebedar com a brisa morna que vinha do mar e me banhar com a luz das estrelas. Numa dessas, Clarinha não dormia mas estava mansinha, sentei com ela no escuro em frente ao mar e lhe contei coisas de pai pra filha. Foi emocionante, mesmo que ela não entendia nada. Dormiu abençoada pelos coqueiros dançantes logo depois.

Tem também a brinquedoteca que é show e a Clarinha passou e passaria horas brincando lá. E é ali o centro de socialização dos bebês e dos pais deles (engraçado que todos os pais conhecem os nomes de todos os bebês do resort mas acabam não se apresentando diretamente e ficam no “oi mãe do Renato, eu sou o pai da Clara”… fenômeno infantosocial interessante esse). Lá também pode-se contratar babás a R$13 por hora. É um serviço bom e legal e todos os pais lançaram mão dele, uns menos, outros mais e outros 100% do tempo, tipo full outsourcing.

Uma das piscinas do hotel

Uma das piscinas do hotel

Um lago no hotel

Um lago no hotel

Na época em que estivemos, de segunda a quinta o hotel é totalmente privê. Tipo mais de 200 quartos para umas 20 famílias. Num dos finais de semana, o hotel recebeu um evento e encheu bem, significa mais comida, mais música, mais shows etc. Divertido também mas menos privê.

Sobre preços, não foi muito barato. Principalmente porque pegamos um quarto melhor, mais perto do centro nevrálgico das piscinas, restaurantes, brinquedoteca etc, por causa da Clara e tal. Mas negociamos bas-tan-te e a agência ViaBR foi a que nos fez a melhor oferta.

Passar as férias num resort não é uma viagem de conhecimento e auto-conhecimento como as que fizemos para Asia Central com a Latitudes, mas nós adoramos !

Web 2.0

Carta Aberta a um Site Péssimo [casaprontamoveis.com.br]

Hoje mandei esta mensagem para o Facebook da CasaProntaMóveis após ficar extremamente frustrado com seu site:

Procurei vocês como especialistas em móveis, então por favor me escutem como especialista em Internet:

Desculpe a franqueza mas seu site é completamente inútil para vocês e para seus clientes. Explico…

Preciso comprar um móvel e como tudo ultimamente, olharei fotos na Internet, farei ligações para negociar preços, talvez visitarei pessoalmente uns poucos que realmente gostei depois de ver bem na Internet e pronto. Se for possível, se as fotos no site forem boas mesmo, fecharei por telefone mesmo.

Mas seu site não é um site. É um catálogo impresso cheiroso que toca música e não tem cheiro porque cheiro ainda não passa pela Internet.

Minha sugestão é que troquem palavras como “Coleções”, “Mostra” — que só fazem sentido para vocês e para sua agência de marketing — por “Quartos Prontos”, “Produtos” — que são entendidos por qualquer um. E se forem dizer que seus clientes entendem aquelas palavras, não se enganem, porque eu sou um potencial clientes e não entendo. Talvez eu entenderia ao vivo, numa loja, quando imediatamente um vendedor me explicasse e me mostrasse o que significa uma “Mostra Casa Pronta”, mas caindo de para-quedas no site eu não entendo.

E esbanjem fotos de produtos, de todos os ângulos. Não de praia, areia, bicicletas na montanha etc — porque não é isso que vocês vendem — mas de PRODUTOS, só produtos. Claro, temperando com o estilo de vida que é sua marca, mas não passem o estilo de vida na frente dos produtos. Não na Internet, de forma alguma.

A quantidade, qualidade e tamanho das fotos por produto deve ser convincente o suficiente a ponto de um desconhecido entender o produto. Depois de ver, deve poder dizer com firmeza se o produto faz seu estilo ou não. Mas as fotos que tem em seu site e no seu blog ou são pequenas de mais ou demoram muito para aparecer devido a tantas animações e musiquinhas inúteis. Não tive paciência de esperar. Um ótimo exemplo de fotos enormes é o conhecidíssimo BigPicture. Vejam essas como impressionam. Não tem porque um site cujos produtos são móveis ter fotos menores.

Diga também a quem fez seu site que cometeu um erro fatal ao fazer tudo com Flash. Se houvesse um “Tribunal da Internet” ele o levaria à prisão perpétua.

Seu Facebook é inútil também. É um Facebook pessoal e não de uma empresa. Poderia ser muitíssimo mais bem aproveitado se algém na empresa tivesse tempo de administrar. Se não há tempo, talvez seja melhor fechá-lo ou não divulgá-lo tanto assim.

Enfim, desculpem novamente a franqueza, mas sou um profissional desta área e prefiro investir meu tempo dando a vocês essas dicas para melhorar seu site e experiência com a web e acabar comprando minha cama king numa loja que tenha um site melhor.

Em matéria de Internet, vocês foram mal assessorados. Lamento por isso.

Um bom ano,
Avi

Community and SocietyMultimediaWeb 2.0

Como será sua próxima TV

Antena ou “conversor” digital é bobagem para quem tem TV a cabo. Só serve pra quem precisa captar sinal digital do ar e por enquanto só serve para a cidade de São Paulo.

Sobre OLED vs LED vs LCD vs Plasma, é o tipo da coisa que você só sente a diferença de imagem na loja, quando vê a mesma imagem passando em tecnologias diferentes. O importante é você não entrar numa tecnologia que deixaram pra trás, tipo Plasma, e entrar no que é bom em termos de custo/benefício hoje. Meu pai comprou uma LG LCD uns meses atrás com fatores de contraste e luminosidade superbons e preço bacana. E lembre-se que 3 minutos depois que o filme começar, deitado no sofazão, comendo pipoca, o que importa é a emoção e não mais a tecnologia. Este é o fator mais importante.

As novas TVs de ponta são computadores que você liga na rede da sua casa e acessam a Internet e tal. Verdadeiras estações multimídia. Isso chama muito a minha atenção porque entendo de todos os aspectos desse assunto. Só que em todos os testes que andei fazendo (e acho que ninguém testou isso tanto quanto eu), fiquei meio frustrado.

Há uma razão para isso: já que são computadores, são plataformas e plataformas só dão certo se tem escala, grande massa de usuários, de hackers, e mantenedores comprometidos, constantes e interessados. As TVs com Medi@ 2.0 da Samsung são uma ótima idéia e tem um computador lá dentro (que roda Linux !!) mas é algo fechado e proprietário da Samsung, e como plataforma tem pouco alcance e gera pouco interesse técnico. Por isso tem uma evolução com os dias contados para terminar. Uma pena.

A sua próxima TV eu não tenho certeza qual será. LCD, LED, etc. Mas com certeza terá um computador conectado a ela, interno ou externo, manipulado por um simples controle remoto. Esse conjunto vai engolir todos os seus CDs e tocá-los como música de fundo ao mesmo tempo que suas fotos deslizam pela tela da TV. Suas estantes vão ganhar espaço livre e revelação de fotos será coisa do passado.

Uma infinidade de rádios online, de todos os estilos, estão a dois bytes de distância. Videos educativos, seriados, produções independentes, fotografias, podcasts. Interatividade da Internet, agora na TV. Pessoas vão se conectar através da TV.

Filmes HD tocam nesse computador+TV também, eventualmente dispensando completamente o BluRay. E sua esposa vai passar a encomendar, ou ela mesma a baixar, filmes e música da Internet.

Community and Society

História da Minha Família

…ou porque tenho um nome tão diferente

Um colega me pediu para contar a história da imigração da minha família para o Brasil no trabalho escolar de seu filho de 8 anos. Isso era algo que fazia tempo já queria publicar aqui.

Quem da sua família imigrou, isto é, veio para São Paulo ?

Minha familia inteira imigrou. Meu pai, minha mãe, minha irmã e eu.

De que país veio ?

De Israel, onde nascemos eu e minha irmã. Antes, meus pais migraram da Bulgaria para Israel muito pequenos também e se conheceram e casaram já mais adultos em Israel.

Por que veio para o Brasil ?

História curta: porque meu pai sentiu saudade do Brasil.

História comprida: porque o irmão mais velho do meu pai (também nascido na Bulgária) não se adaptou a Israel e veio tentar a vida no Brasil mais ou menos no fim dos anos 50, seguindo os passos de uns primos que já estavam aqui. Se deu muito bem financeiramente, e também casou com uma portuguesa da Ilha da Madeira, minha tia Ângela. Nessas alturas, meu pai, Zari, terminava o exército em Israel, tinha uns 19 anos e a vida inteira pela frente. Provavelmente só pensava em picar a mula para qualquer parte do mundo (que nos anos 60 começava a ficar ao alcance das mãos). O Brasil foi o destino escolhido porque seu irmão Jak estava aqui e estava bem, mas não havia nenhuma atração por florestas ou frutas exóticas. Segundo meu pai, ele nem sabia direito o que era o Brasil (naquela época informação em geral não era tão acessível) mas meu pai só queria escapulir, dar o próximo passo em direção ao mundo, seja para onde for.

Mas, nessa ocasião, meu pai veio para o Brasil com 19 anos, solteiro, de navio, via Nápoles. Comeu pizza pela primeira vez na vida, na Italia, durante uma escala, sem nem saber como aquilo se chamava e achou a coisa mais deliciosa do mundo.

Passou 10 anos no Brasil e mudou sua visão de mundo. Transmutação total. Um de seus melhores amigos de noitadas e saidas era Gregório, irmão de minha tia Ângela.

Meu pai mexia com eletrônica e sonhava trabalhar na Olivetti como algum tipo de técnico. Mas a revolução de 1964 obrigou-o a mudar de profissão e meu tio ajudou-o a entrar no ramo da confecção de roupas — algo pelo que na época meu pai tinha completa repulsa. Mas ele foi aprender a costurar, sim.

Em 1971 ou 72 voltou “definitivamente” para Israel, conheceu minha mãe através de parentes da comunidade búlgara em Israel — idosos que não tem o que fazer, jogam cartas semanalmente e inventam matchmaking para os sobrinhos recém chegados do Brasil.

Minha mãe era secretária na gravadora CBS. Mente alerta, lingua afiada, coração mole. Era necessário conhecer especificamente a ela para entender porque o israelense nativo (apesar de ter nascido na Bulgaria, veio com 2 anos para Israel) é chamado de Sabra (conhecido como figo-da-índia no Brasil) — a fruta que é dura e espinhosa por fora, mas que se revela suave, doce e delicada depois de se remover a proteção da pele.

Não sei como, quatro meses depois meus pais se casaram, fundaram uma pequena fábrica de vestidos e foram tempos difíceis. Nascemos eu em 1973 e minha irmã em 1975. Vivíamos em Holon, cidade da grande Tel-Aviv.

Finalmente meu pai sentiu saudade do Brasil, dos amigos que aqui fez. Por volta de 1977 ou 78, meus pais decidiram migrar e enfretaram todo tipo de problemas desde papeladas burocráticas até manipulação familiar de todos os lados. Demorou creio que mais de um ano até sair a aprovação do governo brasileiro e finalmente podermos sair de Israel.

Quantos anos tinha na ocasião ?

Eu tinha 4, minha irmã 2 anos.

Que meio de transporte utilizou? Quanto tempo durou a viagem ?

Viemos de avião comercial, por uma longa viagem (eu era criança e perdi noção do tempo), pois meus pais decidiram aproveitar e fazer turismo pela Europa.

Paramos na Bulgaria porque meu pai precisava pegar uma herança em Levs — moeda da época — e curiosamente precisávamos gastá-la toda ali também, pois o país — soviético na época — não permitiria trocar por dólares nem sair com aquele dinheiro todo do país (provavelmente sem valor internacional nenhum). Então, se não me engano, ficamos na Bulgaria sem data para sair, em hotéis de “luxo padronizado” do governo socialista, que serviam um café horrível, segundo lembravam meus pais.

Meu pai conta que tentou comprar a melhor máquina fotográfica russa que encontrou e assim por diante. Além disso, acho que demos dinheiro para uma parente necessitada e tal. Simplesmente não tinhamos o que fazer com aquele dinheiro todo num país comunista.

Fomos também para Viena, Grécia e mais alguns lugares.

Quando chegou aqui? Com quem foi morar ?

Fomos morar provisoriamente com o meu tio Jak e sua família que moravam num apartamento na rua Prates no Bom Retiro, bairro industrial de São Paulo.

Depois meus pais criaram uma confecção infantil chamada Tali Modas, na Rua Nílton Prado No. 51, no Bom Retiro também e passamos a morar nos fundos dessa fábrica.

Era um sobrado verde e amarelo com uma agência do Itaú ao lado e uma sinagoga com escadaria grande em frente. O sobrado não exite mais ou foi completamente tampado por um muro de uma fábrica. A agência e a sinagoga tenho curiosidade para saber como estão.

No sobrado, o quarto dos meus pais era também a sala de visitas e a escadaria externa era onde minha irmã e eu amarrávamos retalhos de tecidos para fazer algo que lembrava uma cadeira de balanço. Fábrica e moradia eram no andar de cima. E no andar de baixo viviam uma senhora idosa e sua filha loira tingida de uns 40 anos que gritava “já vai!” quando o telefone tocava. Anos depois esse andar de baixo virou a Júpiter Malhas, uma malharia infantil que meus pais e meus tios Jak e Ângela criaram em sociedade como segundo negócio. Foi muito bem sucedido mas tiveram que fechar pois meu primo Rami morreu com 19 anos, vítima de leucemia, e meus tios não tiveram condições emocionais de tocar tantas iniciativas.

Tempos depois, nos mudamos para um apartamento em Perdizes onde eu dividia um dos quartos com minha irmã. No começo da adolescência reinvidiquei muito e o 3º quarto — o que era saleta de TV — passou a ser meu. Meus pais continuaram a morar nesse apartamento até hoje.

Onde foi trabalhar ?

Enquanto meus pais trabalhavam na confecção infantil que fundaram, eu e minha irmã fomos estudar numa escola judaica do bairro chamada Talmud Thorá, que também ficava no bairro.

Na 5ª série me mudei para o colégio Renascença, que ficava na rua Prates, por indicação de uma amiga de minha mãe, a Chava. Isso aconteceu no meio do ano letivo, logo após passarmos as férias de junho em Israel. Não fez muito bem para o meu desempenho escolar e hoje sei que isso não era muito importante. A mudança social e de ambiente escolar é que precisava de mais atenção. Mas as palmadas que eu levava da minha mãe eram pelas notas vermelhas mesmo.

No início da vida no Brasil, enfrentou dificuldades? Quais ?

Minha mãe não sabia falar português. Ela provavelmente passou por dificuldades sociais pois não tinha parentes aqui, não conhecia ninguém etc. Mas aos poucos, provavelmente, a vida no Brasil se revelou financeiramente mais fácil para ela, apesar de sempre haver a saudade da família em Israel, mesmo com o mundo diminuindo de tamanho a cada dia e o telefone encurtando as distâncias.

Está satisfeito com a mudança? Por quê ?

Não sei dizer, porque como vim com 4 anos, para mim não representou uma mudança. Mas posso dizer que vivo feliz no Brasil !

Ainda mantém contato com a terra natal ?

Sim, temos muitos parentes em Israel. Lembro que voltávamos para visitar Israel a cada 3 anos, mais ou menos. Meu pai com menor, minha mãe com maior freqüência.

A família ainda conserva algum costume desse país? Qual ?

Sim. Mesmo vindo pequenos, eu e minha irmã ainda falamos hebraico, conhecemos canções etc. A cultura de nossa família e terra natal, e a terra natal de nossos antepassados (Bulgaria), e antepassados de nossos antepassados (Espanha) é muitíssimo presente em elementos da língua, culinária e também vestimentas. Estes eu gostaria de manter e repassar aos meus filhos. Mas outras tradições, mais ligadas a religião judaica, eu selecionaria para eliminar de nosso dia-a-dia e arquivar, virar somente e novamente a história da minha família.

Community and SocietyMobility

Como comprar e quanto custa um iPhone usado

Furtaram meu iPhone 3GS 32GB na festa de aniversário fechada da minha filha. Fiquei chateado, principalmente porque usava até o último recurso do aparelho de forma muito produtiva.

Decidi comprar outro, desta vez no Brasil mesmo, mas eu tinha um complicador: minha linha é corporativa. Isso significa que minha conta tem tarifas muitíssimo baixas, tanto que no longo prazo não compensaria abandoná-lo e mudar para outro plano que incluísse iPhone. Linha corporativa significa também que não acumulo pontos, coisa que é usada pelos mortais para trocar por aparelhos melhores [e, nas letras miudas do contrato, por mais fidelidade com a operadora].

Então fiquei com as seguintes alternativas:

  1. Entrar numa loja qualquer (Vivo, TIM, Claro, FastShop, etc) e comprar um aparelho sem plano, com o preço cheio.
  2. Usar os pontos de algum parente que não se interessa por ter um iPhone e assim conseguir um preço melhor. O problema é que nenhum parente tinha pontos acumulados ou se enquadrava nesse tipo.
  3. Comprar um iPhone usado.

Optei pelo usado, mas onde encontrar e quanto seria o preço justo a pagar por ele? Logo percebi que essa última pergunta tem uma reposta nebulosa e complicada. Mas o raciocínio é simples:

Paga-se por um iPhone 3GS 32GB novo (modelo top hoje em dia), na caixa, nacional mas desvinculado de operadoras, 1 ano de garantia, com meu nome na nota fiscal, na Fast Shop, R$2159. Este é o preço da etiqueta (R$2399) menos 10% depois de negociar bastante, e é o preço mínimo que a loja pode chegar. Atravessando a porta da loja após comprá-lo, ele vale de 20% a 25% menos. Isto é uma lei do mercado, bem conhecida no ramo de automóveis principalmente.

Ou seja, um iPhone 3GS 32GB (modelo top hoje em dia) seminovo, nacional mas desvinculado de operadoras, uns 360 dias de garantia restantes, com o nome de outra pessoa na nota fiscal, não pode custar mais do que R$1673 (R$2159 menos os 22.5% do “saiu da loja”) e quem paga mais está inflacionando o mercado.

iPhones importados devem custar menos ainda pois não há como obter e acionar a garantia aqui no Brasil e não são oficialmente desbloqueáveis (só via jailbreak e unlock — estupidamente considerado crime pela Apple —, se estiver disposto a ir por esse caminho tortuoso).

Nem preciso dizer que no Mercado Livre há gente tentando vender aparelhos por bem mais do que um novo da loja. Mas isso é normal para um objeto de desejo que costuma distorcer a percepção do mercado, tanto para quem compra quanto para quem vende. Bem, não vamos cair nessa porque somos informados.

Mesmo assim, no Mercado Livre encontrei uma boa oferta de um vendedor particular honesto. Negociei o valor e fechamos por R$1500. Seu iPhone é da Vivo (a operadora do meu plano corporativo também), ótimo estado, tinha nota fiscal, uns 8 meses restantes de garantia, todos os acessórios perfeitos, caixa original, desbloqueado oficialmente pela Appel a pedido da Vivo.

Diga-se de passagem, gostaria de dizer que é um porre negociar pelo Mercado Livre porque eles exigem que se faça tudo por escrito ali no site. Uma negociação que aconteceria em 20 minutos por telefone mesmo, pode demorar até 2 semanas naquele esquema. Sugiro ao Mercado Livre melhorar isso e permitir às pessoas se comunicarem diretamente. De outra forma, os usuários acabam dando um jeito de usarem o CEP como meio de passar o telefone para entrarem em contato e quebrarem as regras do site, que são muito chatas.

O que observar na hora da compra

Eu não compraria de um desconhecido seu iPhone usado para recebê-lo pelo correio. A coisa certa a fazer é marcar um encontro na loja da operadora do vendedor (no caso de um iPhone nacional) pois assim pode-se verificar desbloqueio, nota fiscal etc.

Com o aparelho em mãos, observe e teste o seguinte:

  1. Aparencia externa. Riscos no plástico de trás e no vidro.
  2. Cheque se todo os acessórios estão aí: carregador, cabo de dados, agulha de metal que abre a gaveta do cartão SIM, guia de referência rápida, fones de ouvido.
  3. Entre em Configurações►Geral►Sobre e veja se o IMEI é o mesmo que aparece na nota fiscal.
  4. Veja se o nome e CPF que aparece na nota fiscal é o mesmo que está na carta de transferência (veja carta abaixo).
  5. Teste todos os botões físicos: principal redondo em baixo, os de volume e o de vibrar na lateral e o de ligar/desligar em cima.
  6. Todos os pixles da tela devem acender. Teste algumas aplicações e observe bem.
  7. Multitoque, por exemplo, fazendo zoom na aplicação de mapas ou browser.
  8. Acelerômetro, que faz a tela girar conforme o aparelho é virado. Use o browser ou a aplicação de fotos para isso.
  9. Sensor de GPS deve ser testado ao ar livre com a aplicação de Mapas. Ele funciona bem quando o círculo azul semi-transparente fica muito pequeno ou desaparece (as vezes demora alguns segundos para isso acontecer) e quando a bolinha azul forte marca no mapa exatamente a posição em que você está. Erro maior do que 5 metros ao ar livre não é aceitável.
  10. Sensor de sentido ou bússola. Gire o aparelho ao usar a aplicação Bússola que deve apontar mais ou menos para o norte.
  11. Faça e receba ligações testando o fone, o microfone e coloque em viva voz também para testar os alto falantes.
  12. Veja se o aparelho nunca foi molhado olhando no fundo do buraco do fone de ouvido. Deve estar branco. Se estiver vermelho ele foi molhado.
  13. Para testar a porta de conexão USB, se possivel, conecte o aparelho num computador e veja se é ao menos reconhecido como câmera. Não é nessário sincronizar com iTunes.
  14. Fones de ouvido, ambos os lados, microfone e os 3 botões (de volume e auxiliar) que ficam no fio.
  15. Tire fotos e veja-as em seguida.
  16. Faça filmes e assita-os em seguida.
  17. Ative o WiFi e tente navegar na Internet. Se você estiver num lugar público urbano deve ao menos aparecer uma lista de pontos de acesso.
  18. O desgaste da bateria é importante mas não há como testar isso rapidamente.

Para que você possa usar a garantia, requisitar desbloqueio oficial no futuro etc, além do aparelho, acessórios e nota fiscal, o vendedor precisa também entregar a seguinte carta (adapte as partes em vermelho para o seu caso) com a assinatura dele reconhecida em cartório:

Eu, NOME DO VENDEDOR, RG 123.456.789-0, CPF 987.654.321-0, declaro que transferi a posse e propriedade do aparelho móvel Apple iPhone com IMEI 1234567890 para NOME DO COMPRADOR, RG 123.456.789-0, CPF 987.654.321-0.

Assinado:____________________

NOME DO COMPRADOR

Na loja da operadora, mostre a nota fiscal e esta carta e confirme com o funcionário da operadora de que tudo está em ordem e que não haverá problemas no caso de você — novo proprietário do iPhone — precisar acionar a garantia.

Depois de tudo isso acertado, curta seu novo iPhone !

MultimediaWeb 2.0

The Flash versus Apple War

This is my reaction to The iPad provides the ultimate browsing experience? that appeared on the Flash Blog.

I’m not an Apple fan but I tend to disagree with that campaign of Flash support.

Clearly, this is another platform war. The Apple platform versus the Flash platform. It is very strategic for Apple to keep the attention of developers on the platforms and technologies they support. Supporting Flash means the opposite for Apple, so this is why they won’t allow it.

In this case I’ll be with Apple because their platform is the pure browser, standard, open HTML5 with XML-SVG and JavaScript – which all sum a platform as exciting, beautiful, colorful, dynamic, interactive as the proprietary Flash, but open.

Flash is proprietary, bad for SEO, bad for the semantic web, bad for deep linking, bad for the customer, good only for lazy web developers.

I hate visiting websites entirely built on Flash.

So if you, web developer, want to support your web apps on the iPad, iPhone, iTouch etc, just use standard web technologies (to cite them again: HTML5, SVG, JavaScript). Oh, by the way, all other browser will be (or should be) supported right away because these are the good technologies.

The only thing Flash is still useful for is playing streamed MP4+H.264 video. Nothing else.

Multimedia

Samsung LED TV with Medi@ 2.0 is not ready for me

Today I spent several hours testing the almost amazing Samsung LED TV on a local store. More specifically the UN40B7000 model.

The image quality is great and all but I was more interested in the digital multimedia features included in these new models, branded Medi@ 2.0 (or Media 2.0). You actually plug these TVs on your home network and can access media content on a home DLNA/UPnP server or the Internet.

Well, I tested almost all features and I can say it is a good product but its not ready for me to buy, and let me point why:

  1. MKV (Matroska) video files with DTS audio tracks won’t play audio. I got a message on the screen saying the audio codec is not recognized. Well, DTS is pretty popular.
  2. Chapter information embedded on MKV video files will be ignored. Also, if you want fast forward a movie, 2x is the fastest you can get.
  3. There is no way to choose which audio track embedded on a MKV or MP4 file will be played, in case you have video files with multiple audio tracks.
  4. Subtitles embedded in MKV and MP4 movie files are ignored. Apparently only external subtitles files are supported but I didn’t tested it because I embed all my videos with their subtitles. Anyway, external subtitle files may lead to other problems such as charset selection and I couldn’t find any menu option for such things.
  5. To search the handy embedded YouTube application you have to use the numeric keypad on the remote control as you type SMS in those old fashioned cell phones.
  6. I can live with all the above but there is one unacceptable super irritating limitation: you can’t browse other files or slideshow photos while music is being played. So you browse your MP3s, select an album to play and you are stuck there. If you try to go back to the menus, the music will stop playing. This is soooo 1980.
  7. It is very difficult to find complete specifications for this TV. For example, the list of supported codecs etc. Samsung website has a nice design but is very non practical and doesn’t provide enough information.
  8. A friend that owns this TV claimed the (very expensive) Samsung USB WiFi accessory for this TV can’t connect to his WPA secured wireless network, only week WEP encrypted networks.

It has some good points too, but again, the limitations above currently stop me from buying this LED TV:

  1. Slim, nice, beautiful menus, integrated remote control.
  2. Plays general simple MKV full HD movie files with high profile H.264 compression.
  3. As a DLNA/UPnP client, this TV works very nicely and immediately recognized and played streamed content from a Windows Media Player shared library (its a UPnP server underneath) I configured in 5 minutes on my laptop. Although I found it a a bit slow to browse the library, even connected with an ethernet cable.

I was ready to buy this piece of digital integration but left the store a bit disappointed. But I’ll keep watching their product line and hope Samsung will improve their Linux-based firmware.

Community and SocietyEcology & Environment

Quanto Custa Não Ter Carro em São Paulo

Em abril contei para vocês que deixei de ter carro argumentado que minha vida ficaria mais verde e mais barata. Bem, vejamos.

Valorizo meu tempo e muitas vezes preciso chegar rápido aos meus destinos, então não penso duas vezes antes de chamar um taxi.

Mas cuidado. Não troquei um carro por um taxi. Esforço-me para encontrar carona (desenvolvi cara-de-pau para isso) e uso metrô e ônibus quando possível. Taxi é minha última opção quando não há nenhuma outra disponível.

Então vamos aos números:

  • Dias corridos que fiquei sem carro até hoje (8/abr — 15/dez): 251
  • Número de corridas de taxi nesse período: 65
  • Dinheiro total gasto com taxis: R$1.198,35
  • Gasto médio com taxi por dia (incluindo os dias que não usei taxi): R$4,79
  • Média de corridas por semana, no período: 1,82
  • Valor médio da corrida: R$18,43
  • Gasto médio mensal com corridas de taxi: R$143,2

Quando tinha carro, acredito que gastava uns R$300 por mês em combustível. Fora IPVA, seguro, manutenção, estacionamentos, preocupações, depreciação anual do carro, perda de custo de oportunidade. E multas, muitas multas injustas.

Novamente, cuidado ao interpretar esses números pois este é meu contexto de vida:

  • Minha esposa ainda mantém seu carro. Temos somente um carro na família — um Honda Fit. Carro pequeno, pois temos pavor ideológico e racional de carros grandes.
  • Minha esposa e eu trabalhamos próximos um do outro então é comum eu ir de manhã com ela de carro. Às vezes, se os horários coincidem, voltamos juntos de carro também.
  • Nos finais de semana as coisas acontecem mais em família então vamos juntos, de carro, para onde for.
  • Trabalho numa empresa enorme e sempre encontro uma boa alma que me dê carona para casa ou para muito próximo de casa.
  • A mesma coisa de manhã. As vezes vou com uma colega de carona. E, em seus dias de rodízio, ela vem comigo de taxi — eu pagando integralmente, como forma de retribuir a carona.
  • Quando o clima é mais ameno e quando tenho mais tempo, adoro usar transporte público. É um tempo que ganho para mim, para ouvir música, observar as pessoas, ler, ouvir podcasts, resolver coisas por telefone etc. Usaria muito mais se os pontos fossem mais próximos de meus destinos.

Mesmo com esses fatores favoráveis, acho que não sou ponto fora da curva. Acredito que existam muitas famílias que poderiam reduzir o número de carros na garagem com um esforço mínimo e sem perder o conforto que um carro dá.

E claro, ainda por cima economizando dinheiro.

Para quem quiser ver os detalhes, trajetos, valores etc, anotei e continuarei anotando todas as corridas de taxi numa planilha pública.

E lembre-se: seu carro poluiu em sua fabricação muito mais do que você poluirá ao usá-lo em toda a sua vida útil.

Linux & Open SourceWeb 2.0

Drupal is Gonna Change Your World

Forget expensive and proprietary MS Access. Forget about applications built on top of complex muiltitab spreadsheets. Drupal with Content Construction Kit, Views and Faceted Search are the right and way better solution for you.

Forget about building Flash-only web sites. Drupal and its modules is a better and semantically correct way for your Web 2.0 site.

Forget about PHP, ASP, JSP development from scratch. Drupal and its modules will put your site running faster with near zero programming.

This is a just a note for people building websites and general applications.

Linux & Open SourceWeb 2.0

Eu, Drupal e a Arrebentação

Dediquei-me nos últimos meses a estudar o Drupal. Fiz isso nas horas vagas (tipo da meia noite às 6 da manhã) e foi uma longa curva de aprendizado.

Para quem não sabe, Drupal é um Sistema de Gerenciamento de Conteúdo (CMS) para a Web. Um fazedor de sites, em outras palavras. Quaisquer sites.

Umas semanas atrás ultrapassei o ponto da arrebentação. Agora é só um mar de calmaria, ou seja, a luta contra o maremoto da falta de conhecimento foi ultrapassado. Minha saga com CMSs começou com o WordPress, quando montei este blog que vos fala. A partir daí aprendi o que é um conteúdo atômico, como gerenciá-lo corretamente, taxonomias, tags, feeds, mashups, blogosfera, e as maravilhas da web semântica.

O WordPress é um CMS otimizado para blogs e por isso ele se dá ao luxo de ser fácil de usar. OK, você pode fazer outros tipos de sites com ele, mas isso exige uma violenta intervenção em seu mecanismo de temas, e ao longo do tempo esse site não-blog se tornará ingerenciável — uma aberração.

Se o WordPress foi feito para fazer blogs, Drupal foi feito para fazer qualquer tipo de site. O custo disso é que os elementos que o constituem são mais abstratos e por consequência mais difíceis de se entender. Além do mais, o Drupal Core por sí só é meio feio, pouco prático e não faz muita coisa.

No processo de aprendizado, é necessário dedicar uma boa lapa de tempo para conhecer seu ecossistema de plugin e extensões. Ultrapassar a arrebentação então constitui em vencer os seguintes passos:

  1. Entender os elementos básicos do Drupal e suas correlações: nó, taxonomia, URLs limpas, módulos, papéis (roles) e permissões, temas, etc
  2. Conhecer um conjunto razoável de módulos que se integram bem e que extendam enormemente a funcionalidade do Core. Alguns exemplos de extensões/módulos poderosíssimos: Views, Content Construction Kit, Busca Facetada, Painéis, CSS Injector

Construi dois sites relativamente complexos, semânticos, com múltiplos tipos de categorias, buscas facetadas, layouts diferenciados, look profissional etc, sem escrever sequer uma linha de código. OK, para não enganar vocês escrevi umas 30 linhas de CSS para embelezar alguns elementos da página. Só. Posso dizer que há algumas dezenas de pessoas encantadas com um deles, rodando na Intranet da minha empresa — IBM— e que ele é tão funcional, simples e interessante que até meu chefe comprou a idéia e está vendendo-o empresa a dentro.

Drupal tem o mérito de juntar duas características importantíssimas que cada uma por sí só já é ultravaliosa:

  1. Seu Core é extremamente bem arquitetado visando economia e extensibilidade total.
  2. Conseguiu montar um ecossistema de extensões que tornam o trabalho (depois da arrebentação) um prazer altamente produtivo.

Há outros CMSs por aí — Plone, Joomla etc —, não os conheço na prática. Mas acho que dificilmente alcançaram a maturidade e a solidez do Drupal. O retorno disso é que Drupal está conquistando algumas referências incríveis como o site da Casa Branca, Sony, MTV, etc.

Anotem esta previsão: Dentro de 2 ou 3 anos, Drupal estará para o mundo dos sites assim como Linux está hoje para o mundo do Sistemas Operacionais — não fará nenhum sentido criar um site sem ele.

Community and SocietyGourmet

Por que Castanha de Cajú é tão cara ?

Veja que preços estranhos:

Preço do kg Origem
Castanha de Cajú graúda R$39,90 Norte e Nordeste brasileiros
Macadâmia R$38,90 Australia, Hawaii, África do Sul
Amendoa R$29,90 Oriente Médio

Alguém pode me explicar por que a castanha de cajú é mais cara que essas outras castanhas importadas visto que o cajueiro nasce e cresce espontaneamente, quase como praga, em vastas regiões quentes do Brasil ?

Me parece que deve haver um monopólio na distribuição da castanha, falta de concorrência etc, que define o preço que quiser.

Lamentável.

MobilityMultimedia

How the iPhone 3GS records videos

Here are some technical details an analysis about the formats used by the Apple iPhone 3GS to record video.

This is an annotated screenshot of the excellent Mediainfo by Jerome Martinez.

Mediainfo screenshot analysing an iPhone recorded video
Some notes:

  1. Apple always uses MOV as the extension for standard MP4 files. The recorded video uses an MP4 container so it is capable of holding modern content and tags. Read on.
  2. Very cool: the iPhone ads geotagging to the video file with latitude, longitude and altitude information.
  3. Video is compressed and encoded with one of the most modern codecs available: H.264. The compression profile used is Baseline at level 3, the one optimized for low power CPUs.
  4. 3.5mbps average bitrate. Quite high but expected for a low power device compressing on demand. Lower bitrates with minimal quality loss can only be achieved by multipass compressions with higher level proviles.
  5. The video is a standard VGA 640×480 pixels per frame, with average of 30 frames per second. This is almost DVD quality.
  6. Audio is compressed and encoded with the MPEG-4’s AAC low complexity codec, the same used by popular M4A audio files. But it is mono, only one channel, no stereo audio.

Having said that, videos generated by the iPhone are ready for streaming over the Internet directly to Flash multimedia players. You may need conversion/recompression/transcoding only if you want to reduce the file size and bit rate. Otherwise, current popular Flash players that you already have installed in your browser are capable of playing these video files.

Here is a more detailed analysis generated by mp4dump utility on Linux, from the mpeg4ip Open Source project.

Mobility

Vale a pena comprar um iPhone em outro país?

Sobre este tema, há um ótimo post no ótimo Blog do iPhone. Eis alguns comentários:

Um iPhone 3GS 32GB (modelo top de hoje) custa no Brasil, a preço cheio, uns R$3000. É praticamente uma mentira dizer que um iPhone custa +/- R$1300 na loja da operadora pois saibam que paga-se o preço cheio do aparelho (R$3000) continuamente em sua conta mensal. Além disso assina-se um contrato de fidelidade de 1 ou 2 anos, para garantir que você só deixe a operadora depois de pagar o preço cheio do aparelho. Há multas se quiser deixá-la antes.

Nos EUA, no eBay, este aparelho custa por volta de US$700 (menos da metade do preço).

Eu tenho a sorte de ter um plano corporativo com preços baixíssimos de chamadas e de dados e acho um estupro o que pessoas físicas pagam de conta de celular no Brasil (R$100, R$200, R$400 etc). Minha única desvantagem é que não acumulo créditos para trocar aparelhos a preços ilusoriamente mais baixos (ou de graça). Bem, é uma vantagem ilusória — não se engane.

Então, para o meu caso, vale a pena comprar um iPhone fora do país. E sugiro aos usuários brigarem com suas operadoras por planos mais justos e muuuuito mais baratos.

Na lista de países do post faltou citar que na Austrália também se vende iPhones desbloqueados na Apple Store de lá. Já vi alguns sites que vendem iPhones para o mundo inteiro e eles contam que compram os aparelhos legalmente na Austrália.

Eu comprei meu iPhone 3GS nos EUA, pelo eBay. Um amigo americano comprou para mim, na verdade, porque só vendem para cartões de crédito com endereço confirmado nos EUA. Ou seja, o cartão tem que ser americano. Não vale cartão internacional.

Além disso, o 3GS tem proteções especiais que tornam o desbloqueio um pouco mais complicado e um usuário menos atento pode acabar com um iPhone que será somente um iPod Touch por alguns meses, até o Dev Team achar um novo desbloqueio.

De resto, é o melhor gadget multiutilidade que já tive. Tem um ecossistema vibrante de usuários, aplicações e jogos, dispensa o uso de computador em várias situações (blogar, twittar, ler e-mail, navegar na internet, mapas, utilidades etc) além de ser um prato cheio para usuários de Linux como eu, poque seu sistema operacional é uma espécie de Linux no final das contas.

Community and SocietyInfo & Biz Technology

Dados.Gov.BR

Durante as pesquisas para escrever meu último post, ví o Tim O’Reilly falando de um site do governo americano chamado data.gov.

O site é um portal para se procurar e baixar informações e estatísticas em formatos puros como XML, KML, CSV etc.

Achei genial e fundamental para uma gestão aberta colaborativa. Então o título deste post é um mero desejo meu de ter algo similar no Brasil, nada mais.

Linux & Open SourceWeb 2.0

WhiteHouse.Gov migrou para Drupal

Drupal é um dos melhores gerenciadores de conteúdo que existem e é Open Source.

Há quem diga que é porque o governo Obama incentiva Open Source blablabla etc. Mas a verdade é que provavelmente a escolha foi pelo melhor: Drupal. No blog do Tim O’reilly, há também mais detalhes sobre a infraestrutura: Red Hat Linux como SO e MySQL como DB.

Eu uso-o diariamente e posso dizer que é extremamente bem arquitetado e tem uma comunidade vibrante. Posso dizer também que não faz nenhum sentido hoje em dia criar um site do zero sem usar uma ferramenta poderosa e flexivel de gestão de conteúdo como o Drupal.

Bem, a prova que o site da Casa Branca roda sobre Drupal está em seu HTML enviado ao browser.

Assinaturas do Drupal no HTML do site da Casa Branca

As partes em destaque são típicas URIs do Drupal.

Se Linux reina hoje no universo dos sistemas operacionais de servidor, Drupal reinará também no universo dos sites em 2 ou 3 anos.

Travels

YouTube na Turquia

Meu pai está a viajar pela Turquia e Bulgária e contou o seguinte:

Haaa. esqueci de dizer uma coisa: na Turquia não dá para acessar o youtube,  os e-mail que tentava abrir com links para youtube retornava com mensagem oficial do governo turco avisando que esta ligação é inapropriada pelo seu conteudo. Agora na Bulgaria consegui acessar os mesmos e- mail.

E mais uma coisa, estou-me deliciando da comida bulgara.

Central Asia 2007Chronicles

Eu, Felipão e o Uzbequistão

Um amigo me ligou contando que comentaristas da Band News não acreditavam que o Felipão seria o técnico de um time de um tal país chamado Uzbequistão. Perguntaram no programa quem conhecia o Uzbequistão. Perguntaram também quem conhecia alguém que conhecia o Uzbequistão.

Pois bem, Band News, aqui estou eu em carne e osso como prova de que o Uzbequistão existe sim e é legal. Fomos prá lá em 2007 e pode-se ver um monte de fotos (como a do lado) ao longo do diário da viagem.

Confesso que quando minha namorada me propos essa viagem tive a mesma reação do pessoal da Band News. No roteiro adicionamos o Quirguiztão e Kashgar também.

Então vamos ajudar o pessoal da Band News a encontrar o Uzbequistão no planeta: aos olhos do pessoal da Band News (e para mim também, até antes de 2007), Uzbequistão está para a Russia assim como o Piauí está para o Brasil visto pelos olhos dos uzbeques. Mas diferente do Piauí que é um estado brasileiro, o Uzbequistão é um país que outrora fazia parte da União Soviética. O que eu quero dizer é que o Uzbequistão é tão fim do mundo para os brasileiros (ainda) quanto o Piauí é fim de mundo para os uzbeques.

Nada contra o Piauí. Lá é bem legal também, devidamente visitado e apreciado.

E se ainda tiverem dúvidas sobre o pequeno tamanho desse mundo, deixo vocês com a genial poesia do Gilberto Gil:

Antes mundo era pequeno
Porque Terra era grande
Hoje mundo é muito grande
Porque Terra é pequena
Do tamanho da antena
Parabolicamará

Gourmet

A Melhor Sobremesa de São Paulo

Você pode ir lá e nem se maravilhar com as entradas inusitadas. Passar reto pelos pratos multiétnicos bem bons. E nem se preocupar com o hype descolado dos frequentadores. Deixe todo esse glamour para outro dia, outro jantar.

Vá ao Carlota, atravesse o cardápio em passo reto para as sobremesas e escolha o Carlota Pernambucana. Só eu aqui vou te contar que trata-se de um tipo de petit gateau de banana ainda na forma, acompanhado de sorvete de canela (o melhor sabor de sorvete, depois do de bacuri). Quando se parte o bolo, o creme de banana escorre quente e perfumado. A canela gelada faz um contraponto perfeito e equilibrado, tanto na temperatura quanto no balanço das especiarias. Mmmmmmm…

Pronto, contei. Estava devendo isso há tempos para meu blog e para meus leitores.

Music & Podcasts

Ambient Music

You can say whatever you want, I’ll keep saying that Ambient Music (the style of music you can listen in albuns such as Buddha-Bar, Café Del Mar etc) is merely a fusion between New Age and João Gilberto’s Bossa Nova.

Linux & Open SourceMultimedia

Organize fast and precisely your MP3 files with ID3v2 tags

This is a set of personal notes and a tutorial for everyone about how to correctly organize and tag MP3 files using the id3 command line tool.

General way to tag MP3 files:

id3 -M -2 [-v] [-t title] [-a artist] [-l album] [-n tracknr] [-y year] [-g genre] [-c comment] file.mp3

Recursively tag with ID3v2 a tree with many directories containing MP3 files, setting artist and genre:

id3 -v -2 -R -a "João Gilberto" -g "Bossa Nova" *mp3

Rewrite the Title tag of each file capitalizing the first letter of each word:

id3 -v -2 -t %+t *mp3

Rename files based on track number and song name (as “02 – Song Name.mp3″) padding a zero to track numbers smaller than 10:

id3 -v -2 -f "%#n - %t.mp3" *mp3

Add a suffix to the current Author tag:

id3 -2 -a "%a e Spokfrevo Orquestra" *mp3

Copy current Author tag to the Composer tag:

id3 -v -2 -wTCOM %a *mp3

Use the “Artist” (TPE1) and “Album Artist” (TPE2) tags in a different way to correctly group songs by album on your MP3 player:

id3 -2 -wTPE2 "Various Artists"  Café_Del_Mar_*/*mp3

or, alternatively with the id3v2 program:

id3v2 --TPE2 "Various Artists" Café_Del_Mar_*/*mp3

Scan track number (%n) and song name (%t) from each file name and set them as ID3 respectivelly along with additional artist name and album name:

id3 -2 -a "The Artist Name" -l "The Album Name" -g "The Genre Name" -m "%n - %t.mp3"

The id3 program is available for multiplatforms, including Linux and Windows. You can find RPM packages for Fedora Linux on my site.

Misc

O Maior Sorriso do Mundo !!

Depois do grande anuncio em Bombaim, com vocês, o maior sorriso do mundo:

Get the Flash Player to see this player.

(antes que perguntem, “safta” é avó em hebraico)

Metaphysics

Paranormalidade Observada por Médicos

Uma pessoa muito próxima e querida passou 3 semanas na UTI que culminaram em seu falecimento. Em seus últimos dias ela relatava que sua mãe — morta a muitos anos — vinha lhe visitar com freqüência.

Na última visita que lhe fizemos era evidente que tudo aconteceria nas próximas horas e o Dr. Carlos, veterano de UTI, veio dar umas palavras de consolo. Contamos sobre as “visitas” da mãe dela. Dr. Carlos explicou:

— Ah sim, olha, eu não acredito em espíritos perambulando nem nada disso mas nos nossos anos de UTI, a gente observa que paciente que vê parente morto é porque vai morrer também logo em seguida. Acontece até de vermos pacientes que estão próximo de terem alta, se vêem parentes mortos, nem dá tempo de dar a alta.

Visões na UTI são comuns e podem ser causadas por alguns fatores:

  1. Dificuldade em dormir longa e continuamente por causa de interrupções constantes para exames.
  2. Perda da noção de dia e noite pois sempre há luz, e o stress que isso causa.
  3. Químicos, remédios e toxinas que não saem do corpo e que podem causar alucinações.

Mas o mais interessante foi a observação do meu cunhado, psicólogo, e que também é meio cético:

— Engraçado que as visões nunca são de monstros de geléia, bruxas com verrugas cabeludas nem nada randômico. E sim sempre de parentes mortos vindo visitar.

Talvez a lista devesse receber o seguinte fator novo:

  1. Pessoas prestes a morrer recebem “visitas” de entes queridos que já se foram, para ajudar na transição para outros mundos.

Termino então com uma pergunta: Existe vida após a morte? Você pode provar que existe? Você pode provar que não existe?

Cuidado com a sua argumentação sobre este assunto para não cair facilmente na armadilha de sua ignorância.